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Super Flumina

Liberae sunt enim nostrae cogitationes - Cícero (Mil. 29 - 79) . Um blog de Rui Oliveira superflumina@sapo.pt

Super Flumina

Liberae sunt enim nostrae cogitationes - Cícero (Mil. 29 - 79) . Um blog de Rui Oliveira superflumina@sapo.pt

Rentistas animados

Segundo o Correio da Manhã a "nova lei anima o cinema". Compreendo, nada mais anima os rentistas do que o dinheiro sacado aos contribuintes para concretizarem os seus elevadíssimos sonhos. Claro que é à custa dos outros, mas isso não lhes interessa. É "cultura" e a "cultura" tem que ser paga mesmo que os involuntários contribuientes não concordem.

 

Ainda pensei que com a falta de dinheiro generalizada, este governo estivesse motivado para acabar com este desperdício do dinheiro dos contribuintes (lembre-se "there is no such thing as public money")e acabasse definitivamente com uma data de subsídios que não têm qualquer justificação. Mas não, Francisco José Viegas tem procurado agradar a esta minoria e arranjar-lhes dinheiro. Enfim, ainda dizem que este é um governo liberal.

Deve pensar que os outros são estúpidos...

O Público noticia que o guia de restauração do Porto editado pela Porto Menu tem na sua capa um insulto a Rui Rio. Na fachada de um edifício pode-se ver "Rio és um fdp". Segundo a notícia, uma funcionária da loja que existe sob o local onde se vê a inscrição diz que a inscrição nunca existiu. Por isso, terá sido posta por Photoshop. Mas, o mais hilariante e, ao mesmo tempo, completamente estúpido é a explicação dada por Manuel Leitão, editor da publicação:

 

Contactado pelo PÚBLICO, Manuel Leitão, editor da publicação, garante que já foram distribuídos "20 mil exemplares" da edição de 2012/2013 da revista, mas recusa que a inscrição seja um insulto ao presidente da Câmara do Porto, Rui Rio. "Isso é uma presunção", diz, acrescentando: "Não fala ali em presidente [da câmara] do Porto nenhum. Que eu saiba "Rio" é um substantivo próprio que significa um curso de água e o resto são três iniciais, um verbo e um artigo".

 

O senhor Manuel Leitão está a tentar fazer de lorpas todas as outras pessoas. Além do mais, se foi exactamente aquilo que ele disse, então deveria deixar a análise morfológica para quem sabe (sei lá, acho que um miúdo do 6.º ano conseguiria fazer melhor).

 

Dizer que "Rio" é um substantivo próprio e a seguir defini-lo como um "curso de água" (supondo-se, no contexto, que ele quer dizer um curso de água qualquer) só demonstra ignorância e uma contradição nos seus termos. Um "nome próprio" ("nome" substituiu "substantivo" na nova nomenclatura gramatical) designa um referente fixo e único num determinado contexto discursivo. O que provavelmente ele queria dizer é que "rio" era um substantivo "nome" comum.Além do mais, a estrutura da frase, com o verbo na segunda pessoal do singular, não deixa muitas dúvidas quanto ao sentido. Quanto aos significado de "fdp", enfim... acho que toda a gente sabe.

 

Mas, para além da ignorância gramatical, este senhor quer fazer passar as pessoas por parvas ou quê? Ou não tem, agora, coragem de assumir aquilo que publicou e que, certamente, não lhe passou despercebido.

 

Enfim, uma tristeza...

Cinema... outra vez os subsídios

Não posso deixar de concordar com o post de André Abrantes do Amaral sobre o ridículo dos cineastas que decidiram fazer um ultimato ao governo. Não havendo dinheiro público, como disse já Francisco José Viegas uma vez, "qual foi a parte de não há dinheiro" que eles não perceberam. Por outro, por que deverá o estado subsidiar o cinema. Faz parte das funções essenciais do estado? Eu penso que não é dever do estado fazê-lo. Já em Bastiat, em 1850, explicou as razões pelas quais o Estado não deveria subsidiar as artes (tradução minha):

 

Em primeiro lugar, poder-se-ia dizer, há uma questão de justiça distributiva. Será que o direito do legislador irá até ao ponto de desfalcar o salário do artesão para constituir um suplemento de proveitos para o artista? O Sr. Lamartine dizia: «Se suprimirdes o subsídio de um teatro, onde é que parareis neste caminho, não seríeis logicamente levados a suprimir as vossas Faculdades, os vossos Museus, os vossos Institutos, as vossas Bibliotecas? » Poder-se-lhe-ia responder: «Se deseja subsidiar tudo o que é bom e útil, onde é que parará neste caminho, não seria logicamente levado a constituir uma lista civil para a agricultura, a indústria, o comércio, a beneficência, a instrução? » Além disso, será que é certo que os subsídios favorecem o progresso da arte? É uma questão que está longe de estar resolvida e nós vemos pelos nossos próprios olhos que os teatros que prosperam são aqueles que vivem a sua própria vida. Por fim, elevando-se a mais altas considerações, pode observar-se que as necessidades e desejos nascem uns dos outros e elevam-se cada vez mais para regiões mais puras, à medida que a riqueza pública permite satisfazê-los; que o governo não tem nada que se imiscuir nesta correspondência, já que, num dado estado da fortuna actual, ele não saberia estimular, através de impostos, as indústrias do luxo sem afectar as indústrias de primeira necessidade, interferindo assim na marcha natural da civilização. Pode-se observar que estas deslocações artificiais das necessidades, gostos, trabalho e população colocam os povos numa situação precária e perigosa, que já não tem uma base sólida.

 

De facto, o Estado não pode subsidiar tudo o que é útil, pois é preciso entender que quando o Estado subsidia algo, isso significa que desviou dinheiro de um lado para outro. Ou seja, fez uma discriminação: favoreceu uns, prejudicando outros. O que estes senhores estão a dizer é: os contribuintes (pois, como já dizia Margaret Thatcher, "there is no such thing as public money") que paguem a nossa actividade. Ora, por mais meritória que essa actividade seja, os contribuintes não têm que a subsidiar.

Difícil não concordar...

Entrevista de Maria Filomena Mónica ao i, hoje:

 

O PS não existe, nem sei o que é aquilo. O líder não tem carisma, não sabe o que há-de fazer, está condicionado pelo acordo com a troika. E sucede a um delinquente político chamado Sócrates, o pior exemplo que jamais, na História de Portugal, foi dado ao país: ir para Paris tirar um curso de “sciences po”, depois daquela malograda licenciatura – à qual não dou a menor importância, pois há muitos excelentes políticos que não são licenciados. O engenheiro Sócrates foi o pior que a política pode produzir. Depois de tantos processos em que mentiu, aldrabou, não depôs, ninguém percebeu o que se passou com o Freeport, os portugueses perguntam-se onde foi ele buscar dinheiro para estar em Paris. Quem é que lhe paga as despesas e o curso?

Admirável Mundo Novo

Através da referência feita neste artigo do Telegraph, cheguei a este artigo onde dois académicos advogam o aborto pós-natal (é assim que eles chamam ao infanticídio). Eis o resumo do artigo:

 

Abortion is largely accepted even for reasons that do not have anything to do with the fetus' health. By showing that (1) both fetuses and newborns do not have the same moral status as actual persons, (2) the fact that both are potential persons is morally irrelevant and (3) adoption is not always in the best interest of actual people, the authors argue that what we call ‘after-birth abortion’ (killing a newborn) should be permissible in all the cases where abortion is, including cases where the newborn is not disabled.

 

É, sem dúvida, levar o raciocínio até às suas últimas consequências. Conforme explica o artigo do Telegraph:

 

The authors therefore concluded that “what we call ‘after-birth abortion’ (killing a newborn) should be permissible in all the cases where abortion is, including cases where the newborn is not disabled”.

They also argued that parents should be able to have the baby killed if it turned out to be disabled without their knowing before birth, for example citing that “only the 64% of Down's syndrome cases” in Europe are diagnosed by prenatal testing”.

Once such children were born there was “no choice for the parents but to keep the child”, they wrote.

“To bring up such children might be an unbearable burden on the family and on society as a whole, when the state economically provides for their care.”

However, they did not argue that some baby killings were more justifiable than others – their fundamental point was that, morally, there was no difference to abortion as already practised.

They preferred to use the phrase “after-birth abortion” rather than “infanticide” to “emphasise that the moral status of the individual killed is comparable with that of a fetus”.

 

Os autores explicam ainda, segundo o Telegraph que:

 

“Both a fetus and a newborn certainly are human beings and potential persons, but neither is a ‘person’ in the sense of ‘subject of a moral right to life’.

“We take ‘person’ to mean an individual who is capable of attributing to her own existence some (at least) basic value such that being deprived of this existence represents a loss to her.”

As such they argued it was “not possible to damage a newborn by preventing her from developing the potentiality to become a person in the morally relevant sense”.

 

Enfim, bem-vindos ao admirável mundo novo que assim respeita a vida humana!

 

Não sei porquê...

Na sequências dos prémios recebidos por dois realizadores portugueses em Berlim, Francisco José Viegas disse que ao Público que:

 

O trabalho de cineastas como Miguel Gomes e João Salaviza é a prova de que o apoio ao cinema e ao audiovisual nacionais tem de continuar, merecendo o contributo e a homenagem de distribuidoras, produtoras, televisões e público, entre outros agentes interventivos do sector

 

A lógica desta afirmação de FJV é-me um pouco  alheia. Sinceramente, continuo por que é que os contribuintes (sim, os contribuintes, não é por os dinheiros para o cinema não virem do Orçamento de Estado, que deixam de ser os contribuintes a pagar, aliás, como o JCD explicou no Blasfémias a propósito da nova vei do cinema) têm que pagar o cinema feito por alguns. E, nem sequer estão a falar destes filmes em particular.

 

É que continuo sem perceber por que razão o estado tem que financiar as artes. Mas isto deve ser a minha costela liberal a falar.

Quem não tem dinheiro... (II)

No seguimento do post anterior, sobre esta notícia do Público, e da troca de comentários por ele originada, não posso deixar de recomendar a leitura de Ce qu'on voit et ce qu'on ne voit pas (IV. Théâtres, Beaux-Arts) de Frédéric Bastiat. Foi escrito há mais de 160 anos, mas continua verdadeiramente actual. Eis alguns excertos (destaques meus):

 

Mais, par une déduction aussi fausse qu'injuste, sait-on de quoi on accuse les économistes? c'est, quand nous repoussons la subvention, de repousser la chose même qu'il s'agit de subventionner, et d'être les ennemis de tous les genres d'activité, parce que nous voulons que ces activités, d'une part soient libres, et de l'autre cherchent en elles-mêmes leur propre récompense. Ainsi, demandons-nous que l'État n'intervienne pas, par l'impôt, dans les matières religieuses? nous sommes des athées. Demandons-nous que l'État n'intervienne pas, par l'impôt, dans l'éducation? nous haïssons les lumières. Disons-nous que l'État ne doit pas donner, par l'impôt, une valeur factice au sol, à tel ordre d'industrie? nous sommes les ennemis de la propriété et du travail. Pensons-nous que l'État ne doit pas subventionner les artistes? nous sommes des barbares qui jugeons les arts inutiles.

 

[...]

 

Loin que nous entretenions l'absurde pensée d'anéantir la religion, l'éducation, la propriété, le travail et les arts quand nous demandons que l'État protège le libre développement de tous ces ordres d'activité humaine, sans les soudoyer aux dépens les uns des autres, nous croyons au contraire que toutes ces forces vives de la société se développeraient harmonieusement sous l'influence de la liberté, qu'aucune d'elles ne deviendrait, comme nous le voyons aujourd'hui, une source de troubles, d'abus, de tyrannie et de désordre.

 

Nos adversaires croient qu'une activité qui n'est ni soudoyée ni réglementée est une activité anéantie. Nous croyons le contraire. Leur foi est dans le législateur, non dans l'humanité. La nôtre est dans l'humanité, non dans le législateur.

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