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Super Flumina

Liberae sunt enim nostrae cogitationes - Cícero (Mil. 29 - 79) . Um blog de Rui Oliveira superflumina@sapo.pt

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Liberae sunt enim nostrae cogitationes - Cícero (Mil. 29 - 79) . Um blog de Rui Oliveira superflumina@sapo.pt

Talvez aprendam

Já por várias veses escrevi sobre as praxes e sobre o meu desagrado pelo modo que muitas delas são  efectuadas. Por isso, esta notícia é bem-vinda, pois talvez assim o pessoal que gosta de praxar comece a ter algum juízo e respeitar so direitos dos outros.

 

O Tribunal de Santarém condenou hoje os sete membros da comissão de praxes da Escola Superior Agrária (ESAS) a multas entre os 640 e os 1600 euros, uma pena que considerou "reflectir o sofrimento" de que Ana Francisco foi vítima.

O juiz Duarte Silva considerou seis dos arguidos culpados da prática do crime de ofensa à integridade física qualificada e outro do crime de coacção, dando como provados os factos ocorridos a 8 de Outubro de 2002 e relatados por Ana Francisco, que se constituiu como assistente no processo movido pelo Ministério Público.

 

Será que não podem fazer praxes sem humilhar alguém? Era uma ideia.


Letras deprimidas

A ler esta entrada Abandonar Tebas de Daniela Kato sobre as Faculdades de Letras destaco esta passagem, porque, infelizmente, derivado da minha própria experiência, penso que ela é dolorosamente verdadeira:

Desenganem-se os que pensam que as Faculdades de Letras são hoje (se é que alguma vez foram) lugares de cultura, se por «cultura» entendermos todo um conjunto de valores, linguagens, práticas e atitudes perante o conhecimento, transmitidos de geração em geração. É um daqueles mitos que os anos mais recentes de decadência deitaram, em definitivo, por terra. Num espaço em que se devia cultivar – e cultivar remete-nos para uma ideia de cuidado, de zelo – a criatividade, o gosto pela leitura e a sensibilidade crítica, promove-se antes a erudição inerte, balofa, fechada sobre si própria. [...] Em vez de encontrar, como esperava ingenuamente no início, o estímulo para trilhar de forma independente caminhos novos, cedo percebi que essas pessoas esperam sobretudo a confirmação e a repetição ad nauseam das suas certezas reconfortantes.

Por outro lado, e falo do exemplo que conheço melhor, a FLUP, o ambiente da última vez que lá fui, em Março de 2007, era absolutamente deprimente. Uma faculdade com muito pouca vida. Algo que a Daniela também refere:

Apesar da distância, não consigo deixar de pensar nas desgraças em que está mergulhada a minha velha faculdade e, em especial, os seus desertificados departamentos de Línguas e Literaturas, sem futuro à vista. «A culpa é do capitalismo selvagem», diz-me um dia um catedrático, com ar de vítima. «A culpa é da sociedade, que deixou de nos compreender», comenta um outro, na altura com responsabilidades de direcção departamental. Tudo reflexões dotadas de grande profundidade e honestidade intelectual. E não tenho dúvidas de que as ditas criaturas por lá ficarão, inertes dentro das suas tocas, à espera que o capitalismo acabe e a sociedade mude, por decreto ou, quiçá, por milagre.

Ainda por cima as faculdades de letras ficaram estupidamente presas à formação de professores. Tendo este caminho chegado ao seu fim, pois a demografia assim o decretou, parecem não saber que rumo devem tomar, o que devem ensinar. A Daniela falou do imobilismo de quem tem responsabilidades. Mas este imobilismo alarga-se também aos estudantes que lá são formados.

Em Dezembro de 2006, estive envolvido num colóquio realizado na FLUP, Portas fechadas, janelas abertas, onde se tentou reflectir sobre as saídas profissionais para os licenciados de línguas românicas. O que me impressionou nas dezenas de licenciados que lá estavam e que, por uma ou outra razão, não tinham obtido a saída profissional que ambicionavam, foi exactamente o seu imobilismo, a não procura de soluções alternativas, o finca-pé em só quererem trabalhar naquilo que esperavam trabalhar, esperando sempre que o governo lhes resolva o assunto. Nem todos tinham esta atitude, mas havia um número significativo que a tinham.

Ora, isto é, na minha opinião, também uma consequência daquilo que a Daniela diz na sua entrada: as Faculdades de Letras não ensinam a pensar pela sua própria cabeça. Mais do que uma agência de empregos (as faculdades, sejam elas quais forem, não têm que formar licenciados para este ou aquele emprego), as faculdades têm que ensinar os seus alunos a pensarem, para que estes usem a capacidade de pensar e pesquisar que, em princípio adquiriram na passagem pelo ensino superior, nas suas actividades profissionais.

Certo é que a situação está longe de ser animadora nas Humanidades.

Boas memórias

Leio no Expresso que os pais e professores da escola secundária Garcia da Orta, no Porto (para quem não saiba); estão contra os atrasos nas obras.Segundo se lê:

A chuva entra nas salas, o betão está a desfazer-se e a instalação eléctrica é tão antiga que pode provocar um incêndio, mas a Escola Secundária Garcia de Orta, Porto, não integra o programa de modernização do parque escolar.
"A escola tem 30 anos e nunca teve uma manutenção que ajudasse a suportar a degradação natural", afirmou hoje Fernanda Robalo, vice-presidente do Conselho Executivo, em declarações à agência Lusa.
Fernanda Robalo salientou que as instalações "estão muito degradadas", referindo especialmente o mau estado do recinto exterior onde decorrem as aulas de educação física, mas também a situação em que se encontra o piso do pavilhão desportivo, onde ocorrem frequentemente acidentes envolvendo alunos.

Eu andei no Garcia, e chamo-lhe o Garcia porque no meu tempo aquilo tinha o nome de Liceu (não de escola secundária) do 7.º até ao 12.º ano, tendo entrado no ano lectivo de 1975/76 (a escola tem mais de 30 anos, se não me engano foi inaugurada em 1969).

Quando lá andei a escola era relativamente nova, mas começava a sofrer do excesso de população estudantil (penso que eramos bem mais do que os 1500 alunos que a escola tem actualmente).

Tenho boas memórias do tempo que lá passei,. No plano escolar, fiz um percurso sem grandes sobressaltos apesar de ter apanhado todas as reformas daquela época: apanhei o primeiro 7.º ano unificado, o primeiro 8.º unificado e por aí adiante.

Já o ambiente geral foi muito agitado, principalmente entre 1975 e 1978; desde confrontos logo em Novembro de 1975 (nós, os do 7.º ano, tínhamos começados as aulas só no início de Novembro, estavamos portanto na escola só há 2/3 dias), quando da independência da Angola, desde ao "sequestro" de professores na sala deles por parte de elementos da direita nacionalista (numerosa na escola naqueles tempos), quando andava eu no 9.º ano, para além de confrontações físicas na parte de fora da escola por questões ideológicas. Também há aquele episódio do Mário Soares, durante um congresso do PS efectuado no pavilhão do Garcia, ter ficado escandalizado com as inscrições nas paredes dos lavabos (palavras de ordem de extrema-direita, cruzes gamadas, etc). Na verdade, naqueles anos, a esquerda não era muito popular por aqueles lados.

Mas é triste saber que o Garcia está degradado. É certo que, devido à sobrelotação, tive aulas em pré-fabricados (só no 9.º ano), construídos de propósito para albergarem mais algumas turmas. Mas, mesmo nesses pré-fabricados não chovia lá dentro. Por outro lado, o pavilhão era, no quadro das escolas do Porto desse tempo, muito bom, e tinha mais condições e material desportivo do que a escola básica/secundária onde hoje anda a minha flha mais velha (eu sei, porque pertenço à Associação de Pais da escola há já dois anos e sei bem as carências delas e a falta de soluções de um Ministério que tudo quer controlar, mas que não tem nem os meios nem o saber para o fazer).

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