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Super Flumina

Liberae sunt enim nostrae cogitationes - Cícero (Mil. 29 - 79) . Um blog de Rui Oliveira superflumina@sapo.pt

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Liberae sunt enim nostrae cogitationes - Cícero (Mil. 29 - 79) . Um blog de Rui Oliveira superflumina@sapo.pt

São Valentim, esse desconhecido

Hoje, celebra-se mais um 14 de Fevereiro, mais um Dia de São Valentim e mais um Dia dos Namorados, mas não é isso o que me interessa.

Quero antes falar do facto de este dia ser conhecido como o Dia de São Valentim, mas, para a Igreja Católica, que festejava São Valentim neste dia, neste momento, este dia já não é o de São Valentim. Assim, se consultarmos o Calendário Litúrgico (Calendário Romano Geral) actual, hoje não é dia de São Valentim, mas sim dos santos Cirilo (826-869), monge, e Metódio (815-885), bispo, que eram irmãos e criaram um alfabeto próprio para traduzir da língua grega para a língua eslava os livros sagrados e são conhecidos como os “Apóstolos dos Eslavos”.

E São Valentino, por que ficou de fora? Pelas muitas dúvidas que o envolvem, com muitas lendas e poucos documentos históricos.

Segundo a Catholic Encyclopaedia, nos antigos martirológios são mencionados pelo menos três santos chamados Valentim na data de 14 de Fevereiro, todos eles mártires, sendo um descrito como sacerdote de Roma e o outro como bispo em Interamna (hoje Terni), tendo sido ambos, aparentemente, martirizados na segunda metade do século III e enterrados na Via Flamínia, mas a diferentes distâncias da cidade. O terceiro São Valentim seria de África.

Mas nem isto é certo, pois todas as notícias que temos de São Valentim são relati3333vamente tardias e sem valor histórico. O mais antigo relato onde Valentim consta é um documento oficial da Igreja dos séculos V-VI, onde aparece o seu aniversário de morte. Ainda no século VIII outro documento conta-nos alguns pormenores do seu martírio: tortura, decapitação à noite, enterro dos discípulos Próculo, Efebo e Apolónio, posterior martírio destes e seu enterro. Outros textos do século VI, contam que São Valentim, cidadão e bispo de Terni, ficou famoso pela santidade de sua vida, pela caridade e humildade, pelo apostolado zeloso e pelos milagres que fez. O seu corpo foi enterrado pelos discípulos em Terni, na milha LXIIII da Via Flamínia.

Nos últimos anos, têm sido realizados numerosos estudos, especialmente dedicados à tentativa de resolver o problema da identificação entre os dois santos do mesmo nome venerados no mesmo dia, o sacerdote romano e o bispo de Terni; as conclusões a que os historiadores mais recentes chegaram falam de um único mártir, o bispo de Terni, enquanto o sacerdote romano parece nunca ter existido e sua figura parece ser o resultado de um mal-entendido. Mas as dúvidas permanecem.

Sobre o terceiro Valentim, além de ter sido martirizado na África juntamente com alguns dos seus companheiros, nada mais se sabe.

Apesar de tudo isto, ainda em 1960, no Calendarium Breviarii et Missalis Romani promulgado pelas Acta Apostolicae Sedis, LII (1960), pp. 686-698, pelo Papa João XXIII, São Valentino era celebrado no dia 14 de Fevereiro, com a classificação de Commemoratio.

Mas em 1969, perante tantas dúvidas e incertezas, Paulo VI, quando promulgou o Calendarium Romanum Generale, em 1969, omitiu São Valentino, bem como outros santos cujas histórias lendárias careciam de confirmação histórica. Assim, no Martirológio, no dia 14 de Fevereiro, aparece apenas e só a seguinte menção:

2. Em Roma, na Via Flamínia, junto à ponte Mílvio, São Valentim, mártir. († data inc.).

Assim sendo, actualmente, a sua memória é apenas facultativa.

Tempo da Septuagésima

Até à reforma da liturgia realizada pelo Concílio do Vaticano II, e que entrou em vigor no Advento de 1969, durante mais de mil anos, houve na Igreja Católica um tempo litúrgico que servia de transição entre as alegrias das festas de Natal e da Epifania e a penitência do tempo quaresmal: o Tempo da Septuagésima.

Este tempo começa com o Domingo da Septuagésima, que é celebrado no terceiro domingo antes da Quarta-feira de Cinzas (e nono domingo antes da Páscoa), e corresponde ao 63.º dia antes da Páscoa. Este domingo é conhecido entre os gregos como o “Domingo do Filho Pródigo”, pois nele se faz a leitura do Evangelho de São Lucas, 15, 11-32. Pelos latinos, também é chamado Dominica Circumdederunt, a partir da primeira palavra do Intróito da Missa da Septuagésima. Os outros domingos agrupados no tempo da Septuagésima são o segundo domingo antes da Quarta-feira de Cinzas, Domingo da Sexagésima, e o domingo imediatamente anterior à Quarta-feira de Cinzas, o Domingo da Quinquagésima. O Tempo da Septuagésima termina na terça-feira anterior à Quarta-feira de Cinzas.

Na literatura litúrgica, o nome “Septuagésima” ocorre pela primeira no Sacramentário gelasiano (sécs. VII ou VIII). Desconhece-se porque se deu o nome de Septuagésima a este dia, pois não é septuagésimo dia antes da Páscoa. Uma possível explicação é que o Domingo da Septuagésima e o Domingo da Sexagésima derivam os seus nomes do Domingo da Quinquagésima, que ocorre 49 dias antes da Páscoa, ou 50 se incluirmos a Páscoa.

Era comum os Cristãos começarem o jejum da Quaresma imediatamente após o Domingo da Septuagésima. Actualmente, a Quaresma inicia-se 46 dias antes da Páscoa, pois os domingos nunca são dia de penitência. Nos primórdios da Igreja, em muitas comunidades, os sábados e as quintas-feiras também não eram dias de penitência. Por isso, para conseguirem fazer 40 dias de jejum antes da Páscoa, o jejum tinha de começar antecipadamente.

Hoje, o Tempo da Septuagésima é preservado na forma extraordinária do rito romano. Na forma ordinária, este tempo passou a fazer parte do Tempo Comum ou Per Annum e, neste ano de 2020, segundo o calendário litúrgico celebrou-se o Domingo V do Tempo Comum.

Durante o Tempo da Septuagésima são utilizados paramentos roxos. Nas Missas de domingo e feriais, o Glória é totalmente omitido e em todas as Missas, após o Gradual, lê-se o Trato em vez do Aleluia. O Glória e o Aleluia só voltam a ser cantados na Vigília Pascal.

Domingo da Septuagésima

Sequéntia sancti Evangélii secúndum Matthǽum.

Matth. 20, 1-16.3

In illo témpore: Dixit Jesus discípulis suis parábolam hanc: Simile est regnum coelórum hómini patrifamílias, qui éxiit primo mane condúcere operários in víneam suam. Conventióne autem facta cum operáriis ex denário diúrno, misit eos in víneam suam. Et egréssus circa horam tértiam, vidit álios stantes in foro otiósos, et dixit illis: Ite et vos in víneam meam, et quod justum fúerit, dabo vobis. Illi autem abiérunt. Iterum autem éxiit circa sextam et nonam horam: et fecit simíliter. Circa undécimam vero éxiit, et invénit álios stantes, et dicit illis: Quid hic statis tota die otiósi? Dicunt ei: Quia nemo nos condúxit. Dicit illis: Ite et vos in víneam meam. Cum sero autem factum esset, dicit dóminus víneæ procuratóri suo: Voca operários, et redde illis mercédem, incípiens a novíssimis usque ad primos. Cum veníssent ergo qui circa undécimam horam vénerant, accepérunt síngulos denários. Veniéntes autem et primi, arbitráti sunt, quod plus essent acceptúri: accepérunt autem et ipsi síngulos denários. Et accipiéntes murmurábant advérsus patremfamílias, dicéntes: Hi novíssimi una hora fecérunt et pares illos nobis fecísti, qui portávimus pondus diéi et æstus. At ille respóndens uni eórum, dixit: Amíce, non facio tibi injúriam: nonne ex denário convenísti mecum? Tolle quod tuum est, et vade: volo autem et huic novíssimo dare sicut et tibi. Aut non licet mihi, quod volo, fácere? an óculus tuus nequam est, quia ego bónus sum? Sic erunt novíssimi primi, et primi novíssimi. Multi enim sunt vocáti, pauci vero elécti.

 

Continuação do santo Evangelho segundo S. Mateus.

Mt 20, 1-16

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos a seguinte parábola: «O reino dos Céus pode comparar-se a um proprietário, que saiu muito cedo a contratar trabalhadores para a sua vinha. Ajustou com eles um denário por dia e mandou-os para a sua vinha. Saiu a meia-manhã, viu outros que estavam na praça ociosos e disse-lhes: ‘Ide vós também para a minha vinha, e dar-vos-ei o que for justo’. E eles foram. Voltou a sair, por volta do meio-dia e pelas três horas da tarde, e fez o mesmo. Saindo ao cair da tarde, encontrou ainda outros que estavam parados e disse-lhes: ‘Porque ficais aqui todo o dia sem trabalhar?’. Eles responderam-lhe: ‘Ninguém nos contratou’. Ele disse-lhes: ‘Ide vós também para a minha vinha’. Ao anoitecer, o dono da vinha disse ao capataz: «Chama os trabalhadores e paga-lhes o salário, a começar pelos últimos e a acabar nos primeiros’. Vieram os do entardecer e receberam um denário cada um. Quando vieram os primeiros, julgaram que iam receber mais, mas receberam também um denário cada um. Depois de o terem recebido, começaram a murmurar contra o proprietário, dizendo: ‘Estes últimos trabalharam só uma hora, e deste-lhes a mesma paga que a nós, que suportámos o peso do dia e o calor’. Mas o proprietário respondeu a um deles: ‘Amigo, em nada te prejudico. Não foi um denário que ajustaste comigo? Leva o que é teu e segue o teu caminho. Eu quero dar a este último tanto como a ti. Não me será permitido fazer o que quero do que é meu? Ou serão maus os teus olhos porque eu sou bom?’. Assim, os últimos serão os primeiros e os primeiros serão os últimos. Na verdade, muitos são os chamados, mas poucos os escolhidos».

 

Este é o Evangelho do Domingo da Septuagésima que, segundo o calendário romano geral de 1960, que regula a agora chamada forma extraordinária do Rito Romano, se celebra este domingo. De notar que a frase "Na verdade, muitos são os chamados, mas poucos os escolhidos" foi utilizada por Jesus numa das suas parábolas, em Mateus 22:14, na conclusão da Parábola do Banquete da Boda. Algumas traduções bíblicas também traziam esta frase no final da Parábola dos Trabalhadores da Vinha, em Mateus 20:16, porém ela não consta nos manuscritos gregos mais antigos e, por isso, é geralmente omitida nas mais recentes traduções. Mas, no Missal Romano de 1962, relativo à forma extraordinária, ela ainda está incluída.

Tempo novo, totalitarismo velho

O tempo novo do Costa começa a cheirar a alguma muito velho, a começar pelo totalitarismo. Na má senda do anterior governo, no que respeito ao fisco (e segurança social), o governo quer, agora, sem qualquer tipo de controlo, espreitar para as contas dos contribuintes, conforme se pode ler no Observador.

Certamente que não vão faltar os idiotas úteis que dirão "quem não deve não teme" ou, os ainda mais idiotas que dizem "se todos pagarmos, todos pagaremos menos". Estes últimos também costumam dizer barbaridades como "o Estado somos todos nós".

E assim vai o tempo novo, cantando e rindo, a caminho do abismo (e, por este andar, vão consegui-lo em menos tempo do que o Sócrates).

 

 

 

Golpistas encartados

Se há alguma coisa em que os socialistas são bons (além de fazer falir o país) é em golpismos constitucionais.
Para quem não se lembre, Jorge Sampaio foi o primeiro golpista constitucional quando dissolveu uma maioria absoluta que apoiava o governo Santana Lopes. É certo que esse governo não era grande coisa, mas, temos que reconhecer (sem qualquer dificuldade), teria feito muito melhor do que o de Sócrates (ou seja, não faria falir o país). Por isso, a vinda da troika também é culpa desse péssimo presidente (que nunca foi o meu presidente, nunca votei nele) que foi Jorge Sampaio.

Agora, António Costa faz o seu golpe (e não é por ser legal que não deixa de ser uma golpada). Esperemos que a aventura (ao contrário da de Sócrates) seja curta. Um acordo assinado em segredo e em separado, com um fotógrafo oficial (ao bom estilo estalinista), não pode augurar nada de bom.

Um programa de governo que acha que com mais despesa e menos receita vai obter crescimento económico, só mesmo em mentes demasiado iluminadas que, obviamente, não pertencem a este mundo.

Mas, pronto, lá vão eles, cantando e rindo em direcção ao precipício... o problema é que nos podem arrastar a todos.

Amadorismo

Amadorismo, para ser caridoso, é a palavra que vem à cabeça de qualquer pessoa que tenha estado atenta à saga destes últimos cartazes do PS. Tanto assim que o PS já veio pedir desculpas públicas "pelos cartazes públicos, em especial às pessoas implicadas".

 

Esta história assenta como uma luva nas ideias que o PS queria transmitir: "respeitem as pessoas" ou "alternativa de confiança".

 

Se são amadores a fazer publicidade eleitoral, como é que será quando estiverem no governo? Vêm aí a troika, mais uma vez? 

A habitual arrogância dos donos da verdade

Não sei o que dizer, mas esta afirmação de José Falcão ao i é no mínimo espantosa:

José Falcão, um dos fundadores da associação SOS Racismo, vai directo ao assunto: "O Hélder Amaral é negro onde? Nunca votou uma lei que defendesse os emigrantes.

Ok. Temos aqui uma nova teoria sobre a raça: só é negro (mesmo que seja de raça negra) o negro que votar de acordo com o José Falcão. Será que o José Falcão já arranjou uma expressão portuguesa para traduzir a expressão "uncle Tom" com que os progressistas americanos costumam brindar os conservadores de raça negra?

Maldito solarengo

Estava hoje a ver o jornal da manhã a TVI e, a certa altura, passou uma reportagem "segunda-feira gelada" sobre o frio que faz no país e a jornalista achou que uma manhã com sol era uma "manhã solarenga". É incrível como este erro é inúmeras vezes repetido por pessoas que deviam saber um pouco mais sobre a língua que utilizam profissionalmente.

 

É certo que o Dicionário da Academia das Ciências de Lisboa, para a terceira acepção da palavra "solarengo" diz o seguinte:

1. Que tem sol. [...] 2. Que é iluminado pelo sol; que está exposto à luz e ao calor solar.

É óbvio que isto é um disparate, mas, facto é, que também não é caso único neste malfadado dicionário. Se a jornalista (ou quem escreveu o texto) queria dizer que era uma manhã de sol sempre poderia utilizar "soalheira" ou "ensolarada". 

 

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