Espanholices
Quando se trata de Gibraltar, os espanhóis são muito sensíveis. Deve ser algo que lhes atinge gravemente o orgulho. Por isso, não admira que a visita do ministro britânico da defesa Hoon levante algum mal-estar no governo espanhol.
O ministro da defesa britânico está em Gibraltar para comemorar os 300 anos da conquista, de surpresa, do Rochedo por uma força anglo-holandesa comandada por Georg von Hesse-Darmstadt, em 1704, durante a Guerra da Sucessão espanhola, em nome do arquiduque Carlos de Habsburgo, um dos candidatos ao tromo espanhol.
Como o Tratado de Utreque de 1713 reconheceu como rei de Espanha o outro candidato, Filipe de Anjou (um Bourbon, neto de Luís XIV), que tomou o nome de Filipe V, a Grã-Bretanha ficou com Gibraltar para si. Em 1727 e em 1779/1782, os espanhóis tentaram a reconquista pela força, mas falharam.
O que me espantem é que os espanhóis fiquem tão incomodados com este assunto de Gibraltar, mas quando reclamam a sua devolução, esquecem-se de assuntos como, por exemplo, Ceuta (conquistada em 22 de Agosto de 1415 pelos portugueses, mas sob soberania espanhola oficial desde 1668) ou, já agora, Olivença (não que eu reclame a devolução de Olivença) que foi conquistada em 1801, durante a Guerra das Laranjas contra Portugal (e o nosso país nunca reconheceu a soberania espanhola sobre Olivença).
Espanha, se quiser resolver o assunto de Gibraltar, vai ter que olhar o assunto de modo global. Estas histerias dos governantes espanhóis (algumas declarações foram muito pouco diplomáticas) não levam a lado nenhum.