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Sexta-feira, 6 de Agosto de 2004
Ortografia, língua e outras coisas mais

Sigo com interesse a polémica entre Francisco José Viegas e Pedro Ornelas sobre ortografia e outras questões (por exemplo, o ensino de literatura no básico e secundário). Os argumentos aduzidos por ambos são bastante interessantes e deveriam fazer reflectir muita gente com responsabilidade que, todavia, continua a assobiar para o ar como tudo estivesse no melhor dos mundos.

A discussão sobre a ortografia fez-me logo lembrar o "Prólogo" de Teixeira de Vasconcelos no seu livro "O prato de arroz doce".

António Augusto Teixeira de Vasconcelos (Porto, 1816 - Paris, 1878) é um escritor do séc. XIX, participou na revolta da Junta do Porto em Outubro de 1846, redactor da Convenção de Gramido de 29 de Junho de 1947 que pôs fim à revolta de Maria da Fonte e escreve um livro sobre esse acontecimento. No prólogo desse livro (Prólogo datado de 20 de Setembro de 1862), escreve o seguinte sobre a ortografia (ortografia do trecho actualizada pelo editor):

   Da ortografia peça o leitor contas a quem melhor lhe parecer. Eu não lhe posso dar o que não possuo, nem há. Nós somos o único povo da Europa que admite anarquia nesta parte da gramática. Se aos portugueses apraz permanecer em tão descuidoso atraso, com que direito me hei-de insurgir contra a vontade geral? Assim a querem, assim a tenham.
   Em havendo lei, prometo cumpri-la segundo nela se contiver. Enquanto a não há, estou reduzido a escrever ora de um modo, ora de outro, conforme mo pede a vontade ou o capricho, e a deixar ao revisor da imprensa faculdade absoluta de adoptar a ortografia que quiser, sem exceptuar a do autor de Santarenaida. Quero entenebrecer mais o caos, a ver se ao cabo nascerá dele ordem e luz.
(Teixeira de Vasconcelos, O prato de arroz doce, Porto: Lello & Irmão, 1981, p. 13-14.)

A queixa de Teixeira de Vasconcelos é pertinente, pois a anarquia e o caos na escrita nunca fizeram bem a nenhuma língua.

É importante escrevermos correctamente. Na escola, deveria ser induzida nos alunos a preocupação de escrever ortograficamente correcto (que não é o mesmo que escrever bem). Todos damos erros ortográficos, mas devemos ter a preocupação em não os darmos. Não é uma obsessão pela norma ou pela procura do erro, é antes a procura de um rigor que nos levará também a ser rigorosos em outras coisas que fazemos (afinal temos direito a que no rodapé da TVI não apareça coisas como "prédios em perigo eminente" de queda).

Outra questão levantada, a da literatura nas aulas de Português do ensino básico e secundário, é também bastante interessante. No Ensino Secundário, que é o que conheço melhor (antes da reforma), havia literatura a mais, mas também um modo errado de dar o programa. O FJV refere Os Maias. O que é que os alunos retêm de Os Maias? Os chamados "episódios". E mais nada. Mas mesmo os "episódios" são mal assimilados porque os alunos nada conhecem da sociedade do séc. XIX que Eça critica e, por isso, limitam-se (na maioria dos casos) a repetirem o que os professores disseram. Se os professores não tiverem falado de algum aspecto, então se sai no exame (a questão do "reverendo Bonifácio" por exemplo em Português A na 1.ª fase) temos disparate livre, provando à saciedade que não leram o romance integralmente (para além do aspecto de compreensão do texto por parte dos alunos também ficar seriamente afectado, pois duas linhas abaixo estava mencionado "gato" com todas as letras). Mas, a literatura é indispensável, qualquer que seja a posterior formação do aluno, para a aquisição de um bom domínio da língua.

Isso leva-me aos novos programas de Português do Secundário. Ainda só fiz uma leitura transversal do programa. Se abandona a linguística de frase e parece abraçar uma espécie de linguística de texto, parece-me também que há por ali uma certa superficialidade. Farta-se de falar em "tipos de textos", mas não o definem. Não vi os manuais, mas tenho a impressão que haverá ali uma confusão de conceitos.

Na bibliografia do prgrama especificamente relacionada com "tipos de textos" mencionam apenas um trabalho de Jean-Michel Adam de 1985. O autor, desde então, já escreveu vários livros (não apenas artigos) em que a sua posição evolui consideravelmente. Por outro lado, falta a bibliografia de autores de língua alemã (que, apesar de tudo, tem muitos artigos e livros escritos em inglês e, por isso, mais acessíveis) de linguística de texto, autores imprescindíveis para fundamentar um programa deste género.

Mas, relativamente aos programas, preciso de os ler melhor, para tirar alguma conclusão. Gostaria também de saber como é que foi este ano o 10.º ano para alunos e professores. Temo que muitos destes últimos não estejam preparados para tão grande mudança. Também me vou tentar informar sobre isto.

Há outros aspectos, como por exemplo, o Dicionário da Academia em que eu não daria tantos louvores como Pedro Ornelas o faz. Não é tanto pela escolha de alguma das palavras (lembram-se do "bué"?), mas mais por questões que têm que ver com as definições propostas e por análise comparativa que fiz com outros dicionários nacionais e estrangeiros. Também fica para outra oportunidade que o artigo já vai longo.

publicado por Rui Oliveira às 11:24
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1 comentário:
De Anónimo a 9 de Agosto de 2004 às 18:15
Não sou um defensor acérrimo do Dicionário da Academia - irrita-me é o tipo de críticas que lhe são feitas e o facto de não se lhe reconhecer a importância que, seja como for, tem. Em todo o caso, não me admiro nada que tenha havido imensa batota no dicionário. Aliás, houve um certo secretismo em torno da elaboração do dicionário que dá azo a suspeitas, bem como certos 'esquecimentos' que não seriam possíveis se a escolha das palavras não tivesse sido feita 'à pata', ou seja com recurso à chamada intuição linguística dos lexicógrafos.
O que diz sobre os Maias faz-me lembrar a minha experiência no ensino de geografia. Já saí de lá há 12 anos e muita coisa aconteceu entretanto, mas quando lá estava senti o problema da total descoordenação entre os programas das diferentes disciplinas. Acontecia ter de repetir conceitos que estavam a ser dados em biologia de maneira ligeiramente diferente, e ouvir comentários dos alunos do tipo 'mas a stora de biologia disse que não era assim', ou pelo contrário, sentir falta de certos conhecimentos de história por parte dos alunos, o que me obrigava muitas vezes a fazer incursões por aí.
Pedro
(http://o-ceu-sobre-lisboa.blogspot.com)
(mailto:oceusobrelisboa@sapo.pt)

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