100 anos
Manoel de Oliveira faz hoje 100 anos. Para os seus indefectíveis um mestre absoluto em que cada filme é uma obra-prima, para os seus detractores, um chato de primeira grandeza. Para mim, como se costuma dizer, nem tanto ao mar nem tanto à terra.
Devo confessar que não me considero como um cinéflio, embora, como toda a gente, goste de ver filmes (mas normalmente em casa em DVD ou na televisão, sou muito preguiçoso para ir ao cinema). A produção actual vinda de Hollywood não me encanta muito (demasiadamente politicamente correcta, cheia de "boas intenções" e "causas nobres" e outras tretas que tais). Por outro lado, o cinema europeu é o que é, e também não é lá grande coisa, mas, diga-se, eu até gosto de o ver.
Manoel de Oliveira não é um autor mais ou menos chato do que outros. Para mim, a chateza não está no facto de os planos serem muito longos, dos actores quase não se moverem, de falarem de mais ou de menos, etc. Tudo depende do que eu posso compreender ou não do que estou a ver, se se enquadra mais ou menos nos meus gostos (ou se não se enquadra, se me consegue seduzir). Por isso, um filme como JFK do Oliver Stone foi, para mim, um filme chato. Não achei piada nenhuma aquilo.
De Oliveira não vi muitos filmes: Aniki-Bóbó, Amor de Perdição, O meu caso, Os canibais. Isto é, todos eles anteriores a 1990. Consegui vê-los até ao fim, sem problemas. Aniki-Bóbó é absolutamente fantástico. Os outros três são muito diferentes entre si, mas todos têm a sua piada.
Mas Manoel Oliveira é muito mais do que um realizador de cinema, é um caso único pela sua longevidade, mas também por tudo o quanto fez na vida. Pode dizer-se que além de ter uma vida longa, tem uma vida cheia.
Por tudo isto é um exemplo. Parabéns.