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Super Flumina

Liberae sunt enim nostrae cogitationes - Cícero (Mil. 29 - 79) . Um blog de Rui Oliveira superflumina@sapo.pt

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Liberae sunt enim nostrae cogitationes - Cícero (Mil. 29 - 79) . Um blog de Rui Oliveira superflumina@sapo.pt

Exames, exames, exames...

Saíram os resultados dos exames do 9.º ano. Como já tinha acontecido com o 6.º e o 12.º anos, a Matemática sofreu melhorias consideráveis. As negativas desceram de 72,8 para 44,9 %, o que é verdadeiramente extraordinário  e a explicação dada pelo Ministério, de que "o esforço dos professores e alunos" e os "instrumentos de apoio" justificam estes resultados, é patética. Ninguém no seu perfeito juízo pode acreditar que de um ano para o outro isto possa acontecer, sem haver uma mãozinha da parte dos exames, como aliás foi denunciado pela SPM e APM.

 

Muita gente tem falado em facilitismo. Parece-me pelo que vi nos 6.º e 9.º anos que houve, realmente, algum facilitismo. As provas estavam longe de ser difíceis. Já quanto aos exames de 12.º ano, não tenho a certeza que se possa generalizar, até por que se concentram as atenções em Português, Matemática, talvez Física e pouco mais, esquecendo-se as outras disciplinas que, em boa verdade, também não abrangem um número tão significativo de alunos.

 

Parece-me, sem dúvida, que os exames de Matemática do 12.º ano foram algo facilitados, se virmos bem o quadro dos exames nacionais. O aumento é por demais significativo para, uma vez mais, acreditarmos nas explicações do Ministério. Também, na Física e Química A e Biologia e Geologia há alguns progressos, mas nem por sobras iguais à progressão da Matemátia A/Matemática ou Matemática B (embora em Física e Química a melhoria seja algo significativa em relação a 2006 e 2007).

 

Dá ideia que, como se criticava muito o desempenho dos alunos portuguesas nas ditas ciências duras, o Ministério decidiu resolver o assunto com uns exames um pouquinho mais acessíveis.

 

No entanto, digo eu que não se pode generalizar, porque nas restantes disciplinas as coisas não são assim tão claras. Em Português eu já tinha referido que a prova era mais difícil do que parecia ou de qu os alunos diziam à saída dos exames. Confirmou-se pelos resultados. A sensação que eu tive logo ao ler o exame é que este era um exame que me provocava alguma estranheza.

 

Mas, em outras disciplinas que não domino de modo algum, também há queixas. Mário Contumélias, hoje, queixa-se, no Jornal de Notícas, do exame de Desenho A:

 

A média de resultados dos exames de Desenho A, do 12.º ano, ficou-se pelos 11 valores, uma queda de 1,5 valores em relação aos resultados obtidos no ano passado. Isto, segundo o Ministério da Educação.

O que o ME não diz, pelo que ouço a docentes e alunos, é que o exame foi inesperadamente difícil e de realização impraticável, com qualidade, no tempo disponível; e exigiu a utilização de materiais com que muitas escolas e alunos não contavam. De tal forma que houve casos em que as escolas foram correr a comprar "ferramentas" necessárias ao exame, que tiveram de ser partilhadas pelos alunos e alunas, em condições deficitárias.Estas dificuldades criadas ao exame de Desenho configuram, por certo, má comunicação entre o ME e algumas escolas. Mas, tendo como ponto de referência as facilidades concedidas na área de Ciências, sobretudo em Matemática, parecem revelar uma estratégia política clara - facilitar em "Ciências Duras", dificultar em Artes.

 

Bom, parece que não sou só eu que pensa que o Ministério desejou facilitar as ciências duras. Se procurou dificultar nas outras, nomeadamente nas Artes como refere Mário Contumélias, não sei. Eu até defendo a existência de exames no final do Secundário. Mas este tipo de flutuações desacreditam-nos como instrumento de avaliação.

 

Por outro lado, penso que a entrada no Ensino Superior não deveria estar ligada às classificações obtidas no Secundário. As instituições do Ensino Superior deveriam ter autonomia para estabelecer os seus critérios de admissão de estudantes. Mas isso é já outra história...


Adenda

Valter Lemos percebeu a má publicidade que os resultados das provas do 9.º ano tiveram, e vem tentar virar o bico ao prego dizendo que os resultados foram maus.

 

É lógico que os resultados foram maus, mas o problema não é esse. É a forma como, apesar de maus, eles foram obtidos.  E isso diz muito do que os alunos portugueses (não) aprendem nas escolas no Ensino Básico.

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