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Super Flumina

Liberae sunt enim nostrae cogitationes - Cícero (Mil. 29 - 79) . Um blog de Rui Oliveira superflumina@sapo.pt

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Liberae sunt enim nostrae cogitationes - Cícero (Mil. 29 - 79) . Um blog de Rui Oliveira superflumina@sapo.pt

O estado da arte...

... musical parece estar, em Portugal, a ir de mal para pior, pelo menos no que diz respeito ao "nosso" (porque pago por todos os contribuintes) Teatro Nacional S. Carlos, pelo menos se acreditarmos no Henrique em mais um dos seus artigos depois de vir de uma representação de ópera. Por mim, não tenho dificuldade em acreditar que é verdade o que ele diz.

É certo que nos últimos tempos não tenho ido a muitos concertos e, quando vou, são aos que se realizam por aqui à volta do Porto. Só para dizer que ainda não houve concerto/representação que o Henrique tivesse comentado em que tenha estado presente. Mas, as suas críticas são tão concretas que é difícil não serem verdadeiras até pela minha própria experiência no campo da música.

Durante muito tempo pertenci a vários coros amadores que cantavam música sacra, com grande predominância para compositores como Haendel, Bach, Haydin, Gounod. Nos anos 80, a acompanhar-nos em alguns dos nossos concertos tivemos a então moribunda Orquestra Sinfónica do Porto, Digo bem, moribunda, pois até o então seu próprio maestro titular, José Atalaya, se queixava de falta de músicos, que tinha que fazer adaptações para executar certas peças, devido a essa falta de músicos, etc.

Mas o que me chocava mais na altura era a atitude dos músicos, que eu diria, de um modo simpático, ser muito pouco profissional. Por um lado, com ou sem razão, o desdém que eles tinham pelo maestro titular. Fartavam-se de nos dizerem que o Atalaya não percebia nada daquilo, etc. etc. Por outro lado, nos ensaios, dizer que davam o litro era utopia. Eu sei que nós éramos amadores (isto é, o coro, não os solistas que eram profissionais e pagos a preço de mercado), mas tocar era a profissão deles. No entanto, às vezes parecia que tanto se lhes dava, como se lhes deu.

O que mes espanta é que passados vinte e poucos anos, ao ler as críticas do Henrique parece que estou a ver um quadro  passado. Solistas, embora profissionais, que deixam algo a desejar (ao menos os nossos eram nacionais e se alguns dos que cantaram connosco eram bons, outros tinha a sua categoria, no mínimo, sobrestimada), direcções algo erráticas (o José Atalya era, por vezes, para o coro, um pesadelo, pois raramente nos dava entradas, o que num coro amador era um pouco problemático, mesmo havendo muitos de nós a saber ler música), desequilíbrio entre os sons dos vários naipes da OSP (entre outras coisas).

É triste que estas coisas se passem no TNSC que, até por ser público, tinha obrigação de evoluir. Coisas que poderiam ser admissíveis há vinte e cinco anos, não o podem ser actualmente. Quando vou a um concerto (não é muito normal ir a uma ópera, é um género que não gosto muito), espero ter o prazer de ouvir um bom concerto. Não me considero sequer um melómano, mas já ouvi música suficiente nos últimos 30 anos, já cantei em mais concertos dos que me consigo lembrar (e, apesar de amador e não ganhar nada com isso, sempre fui crítico de mim mesmo), pelo que acho que devo esperar um mínimo de competência e respeito pelo público.

Infelizmente isso parece não estar a acontecer no São Carlos.

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