Pretextos
Inaugura-se hoje, com a presença de Shimon Peres, o “Salon du livre de Paris” que terá a literatura israelita como convidada de honra. Foi quanto bastou para haver o boicote de vários países árabes e muçulmanos, alegando o tratamento dado pelos israelitas aos palestinianos (bem, não sei se eles estavam a pensar neste tipo de tratamento que os israelistas deram a uma mãe palestiniana - devem ser uns genocidas muito maquiavélicos para ajudarem uma mãe em dificuldades a ter gémeos).
No entanto, para mim, o que está em causa é, antes de mais, a própria existência de Israel. Os países árabes já demonstraram à saciedade que se estão a marimbar para a sorte dos Palestinianos, como se comprava pelo facto de durante 20 anos, o Egipto e a Jordânia terem ocupado a Faixa de Gaza e a Cisjordânia e não as terem desenvolvido, bem pelo contrário. O problema dos países árabes e muçulmanos é, pura e simplesmente, a existência de Israel. Tudo o resto é conversa.
Não se pode negar as difíceis condições em que vivem actualmente os palestinianos. Mas será que, alguém no seu perfeito juizo, acredita que Israel quer praticar um genocídio na Palestina? Fracos genocidas, todos os anos a população palestiniana aumenta.
Mas será, também, solução entregar terra por paz? Já se viu que não funcionou, pois movimentos como o Hamas só desejam a destruição de Israel. Não é possível negociar com essa gente. Queriam que Israel estivesse quieto deixando os foguetes caírem em Sderot ou os bombistas suicidas entrarem em Israel?
A solução um país, dois povos é completamente utópica, própria de quem acredita em contos de fadas e na teoria do bom selvagem.
Este conflito no Médio Oriente só poderá ser resolvido no dia em que os árabes (e os mulçumanos em geral) aceitarem a existência de Israel. Sem esse primeiro passo, não estou a ver como alguma vez o conflito ser resolverá. A causa palestiniana tem sido, ao longo dos anos, apenas um pretexto para hostilizar Israel, nem que seja num salão de livros.