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Quinta-feira, 5 de Maio de 2005
E como será o prazo de pagamento
Leio na TSF Online que a Procuradoria-Geral da República está com falta de dinheiro que até põe em causa a conclusão de alguns processos. E dá-se um exemplo:

Um dos mais complicados dos últimos anos está em risco de não ser terminado por falta de dinheiro. Trata-se de uma burla ao IVA, onde o Estado português perdeu milhares de euros.

Neste caso há arguidos portugueses e estrangeiros, sendo preciso traduzir os três volumes da acusação para norueguês, o que está a prejudicar a fase de instrução.

E pornto, pensam os meus leitores, lá voltamos à tradução. É isso, mas neste caso numa outra vertente. O do mundo real em que os tradutores trabalham.

Já tenho muitos anos de tradução no mercado português e, francamente, se algum tribunal/ministério público português me pedisse para fazer uma tradução deste tipo, duvido que aceitasse. Mas antes de dizer porquê, façamos uma pequena digressão., pois não sei se toda a gente compreende todas as implicações que traduções deste género trazem consigo.

Um processo de burla ao IVA com três volumes é um verdadeiro projecto de tradução. Para além de não saber quantas páginas e/ou palavras representarão esses volumes, tudo apontam para ser uma quantidade considerável. Para além do seu tamanho, que não é pormenor dispiciendo, há ainda a questão da complexidade. Já perdi a conta às traduções jurídicas que fiz entre o francês e o português (pedidas por uma das partes ou por tribunal francês através de uma agência de tradução). Desde a requerimentos a recursos, passando por sentenças diversas (de 1.ª instância ou de relação) já fiz um pouco de tudo. E, apesar da frança influenciar quase tudo em Portugal, a nível do Direito há muitas diferenças e, frequentemente, não correspondência directa. Torna-se necessário explicar, compreender cada um dos sistemas para depois poder transmitir o que está lá dito. Ainda para mais tem que se usar de um rigor terminológico enorme, para não estarmos a dizer barbaridades.

Voltemos aos tais três volumes para norueguês. Primeira dificuldade: a língua de chegada. Quantos tradutores de português-norueguês competentes haverá (tanto em Portugal, como na Noruega, como em qualquer outro lado; as novas tecnologias eliminam o problema da distância)? Depois, se o processo é urgente, que prazo terá o tradutor? Se o prazo é curto, dar o trabalho a mais do que um tradutor? Mas, devido à complexidade, como controlar a homogeneidade do trabalho, consistência terminológica? Certamente haverá um coordenador. Ou seja, na verdade, não pode ser nada barata esta tradução. E não falei ainda do caso da tarifa a aplicar, pois, suponho que sendo uma língua não muito solicitada, há tendência para ter um custo mais caro.

Por tudo isto chego a ponto de partida: quem poderá aceitar este trabalho. É que perante este rol de premissas, é preciso garantia de que o pagamento será efectuado e em devido tempo. É que o tradutor, habitualmente, não tem outros meios de rendimento. Será que a Procuradoria aceita pagar adiantado, parcialmente. Ou, depois do trabalho efectuado, o pagamento ir-se-á arrastar durante meses? É que eu conheço casos de tribunais que não pagaram ainda pequenos trabalhos de tradução. Como será o caso da Procuradoria?

É que isto de tradução não é só uma questão de dinheiro, mas também o é.
publicado por Rui Oliveira às 17:11
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Traduções uma vez mais
Columbo - Gosto de ver na RTP Memória os episódios desta série que passava na TV portuguesa nos anos 70. Já na altura era uma das minhas séries preferidas. Ontem, quando via o desenlace do episódio Columbo pede desculpa ao principal suspeito pela "apreeensão do seu filho" (segundo a legenda). Em inglês, um dos sentidos de "apprehension" é do acto de capturar, prender, deter alguém. "Apreensão" em português, e neste contexto legal, tem um sentido completamente diferente e não se aplica a pessoas. Mas, estes erros ocorrem muito frequentemente e para tal contribuem muitas razões (embora a maioria não possam servir como desculpa).

Por um lado, nunca sabemos quanto tempo foi dado ao tradutor (que neste caso faz as legendas) quanto tempo foi dado e como foi dado o trabalho. Por vezes, a pressão não é boa conselheira e não se consegue fazer uma revisão como deve ser. Mas, por outro lado, também pode ser indício de falhas de formação ou experiência. Não acredito que os tradutores actuais não estejam alertados para os casos dos chamados "falsos amigos". Até naquela malfadada disciplina de Técnicas de Tradução (malfadada porque normalmente dada por professores de língua que de tradução ou de prática de tradução conhecem pouco), se dá atenção e eles. Mas o modo, maioritariamente, descontextualizado, sem relação com os problemas e/ou dificuldades de tradução (problemas e dificuldades são, para mim, conceitos diferentes que mais tarde poderei explicar o que entendo por eles) que os tradutores encontram no mundo real não ajuda muito. Mas a formação nas faculdades nem sempre é melhor.

Assim, o que penso que este tipo de erros pode indiciar é mais uma falha na formação do tradutor, em fazer compreender aos candidatos a tradutores que eles são muito mais do que meros transpositores linguísticos. Que para traduzir é preciso, para além de cultura geral, compreender que tipo de discurso/texto temos pela frente. Que a obtenção de informação é fundamental. Que a pressão no mundo real da tradução é enorme e por vezes não há muito tempo para reflectir.

Não aponto este tipos de erros só para dizer que os outros cometem erros. Isso seria muito pouco produtivo. Toda a gente que traduz já cometeu erros. O meu objectivo é outro. Quando um tradutor pega num trabalho, deve estar consciente das dificuldades e problemas que essa tradução vai colocar. Sem esta consciencialização não é possível fazer um bom trabalho e até em pequenas traduções aparatemente fáceis se cometerão erros.
publicado por Rui Oliveira às 16:37
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Terça-feira, 3 de Maio de 2005
Variações...
Ao ler esta notícia pareceu-me notar algo estranho. É claro que o estranho estava no título:

Canal Plus acusado de espionar trabalhadores

O estranho, como é bom de ver, é o verbo "espionar", em vez do muito mais usual "espiar". Não é que o verbo não exista em português, existe sim. Aliás, em francês, também temos "épier" e "espionner" com sentidos que se interpenetram, mas não totalmente coincidentes.

De qualquer modo, penso que quem traduziu a notícia (a redigiu a partir de material francês), traduziu e pronto, não pensou mais no assunto. O problema, se é que o é, é o estranhamento que provocará em muita gente, que achará o verbo, pelo menos, um pouco esquisito.

E porque se dá esta sensação de estranhamento? Apenas porque o verbo "espionar" ocorre, no português moderno (e provavelmente também no antigo) muito menos vezes do que o verbo "espiar". Sentimos isso intuitivamente, mas, também de um certo modo, podemos tentar confirmar tal intuição com factos. Para isso, podemos utilizar, por exemplo, o corpus CETEMPúblico que dispõe de cerca de 190 milhões de palavras de edições do Público (entre 1991 e 1998).

Numa rápida consulta, "espiar" teve 161 ocorrências, enquanto "espionar" teve apenas 5 ocorrências. Para confirmar estes resultados procurei outras formas verbais dos dois verbos e os resultados foram os seguintes (em ocorrências):

espiou - 17
espionou - 1

espiado - 35
espionado - 1

espiava - 20
espionava - 0

Aliás a própria notícia que eu refiro, não volta a utilizar o verbo em questão, utilizando formas verbais do verbo "espiar". "Espionar" só mesmo no título.

Ora lendo as várias notícias que saíram sobre o assunto nos media franceses (e que devem ter sido utilizados para fazer anotícia portuguesa) vejo que o verbo "espionner" (nas suas diversas formas) foi o mais utilizado, seguido do verbo "surveiller".

Apesar de alguns puristas acharem que "espionar" é um galicismo; o facto é que existe em português, está dicionarizado e foi (e será) utilizado por escritores. Penso que é perfeitamente legítima a sua utilização. Mas, neste caso em particular, tratou-se apenas de uma tradução para o "equivalente" mais próximo, não uma escolha deliberada e motivada para um qualquer fim.

Logicamente que há muitos conceitos de tradução, nem toda a gente entende o mesmo quando se fala de tradução. Não faz sentido recuarmos aqui à célebre dicotomia de tradução "palavra a palavra" ou tradução do "sentido", já discutida, embora em moldes e contextos completamente diferentes por Cícero e São Jerónimo, mas, apesar disso, quando se faz tradução tem que se fazer escolhas. Para mim, no caso da comunicação social, essas escolhas devem ser influenciadas por a finalidade que se traduz. Pode argumentar-se que a notícia não é uma tradução, mas redigida a partir de textos em língua estrangeira. Mas traduzir também é redigir. Quem pensar que traduzir é uma mera transcrição de um texto enunciado/escrito num determinado código linguístico (língua de partida) para um outro código linguístico (língua de chegada) não percebe nada de tradução.

Por isso me apeteceu falar disto agora. Nenhuma notícia é pequena de mais ou demasiado insignificante para que não se tenha o máximo de atenção ao que se faz. Neste caso, o sentido não é alterado. Mas, outras escolhas deste tipo, devido a proximidades de formas, por exemplo, por vezes alteram significativamente o sentido. Por pequenas coisas como estas é que eu estou, normalmente, de pé atrás em relação a muita coisa que se lê/vê nas páginas/ecrãs das secções "internacional/mundo, etc..." dos media portugueses.

Há muita gente que, embora possa ter qualidade, tem muito pouca experiência e está a fazer notícias nos vários órgãos de comunicação. Por outro lado, muitos jornalistas sobrestimam as suas capacidades linguísticas e já vi alguns espalharem-se ao comprido em determinadas situações.

É certo que já não me devia incomodar com isto, tantos são os exemplos, mas, enfim, hoje apeteceu-me falar.
publicado por Rui Oliveira às 14:24
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Domingo, 1 de Maio de 2005
Aviso aos interessados
Para quem não saiba a Queima das Fitas do Porto já começou. Não que isso tenha muita importância para mim - nem quando frequentava a faculdade perdi muito tempo com isso -, mas é sou para lembrar os distraídos que nem sequer pensem em circular na Baixa do Porto na próxima terça-feira. Aquilo faz perder a paciência ao mais santo dos homens. Desde os engarrafamentos até às figurinhas tristes feitas pelos futuros líderes da nação, tudo o espectáculo é mau de mais para ser verdade.

Hoje de manhã, à volta do estádio do Bessa, tive a oportunidade de comprovar o comportamento por vezes pouco civilizado deste pessoal quando anda junto em grande número. Aliás quem se lembrou de fazer a Missa da Benção das Pastas num estádio que fica dentro de uma zona já densamente habitada (e com poucos espaços de estacionamento para tanta gente) merecia um prémio.

Mas tudo isto deve ser do meu mau humor em relação às tradições académicas. É que sempre as achei uma coisa muito triste e estúpidas, além de perfeitamente dispensáveis.
publicado por Rui Oliveira às 23:18
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