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Super Flumina

Liberae sunt enim nostrae cogitationes - Cícero (Mil. 29 - 79) . Um blog de Rui Oliveira superflumina@sapo.pt

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O mito da Islamofobia

Através do sítio Observatoire du Communautarisme, cheguei a este artigo de Kenan Malik (esta ligação leva ao próprio sítio de Malik em que o ensaio tem uma versão mais longa do que aquela publicada na revista Prospect).

Cito o resumo do artigo da Prospect:

If there is a backlash against British Muslims, where is the evidence for it? Scaremongering about Islamophobia promotes a Muslim victim culture and allows some community leaders to inflame a sense of injury while suppressing internal debate. The new religious hatred law will make matters worse

Já aqui referi por várias vezes que os líderes comunitaristas no Ocidente utilizam conceitos como racismo, discriminação, etc., para manterem o poder sobre as comunidades que supostamente representam, ao mesmo tempo que suprimem o debate interno.

De qualquer forma o artigo é bem interessante e merece ser lido.

Novo governo

Já temos governo e 6 em 16 dos novos ministros são reciclados do guterrismo. Não que isso só por si queira dizer alguma coisa, mas, por exemplo, Alberto Costa no MAI foi um erro de casting de Guterres. Será que na Justiça será melhor?

Por outro lado, Freitas do Amaral nos Negócios Estrangeiros não é muito espantoso. Alguém cobrou algo a alguém e o resultado aqui está. Não há muito mais a comentar.

Na Cultura, está uma pessoa que foi minha professora na Faculdade de Letras, Isabel Pires de Lima. Não me posso queixar da nota que me deu, embora abaixo da minha média de fim de curso (também não me esforcei demasiado, o séc. XIX não é o meu preferido). De Literatura ela percebe, como ministra não sei... veremos como se sai.

De resto, o governo não me aquece nem arrefece, esperemos.

Post scriptum. O facto de Vitorino não fazer parte do governo, nem sequer é surpresa. Penso que já toda a gente esperava isso.

Um olhar exterior

Num interessante artigo sobre a questão de Bolonha, num dos comentários, o Carlos mencionou e deu o endereço para a comunicação de um professor visitante norte-americano do IST, que depois de alguns anos de ensino em Portugal, fez esta comunicação em que se propôs apresentar:

(...) certain controversial ideas and suggestions whose purpose is to help strengthen the ability of Portuguese universities to carry out firs-rate research in the engineering and technology international arena, and to increase the visibility of Portuguese researchers and their institutions among their international peers.

Não estou de acordo com muito do que ele diz, mas certo é que ele toca em alguns pontos fundamentais que tornam as universidades portugueses extremamente estáticas, para além de prolongar, no tempo, os seus principais defeitos (por exemplo, a composição do corpo docente).

Também de notar que este professor não caustica demasiado os alunos, vendo-os antes como vítimas do próprio sistema de ensino, pois, ainda segundo o autor, à entrada da universidade não são inferiores ao do MIT.

Quanto à investigação, e apesar de star numa faculdade de letras, lembro-me de quando estava a discutir como o meu orientador de mestrado alguma da bibliografia, ele ter comentado, a propósito de uma autora, de que ela é que tinha sorte por ter tempo para investigar, ao contrário dele, além das aulas, tinha diversas tarefas burocráticas e administrativas.

Mas se ele se preocupar ainda em arranjar tempo para investigar, havia outros que não apresentavam nada de novo há anos ou então, dedicavam-se há anos a fazer variações à tese de doutoramento, não saindo praticamente do sítio.

Concordando-se ou não com o que é dito por Michael Athans, vale bem a pena a leitura até por alguns dos problemas que levanta. É claro que algumas das sugestões que dá se fossem aplicadas tinhamos uma revolta no Ensino Superior.

Pergunta indiscreta

O Sócrates anda a formar governo no silêncio dos gabinetes ou será que não tem ninguém que aceite os convites (para além daqueles que estão dispostos a aceitar, mas que ninguém os quer)?

É que não adianta andar a dizer que com a Constituição é tudo muito demorado, para depois passada semana e meia das eleições ainda não haver governo. Lembram-se da pressa com que os jornalistas queriam que Santana Lopes formasse governo?

Cá para mim o Sócrates parece-me que desapareceu em (pós-)combate.

Dieudonné e a liberdade de expressão

A Ana interroga-se neste artigo: "Deve dar-se a palavra a Dieudonné?".

Para aqueles que não conhecem bem a questão de que a Ana fala, posso-lhes dizer que ela ganhou visibilidade com um sketch de muito gosto protagonizado por Dieudonné num programa de Marc-Olivier Fogiel chamado One ne peut pas plaire a tout le monde, na France 3, a 1 de Dezembro de 2003 (salvo erro), onde disse, por exemplo, entre outras coisas, o seguinte: J'encourage les jeunes gens qui nous regardent aujourd'hui dans les cités, pour leur dire: convertissez-vous comme moi, essayez de vous ressaisir, rejoignez l'axe du bien, l'axe américano-sioniste. Isto vestido de rabino e onde fez também uma saudação hitleriana de braço e gritando: Israel.

Depois desse programa, Dieudonné entrou em plena derrapagem racional que o levou a proferir algumas declarações perfeitamente idiotas em Argel em Fevereiro deste ano. Um resumo desta caso pode ser encontrado aqui.

Pergunta a Ana se se deve defender a liberdade de expressão. Eu acho que sim, mas não a tudo o custo, pois não há, em democracia, direitos absolutos. Aliás seria um paradoxo num sistema que nasceu para limitar o poder absoluto, permitir a existência de direitos absolutos. Não advogo de modo algum a censura, mas havendo infracções cometidas no uso deste direito é lógico que essas infracção devem ficar sob a alçada da lei.

Mas, mais eficaz, neste caso, será a denúncia permanente do anti-semitismo deste senhor. A amálgama que ele faz entre as lutas do negros e as declaraçõe anti-semitas que profere são do mais ignóbil. Se ele fosse censurado não se haveria ele de converter num mártir?

Talvez seja preferível, neste caso, assentar baterias sobre o carácter inaceitável das suas declarações (embora eu saiba que em França as opiniões anti-semitas estão a crescer de popularidade e por isso o combate pode ser difícil) do que sobre a discussão da liberdade de expressão. E, no caso de ele ter infringido alguma lei francesa sobre o abuso de liberdade de expressão, processá-lo nos termos da lei.

Mas os tempos estão duros para os judeus franceses...

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