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Domingo, 6 de Fevereiro de 2005
Religão da tolerância e da paz
Os muçulmanos costuma referir que o Islão é a religião da paz. Mas como querem que os que não são muçulmanos acreditem quando, num país de maioria cristã, ameaçam de morte os muçulmanos que se tenham convertido aos Cristianismo (ou que, noutros casos, pura e simplesmente perderam qualquer fé)?

Certamente que seria inconcebível que num país árabe, um cristão que se convertesse ao Islão fosse ameaçado de morte pelos elementos da minoria cristã. Mas na Grã-Bretanha, há casos de muçulmanos convertidos ao Cristianismo que são ameaçados de morte pelos muçulmanos e a polícia, certamente manietada por estúpidos pruridos politicamente correctos, não assegura a protecção destes convertidos.

The first brick was thrown through the sitting room window at one in the morning, waking Nissar Hussein, his wife and five children with a terrifying start. The second brick went through his car window. <>It was a shock, but hardly a surprise. The week before, another brick had been thrown through the window as the family were preparing for bed in their Bradford home. The victim of a three-year campaign of religious hatred, Mr Hussein’s car has also been rammed and torched, and the steps to his home have been strewn with rubbish.

He and his family have been regularly jostled, abused, attacked, shouted at to move out of the area, and given death threats in the street. His wife has been held hostage inside their home for two hours by a mob. His car, walls and windows have been daubed in graffiti: “Christian bastard”. The problem isn’t so much what Mr Hussein, whose parents came from Pakistan, believes, but what he doesn’t believe. Born into Islam, he converted eight years ago to Christianity, and his wife, also from Pakistan, followed suit.

While those who convert to Islam, such as Cat Stevens, Jemima Khan, and the sons of the Frank Dobson, the former Health Secretary, and Lord Birt, the former BBC Director-General, can publicly celebrate their new religion, those whose faith goes in the other direction face persecution. Mr Hussein, a 39-year-old hospital nurse in Bradford, is one of a growing number of former Muslims in Britain who face not just being shunned by family and community, but attacked, kidnapped, and in some cases killed. There is even a secret underground network to support and protect those who leave Islam. One estimate suggests that as many as 15 per cent of Muslims in Western societies have lost their faith, which would mean that in Britain there are about 200,000 apostates.

Isto parece-me absolutamente inadmissível. Não sou daqueles que penso que o Islão é incompatível com a democracia, mas é lógico que as interpretações radicais ou literais têm que deixar de ser maioritárias...
publicado por Rui Oliveira às 22:55
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Sábado, 5 de Fevereiro de 2005
Fora de época, não?
Cerca de mil e quinhentas pessoas, entre as quais estavam artistas, escritores, etc..., manifestaram-se em Copenhaga contra a presença de tropas dinamarquesas no Iraque, bem como, exigindo o fim da ocupação estrangeira.

A primeira nota dirijo-a para o facto da notícia referir que entre os manifestantes estava gente ligada à cultura, enfim os chamados intelectuais, como se isso fosse uma caução de garantia de qualidade (isto é, neste caso, de que os manifestantes tinham razão). Ora, o facto de se ser intelectual, não quer dizer que se seja muito esclarecido em política. É bom lembrar que a tirania soviética foi entusiasticamente apoiada por intelectuais, bem como, em Itália, o fascismo teve o apoio de muitos intelectuais italianos.

Mas quanta a essa mania dos intelectuais serem uma espécie de guias, de faróis da humanidade, venho aqui recordar uma entrevista (p. 19-20) já antiga (1993) de Chomsky - de quem não sou particular admirador, quer do seu trabalho linguístico (não é a minha linguística) quer das suas posições políticas - mas, todavia, interessante nesta questão da relação dos intelectuais com a política e a sociedade.

Les intellectuels ont un problème: ils doivent justifier leur existence. Or, si vous dites les choses en langage simple ... . En fait, on ne comprend pas grand-chose; il y a peu de choses concernant le monde qui sont comprises. La plupart des choses qui sont comprises, à part peut-être certains secteurs de la physique, peuvent être exprimées à l'aide de mots très simples et en des phrases très courtes. Mais si vous faites cela, vous ne devenez pas célèbre, vous n'obtenez pas d'emploi, les gens ne révèrent pas vos écrits etc.. Il y a là un défi pour les intellectuels. Il s'agira de prendre ce qui est plutôt simple et de le faire passer pour très compliqué et très profond. Les groupes d'intellectuels interagissent comme cela. Ils se parlent entre eux, et le reste du monde est supposé les admirer, les traiter avec respect et ainsi de suite. Mais traduisez en langage simple ce qu'ils disent et vous trouverez bien souvent ou bien rien du tout, ou bien des truismes, ou bien des absurdités.

(...)

Mais cela est dû, en partie, au manque de critique de l'intérieur et à l'immunité à la critique de l'extérieur. Cela est tout particulièrement frappant à Paris. Paris est un cas très spécial. Un des problèmes qu'il y a là-bas est que les intellectuels sont pris beaucoup trop au sérieux. De telle sorte que si Jacques Lacan reniflait, il y avait un article en première page du Monde.
(...)

Tout le monde déplore qu'aux États-unis on ne prenne pas les intellectuels au sérieux. Je crois que c'est une des meilleures choses qu'il y ait aux États-unis. Pour prendre un exemple concret: dans les années 60, les gens signaient des pétitions contre la guerre au Vietnam et il y avait des pétitions que, disons Sartre et moi-même avions signées. En France, cela faisait la première page; ici, on n'y portait aucune attention. Et avec raison. Qui ça intéresse? Que des intellectuels signent une pétition, personne ne s'en soucie.

Chomsky não diz muitas coisas certas (mesmo em linguística), mas, nesta entrevista, põe os intelectuais no seu devido lugar. É que a opinião de um intelectual não é melhor nem pior do que a minha só pelo facto dele ser um intelectual...

Em segundo lugar, então 370 personalidades do país convocam a manifestação e apenas aparecem 1500 pessoas? Estas personalidades não parecem ter muita credibilidade (política) entre a população.

E estas personalidades queriam entregar o país a guerra civil, quando o povo iraquiano disse, no domingo passado e de forma eloquente, que não queriam mais terrorismo?

Enfim, como eu sempre disse, os intelectuais não costumam primar pelo bom senso. Vêem o mundo através das teorias que constroem, não pela análise da realidade.

publicado por Rui Oliveira às 16:42
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Sexta-feira, 4 de Fevereiro de 2005
Símbolos
A UE tem a mania de regular tudo e mais alguma coisa (embora isso seja um dos seus maiores problemas). Agora quer proibir os símbolos nazis. Não é, obviamente, por proibir por decreto os símbolos nazis que eles vão desaparecer.

Sou contra qualquer tipo de proibição deste tipo pois não é assim que se combate uma ideologia. Afinal o que é proíbido atrai sempre mais. Por outro lado, leva então a outras ideias, também perfeitamente legítima neste quadro, que é a de proibir outros símbolos que, para certos povos da Europa são tão odiosas quanto o nazismo como, por exemplo, o comunismo.

Por isso mesmo, deputados polacos do Parlamento Europeu propuseram a ilegalização tanto a suástica como a foice e o martelo, enquanto símbolos de dois regimes totalitários geradores de grande sofrimento.

Eu percebo os polacos. Estiveram 5 anos sob o brutal domínio nazi, mas esse domínio foi facilitado pela traição dos soviéticos, que pelo pacto germano-soviético de não agressão, permitiu a divisão da Polónia em duas zonas de influência, tendo os soviéticos invadido a Polónia a 17 de Outubro de 1939, quando os polacos se batiam ainda contra os alemães. É preciso notar que, pouco depois, vários milhares de soldados polacos foram assassinados pelos soviéticos (que depois tentaram acusar os nazis deste caso).

Os polacos também não se esquecem dos quase 50 anos de ditadura comunista. Não é, por esse facto, espantoso que os eurodeputados tenham tomado esta iniciativa pois, para eles, é tão odioso o fascimo como o comunismo.

Franco Frattini teve que vir enquadrar então a proibição da suástica nazi "
ao abrigo de uma futura decisão-quadro anti-racista". Mas Frattini reconhece que "compreende muito bem que o símbolo da ex-URSS provoque tanto receio quanto o símbolo nazi, sobretudo nos países do antigo império soviético", estando a diferença, segundo Frattini, no facto da cruz suástica dos nazis ser "o símbolo de uma ideologia racista e anti-semita, abominada pelo sistema de valores da União Europeia, o que não acontece com a foice e o martelo".

De facto, o nazismo era racista, o comunismo não, mas ambos praticaram o genocídio (perguntem aos ucranianos sobreviventes da fome dos anos 30 a que Estaline os condenou, aos cambojanos que sobreviveram a Pol Pot ou aos "boat-people" vietnamitas).

De qualquer modo, as proibições de símbolos são inúteis pois essas ideologias não desaparecem por decreto.
publicado por Rui Oliveira às 09:16
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Extremismos, esquerda, direita...
Não tive oportunidade para seguir parte significativa do debate Santana-Sócrates, pelo que não sei quem ganhou ou perdeu o debate e o pouco que vi não dá para tirar conclusões.

Por outro lado, apenas apanhei a parte final do debate de comentadores da SIC-N, com Delgado, Resendes et al. A certa altura um dos participantes, depois de se meter com o Delgado, insurge-se com aquilo que diz não perceber a razão pela qual é legítimo fazer alianças à direita (com o PP), mas não com a esquerda (PCP ou BE) e se só se falava do extremismo da esquerda e não do da direita.

Como os meus leitores sabem, não sou do CDS-PP, sou militante do PSD, com quotas em dia e tudo (mas nenhuma participação em qualquer órgão, isto é, verdadeiro militante de base), mas não posso deixar de dizer que o CDS-PP não é o equivalente à direita do PCP ou do BE.

Queira ou não esse senhor, a tradição do CDS-PP sempre se inscreveu no chamado arco democrático, isto é, nada no CDS-PP o faz participar da tradição da direita autoritária e/ou totalitária (Action Française, fascismo, nazismo). Desde a sua origem o CDS-PP é um partido democrático. Ora o mesmo não se passa com o PCP ou o BE, herdeiros de uma ideologia genocida nas suas diversas variantes.

Muitos dos dirigentes do PCP ou do Bloco se tivessem chegado ao poder há uns 30 anos atrás teriam eliminado os seus oponentes políticos e instaurado uma ditadura. Mesmo agora que jogam o jogo democrático não tenho a certeza de que, tivessem eles essas possibilidades, chegados ao governo, não tentariam estatizar ainda mais a sociedade portuguesa.

Por isso, para os mercados e para as empresas, que é quem cria emprego, não é indiferente com quem o PS, se formar um governo minoritário, se coligará, nem que seja, apenas, parlamentarmente.

Por esse motivo, mesmo não sendo eu um particular fã de Santana Lopes, não tenho qualquer problemas de consciência em votar no PSD, pois um governo socialista, minoritário ou maioritário, será sempre pior (muitíssimo pior) do que um governo liderado por Santana.

Pode ser impressão minha, mas é o que penso.
publicado por Rui Oliveira às 01:18
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Quinta-feira, 3 de Fevereiro de 2005
Por amor de Deus...
O Clube de Jornalistas põe o Luís Osório a comentar o debate. Isto é, panegírico atrás de panegírico... disparate total.

Parece os jornalistas do Record a ver um jogo do Porto: nunca (ou muito raramente) vêem o mesmo jogo do que eu.

Com este senhor a isenção desapareceu em combate. Mas, ao menos, se não dissesse disparates...
publicado por Rui Oliveira às 21:35
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Escândalo
O escândalo do programa das Nações Unides "Petróleo por alimentos" começa a tomar forma mais definitiva e a mostrar os vergonhosos contornos de como a ONUo geriu (mal e em concluio com o ditador iraquiano).

Paul Vockler, chefe do painel de investigadores disse, numa coluna do Wall Street Journal, que as provas contra Sevan (que dirigia o programa na ONU) são concludentes.

Mais desenvolvimentos aqui.

E ainda há para aí uns iluminados que nos queriam impingir uma espécie de governo mundial da ONU.
publicado por Rui Oliveira às 14:55
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Campanha rasca?
Vejo muitas virgens púdicas preocupadas actualmente com aquilo que dizem ser uma pré-campanha de baixo nível. Sócrates diz mesmo que nunca nada disto tinha acontecido.

É claro que a memória é muito selectiva, mas se recuarmos a 1979 e 1980, veremos como o ataque pessoal foi utilizado para tentar impedir que Sá Carneiro e a AD chegasse à maioria absoluta. Foi tratado de "caloteiro", fizeram-se referências à sua situação matrimonial - ele, naqueles tempos, como casado pela Igreja não podia divorciar-se, mas estava separado da mulher e vivia com a Snu. Foram ataques pessoais, à sua vida privada (feitas pela esquerda, tentando aproveitar hipocritamente aquilo que pensava ser a moral vigente).

E mais, não foram insinuações, foram afirmações que circularam por todo o país, escritas pelas paredes (não havia Internet) e, salvo erro, no Diário, jornal diário que existia na altura e era próximo do PCP.

Aliás, não me consta que o deputado Jerónimo que está tão repugnado com o nível da campanha actual, se tivesse queixado em 1979/80 do nível das campanhas desses anos.

De qualquer modo, penso que a campanha não está a esclarecer em nada os eleitores, se calhar está mas é a afastá-los, pois está-se a fazer ruído à volta de um assunto menor (e que nem merecia sequer ser mencionado), esquecendo-se as propostas que verdadeiramente serão postas em execução para vencermos a crise.

Mas até agora tem andado tudo muito mauzinho.


publicado por Rui Oliveira às 01:06
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Quarta-feira, 2 de Fevereiro de 2005
JN de novo
Não me querendo transformar numa espécia de JN watch, volto ao assunto do meu artigo anterior só para dar duas notas:

1. Como eu supunha, na página 23 onde trata de uma notícia relacionada com a Palestina, a versão do exército israelita não apareceu hoje no jornal. Sendo assim, as pessoas que apenas conheceram o caso pela edição de ontem do jornal ficaram com a ideia de "israelitas = assassinos". Enfim...

2. Esta não tem que ver apenas com o JN, mas com os media em geral, porque aconteceu com vários em todo o mundo. Estou a falar do suposto soldado americano que terá sido feito prisioneiro por "resistentes" iraquianos e que também aparece no JN de hoje, ao fundo da página 24 (sem hiperligação). Ora, ontem, ao fim da tarde já blogs como o Little Green Footballs já tinham desmontado a brincadeira. Afinal não passava de uma fotografia de um brinquedo tipo "Action Man", fabricado pela Dragon Models USA Inc. O JN dá a notícia hoje, mas eu ontem ao início da noite já tinha conhecimento da marosca. Será que não há tempo nos jornais para confirmar certas notícias?

Mais uma vez, as competências e conhecimentos interdisciplinares (que palavrão, não é?) dos bloggers levam a melhor sobre os jornalistas. Mas, se calhar, neste aspecto, posso estar a ser injusto com os jornalistas, pois eles nunca conseguirão ter os conhecimentos específicos e gerais de uma comunidades de muitos milhões de pessoas espalahadas pelo mundo.

publicado por Rui Oliveira às 14:08
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Howard Dean
Este candidato derrotado nas primárias do Partido Democrata está prestes a tornar-se chefe do seu partido.

Haverá uma radicalização para a esquerda (demonstrando o contínuo mau perder) da oposição americana?
publicado por Rui Oliveira às 09:18
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Terça-feira, 1 de Fevereiro de 2005
Assassinos da verdade (act.)
Hoje, o Jornal de Notícias tem a seguinte notícia na secção Mundo (destaques meus):

Israelitas assassinam menina de dez anos
Faixa de Gaza - Soldados disparam sobre fila de crianças a entrar para a escola da ONU

Uma menina palestiniana de dez anos morreu assassinada com um tiro na cabeça quando se encontrava numa escola das Nações Unidas no acampamento de refugiados de Rafá, sul da Faixa de Gaza. Segundo agências noticiosas, o disparo fatal foi feito por soldados israelitas a partir de um carro de combate. Os palestinianos afirmaram ainda que no tiroteio unilateral outra menina, de sete anos, ficou ferida numa mão. Fontes palestinianas disseram que a menina assassinada aguardava numa fila, juntamente com outras crianças, para entrar no colégio quando foi atingida na cabeça por um disparo efectuado a partir do posto de controlo militar de Termit, a cerca de 900 metros. "De repente, deu um grito e caiu, sangrando. As meninas começaram a correr em todas as direcções", afirmou uma testemunha. Paul McCann, porta-voz da ONU e administrador do colégio, adiantou "Esta é a quinta vez que as crianças do nosso colégio foram atingidas por disparos".

Comecemos por "assassinam". O verbo assassinar tem, por exemplo, no Houaiss, como primeira definição e aquela que é mais comum: "destruir a vida de (um ser humano) por acto voluntário (acção ou omissão). Ficamos assim a saber, segundo o JN, os soldados israelitas são uns sádicos que, premeditadamente, atiram sobre crianças que estão a entrar na escola. Obviamente que o uso de certos verbos não é inocente e, para mais, não me lembro ser normal a imprensa em geral utilizar o verbo "assassinar" para indicar as mortes de israelitas em atentados suicidas. Normalmente, para esta gente, os israelitas "morrem", os palestinianos são "assassinados".

Segundo ponto, a proveniência da informação. As fontes da informação são as "agências noticiosas" e "fontes palestinianas". Toda a gente sabe que as agências utilizam informadores palestinianos e que, para além destes, fontes habituais de informação das agências são os trabalhadores da ONU, muitas vezes, também eles palestinianos. Por isso, esta informação é unilateral. Ouvir o outro lado? Nah!!! Nem as agências internacionais, nem os jornais portugueses costumam ouvir a versão do lado israelita. A deontologia profissional, no conflito israelo-árabe, desapareceu em combate.

No entanto, não era preciso muita investigação para encontrar a versão israelita. No Haaretz, poderiam ter encontrado esta notícia: IDF says schoolgirl was probably killed by Palestinian gunfire. E já estava online desde ontem à noite. Vejam só este parágrafo desta notícia:

Palestinian and United Nations officials said earlier Monday that Deeb was killed by IDF gunfire as she was walking into a UN school in the southern Gaza Strip. But UN officials later said that they could not definitively identify the source of the gunfire, although all signs pointed to the Israelis.

Porque razão devemos nós acreditar, sem pensar, numa única versão? Porque demonstra a nossa imprensa uma parcialidade tão grande em relação a Israel?

Só sei uma coisa: a verdade é a primeira baixa neste conflito e com uma informação - que a nível ocidental é altamente parcial, preterindo sempre Israel - deste género, será difícil fazer a paz.

Post scriptum. A AFP (que penso ter sido originalmente a agência em que se baseou o JN), tem hoje a versão do Tsahal. Penso, no entanto, que, amanhã, nós não veremos esta versão no JN. Posso estar enganado, mas não me parece.
publicado por Rui Oliveira às 09:07
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