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Quinta-feira, 4 de Novembro de 2004
Arafat
Arafat está mas é como se não estivesse. Poderia ter sido o líder que tivesse estabelecido o povo palestiniano num estado próprio. No entanto, andou muito tempo mais preocupado com a tentativa de destruição de Israel. Quando teve que fazer a paz, não o conseguiu (não digo que os israelitas tenham feito tudo o que podiam também). Demasiado habituado à guerra, não soube (não pode?) dar o passo decisivo para a paz.

Será que depois da sua partida os palestinianos encontrarão um líder capaz de fazer a paz? Duvido, mas esperemos para ver. Com Arafat a paz nunca seria possível.
publicado por Rui Oliveira às 23:03
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The day after
Engraçado este artigo sobre o efeitos da eleição de Bush em Hollywood. Mas, isto são apenas faits-divers nada mais nem muito preocupante. Hollywood seguirá como dantes, seja Bush, fosse Kerry.

Para mim é muito mais preocupante da sanidade mental europeia, antes de mais, é o título do Daily Mirror (segundo reporta o Drudge Report):

How can 59,054,087 be so dumb

Independentemente da provocação que o título deixa passar, também por ele perpassa uma clara irritação plea escolha. A leitura da imprensa francesa online de hoje também não deixa dúvidas do desprezo que alguns sentem pela escolha dos norte-americanos. É preocupante este sintoma, porque demonstra muito pouca democracia. Ouve-se as rádios portuguesas e, também, os comentadores demonstram esta incompreensão pela democracia.

Será que eles não gostam da diversidade de opiniões?
publicado por Rui Oliveira às 10:10
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Quarta-feira, 3 de Novembro de 2004
Da Ruralidade
Das análise do mapa eleitoral americano, uma análise recorrente que se ouve é que a América rural e profunda (ignorante e inculta segundo esses senhores) votou esmagadoramente Bush, enquanto a América culta, educada, cosmopolita (a Costa Leste acima da Virgínia e a Região industrial dos grandes lagos) teria votado Kerry.

A imagem que estes analistas querem passar é a de que os americanos cultos votaram nos democratas e o americanos pouco mais do que grunho votaram Bush. Como todas as análises reducionistas, ela não poderia ser mais grosseira e errada.

Em primeiro lugar, parece-me que há aqui um complexo que todos sabemos ser bem de esquerda: o elitismo. Desde o século XVIII que a esquerda sofre deste complexo: eles pensam, embora não o digam abertamente, que apenas os iluminados deveria dirigir os países. Isto é, acham que os outros não capazes de verem o que é bom para o país porque não pensam como eles. Só quem pensa como eles é que é culto e pode ter uma palavra a dizer no governo dos países.

Já por várias vezes, este complexo se manifestou no passado, mesmo em Portugal. Veja-se o caso da Lei eleitoral da 1.ª República de 1913:

Com a República abandona-se o sufrágio censitário, mas mantém-se-lhe carácter restrito, exigindo-se 1.º, em alternativa, um requisito capacitário (saber ler e escrever) ou um qualidade social (ser chefe de fam.), com o dec. de 11.4.1911, e depois sempre e necessariamente o requisito capacitário (Lei n.º 3, de 3.7.1913). O Governo de Sidónio Pais, procurando encontrar uma base eleitoral desvinculada dos partidos tradicionais (o preâmbulo do dec. 3907 afirma que a percentagem de analfabetos na população portuguesa, seria na altura de 70%), tornou o sufrágio universal para os homens (decs. n.ºs 3907 e 3997, de 11 e 30.3.1918). Mas o sistema deixou de vigorar com o dec. n.º 5184, de 1.3.1919, que restabeleceu o regime da Lei .º 3.
(Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura, 1968)

Que se pode concluir deste passo? O governo republicano tentou, através da lei, evitar que as pessoas do campo e mais pobre votassem, por pensarem que elas se oporiam às suas políticas e seriam influenciadas pelo clero. Claro que Sidónio, como precisava de legitimar a sua posição, alargou o voto, mas passado o sidonismo, os republicanos votaram a restringir o direito de voto, fazendo com que votassem, principalmente, as pessoas da cidade e com instrução, que era onde eles pensava ter, e tinham mesmo, mais apoiantes. Mas chamar democracia a isto, enfim...

Por vezes os comentados que insistem em dividir a América rural da America urbana parece-me que gostava de proceder como os dirigentes da nossa 1.ª República: dar voto só nos locais onde lhes parecesse que venceriam.

Mas, mesmo que esta tese reducionista de que só os não muito inteligentes votariam em Bush (partilhada pelo que parece até por Vital Moreira) fosse verdade, será que a democracia estaria em perigo. Será que aqueles que são "grunhos" não podem decidir também o destino do seu país? Isto faz-me lembrar o que li num livro de José Rodrigo Ferreira, A Democracia na Grécia Antiga (Coimbra, Minerva, 1990) sobre as críticas que os coevos faziam à democracia ateniense de ser incompetente porque com o seu sistema de tiragem à sorte para muitos dos cargos políticos, pessoas incapazes poderiam ir para lugares de decisão. Diz Ribeiro Ferreira (p. 207):

Se passarmos agora a analisar a acusação de incompetência, um pouco de reflexão permite concluir (...) que a ignorância não era assim tão supina nem apresentava consequências da gravidade que apregoam.

A tiragem à sorte para os cargos que (...) era uma das marcas distintivas da democracia ateniense, dá (...) de algum modo razão à denúncia. Observe-se, contudo, que, além de a incompetência não ter sido assim tão grave e danosa, a democracia criou um conjunto de medidas e mecanismos que plhe permitissem manter o princípio da tiragem à sorte que considerava essencial, mas lhe minorassem os riscos daí derivados: a colegialidade que atenuava a gravidade de um possível erro e precavia contra a incompetência ou pior qualificação de alguns elementos; a obrigação de os futuros magistrados se sujeitaram, antes da posse, a juramentos e à verificação dos seus títulos e comportamento cívico; não aplicação de tiragem à sorte em campos - como é o caso dos cargos militares ou financeiros -, em que a colegialidade não era possível ou em que determinada qualificação era requerida.

Tal como a acusação de incompetência à antiga democracia directa grega é injusta (de modo geral), também a imputação de que a América rural que elege Bush é inculta e incapaz de discernir o que é o melhor para a América é também desajustada. A insistência nesta tecla da América profunda serve, para estes analistas, não para descrever um facto, mas para desqualificar a escolha de Bush. E isso é, no mínimo, de uma total desonestidade intelectual. Os valores "progressistas" per si não são melhores do que os valores "conservadores". E isto é uma coisa que a esquerda, tanto americana como europeia, ainda não compreendeu.

Post scriptum. No decorrer da escrita deste artigo, Kerry telefonou a Bush, reconhecendo a sua derrota. Bush é o vencedor, sem qualquer dúvida.
publicado por Rui Oliveira às 16:53
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Será que vão falar ainda de legitmidade?
Consulto o sítio da CNN sobre as eleições americanas e vejo que, em voto popular, Bush tem mais 3 522 952 votos do que Kerry.

Será que se Kerry ganhar no Ohio, o que é improvável, ouviremos os suspeitos do costume dizer que ele não terá legitimidade porque não ganhou no voto popular?

Nas eleições de 2000, e nos dias anteriores a estas, ouvimos os maiores disparates sobre o assunto, próprios de quem ignora o que é um sistema eleitoral federal (ignorando também que os sistemas, por exemplo, da França ou da Inglaterra também são proporcionais quanto aos lugarees do parlamento).

Todas estas acusações não tinham fundamento algum, pelo que no caso de Kerry ganhar o Ohio, ele teria toda a legitimidade do mundo para governar. Mas estou certo que não ouviríamos um um único pio dessas carpideiras...

Os democratas têm que ter paciência, daqui a 4 anos haverá outras eleições. Eu há vinte anos que não consigo eleger um presidente do meu gosto aqui em Portugal (não, nem o Sampaio). Espero em 2006, eleger um (seja ele quem for desde que não seja de esquerda, por isso tanto votarei no Cavaco, no Santana ou no Marcelo, é-me indiferente. É claro que o Freitas está fora de questão).
publicado por Rui Oliveira às 15:08
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Noite divertida
Ainda, a esta hora, não se tem confirmação oficial da vitória de Bush, mas ela é mais do que provável.

Até às 4h da manhã estive a ver a televisão e a acompanhar as eleições pela Internet, neste último caso, sobretudo pela CNN e a CBS. Nas TVs vi as portuguesas e também as internacionais, proporcionadas pela TV Cabo. Não deixei de ver a TV5 e aí os meus momentos de divertimento atingiram o máximo. A estupefacção, a incredulidade estavam estampados na cara da maioria dos que lá falavam. Aliás, o optimismo pró-Kerry de algumas televisões no início da noite foi-se desvanecendo para, às 4 da manhã, os comentadores já davam como mais do que provável a vitória do Bush.

Não dei por perdido o tempo passado em frente à TV. Mas, o melhor de tudo, foi poder ter acompanhado com, mais ou menos, os mesmos dados de que aqueles que dispunham as TVs portuguesas. E ao mesmo tempo ir procurando nos resultados na net das tendências nos estados que estavam a ser apurados. Por exemplo, no caso da Florida, a tendência desde o início indicava que Bush estava a fazer melhor do que em 2000. E isso, também deu para animar a noite, pois não estava apenas dependente da TV. As novas de tecnologias são realmente fascinantes.

Ao acabar este artigo, ouço que Bush assegurou os 20 eleitores do Ohio. Isto é, Bush venceu.

Post scriptum. O fórum da TSF continua a ter os mesmo grunhos do costume. Intervenções inteligentes não abundam por lá. Mas, hoje, dá-me gozo. Ah, e há gente que se diz já só anti-americanos e não só anti-Bush. Mas, como se já não soubessemos (é a mesma coisa com os anti-semitas que se disfarçam de anti-sionistas).
publicado por Rui Oliveira às 10:52
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Terça-feira, 2 de Novembro de 2004
Liberdade de expressão em perigo
O realizador holandês Theo Van Gogh foi assassinado. O suspeito é um homem com dupla nacionalidade marroquina e holandesa.

Coincidência ou não, o realizador tinha sido ameaçado de morte por islamitas devido ao seu filme "Submission" que enfureceu alguma da comunidade muçulmana na Holanda.

Se foi este o caso, Van Gogh pagou com a vida o crime de blasfémia. E isto é que é muito grave para a liberdade de expressão na Europa.

É preciso começar a ter em atenção casos como este. Se não, a Europa estará a transformar-se na Eurabia (e a Oriana Fallaci então estará cheia de razão).
publicado por Rui Oliveira às 18:28
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A ler...
Este editorial no Le Figaro. De facto, a vitória de Kerry não irá, como num passe de mágica, repor as relações Estados Unidos - Europa nos termos que muitos europeus querem. Esperar isso é nada conhecer dos EUA.
publicado por Rui Oliveira às 09:52
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É hoje o dia...
... mas apenas para os americanos, pois só eles é que votam nas eleições. Espero que Bush ganhe, mas se não o fizer... paciência. Afinal, não sou cidadão dos Estados Unidos.
publicado por Rui Oliveira às 00:55
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Segunda-feira, 1 de Novembro de 2004
Terramoto de 1755

Em 1 de Novembro de 1755, pouco depois das 9 horas da manhã, há precisamente 249 anos, Lisboa foi quase toda ela destruída por um dos mais violentos sismos de que há memória e registo. A sua violência impressionou toda a Europa, tendo várias personagens ilustres da cultura europeia escrito sobre ele, sendo também ponto de partida para várias reflexãos filosóficas. Goethe (1749-1832) escreveu, alguns anos depois, que "porventura em algum tempo o demónio do terror espalhou por toda a terra, com tamanha força e rapidez, o arrepio do medo".

Mas, talvez, o caso mais conhecido seja o de Voltaire (1694-1778) que foi fortemente influenciado pelo acontecimento e que o aproveitou como um dos seus argumentos para contrariar teorias como a Teodiceia de Leibniz (1646-1716). Volatire escreveu, nomeadamente um longo poema filosófico intitulado Poème sur le désastre de Lisbonne onde ele contesta o absolutismo do axioma "Tout est bien". O poema acaba assim:

Un jour tout sera bien, voilà notre espérance;
Tout est bien aujourd'hui, voilà l'illusion.
Les sages me trompaient, et Dieu seul a raison.
Humble dans mes soupirs, soumis dans ma souffrance,
Je ne m'élève point contre la Providence.
Sur un ton moins lugubre on me vit autrefois
Chanter des doux plaisirs les séduisantes lois:
D'autres temps, d'autres moeurs: instruit par la vieillesse,
Des humains égarés partageant la faiblesse
Dans une épaisse nuit cherchant à m'éclairer,
Je ne sais que souffrir, et non pas murmurer.
Un calife autrefois, à son heure dernière,
Au Dieu qu'il adorait dit pour toute prière:
"Je t'apporte, ô seul roi, seul être illimité,
Tout ce que tu n'as pas dans ton immensité,
Les défauts, les regrets, les maux et l'ignorance."
Mais il pouvait encore ajouter l'espérance.


Mas, também em Candide, ou l'optimisme (1759) o terramoto de Lisboa é referido, aliás de um modo bastante irónico (Capítulo VI).

Après le tremblement de terre qui avait détruit les trois quarts de Lisbonne, les sages du pays n'avaient pas trouvé un moyen plus efficace pour prevenir une ruine total que de donner au peuple un bel autodafé; il était décidé par l'université de Coïmbre que le spectacle de quelques personnes brûlées à petit feu en grande cérémonie est un secret infaillible pour empêcher la terre de trembler.
On avait en conséquence saisi un Biscayen convaincu d'avoir épousé sa commère, et deux Portugais qui, en mangeant un poulet, en avaient arraché le lard; on vint liet après le dînerle docteur Pangloss et son disciple Candide, l'un pour avoir parlé, et l'autre pour l'avoir écouté d'un air d'approbation (...). Candide fut fessé en cadence, pendant qu'on chantait; le Biscayen et les deux hommes qui n'avaient pas voulu manger le lard furent brûlés, et Pangloss fut pendu, quoique ce ne soit pas coutume. Le même jour la terre trembla de nouveau avec un fracas épouvantable.(...)

Com a descrição deste auto-da-fé (que se realizou mas apenas a 20 de Junho de 1756), Voltaire faz uma crítica irónica ao optimismo, pois a vítima principal deste auto-de-fé é o filósofo optimista em pessoa, Pangloss, cuja teoria lembra de modo irónico a teodicieia de Leibniz. Voltaire crítica, deste modo, os filósofos que não retiravam das experiências da vida, lições para orientarem as suas teorias.

Também neste trecho, Voltaire aproveita para criticar as práticas absurdas da Inquisição. Aliás, Voltaire detestava muito mais o fanatismo, do que propriamente a religião. Mas isso já é outro conto...

Só para terminar, a célebre frase "Sepultar os mortos, cuidar dos vivos e fechar os portos" não foi dita pelo Marquês de Pombal, mas sim pelo (1.º Marquês de Alorna, D. Pedro de Almeida Portugal (1688-1756).

publicado por Rui Oliveira às 12:53
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Dia de Todos os Santos
O dia de Todos os Santos é uma solenidade celebrada a 1 de Novembro, instituída pela Igreja para venerar todos os seus santos, conhecidos e desconhecidos.

É uma solenidade com base em tradições antigas tantos das igrejas orientais como ocidentais. No início apenas São João Baptista e os mártires eram venerados num dia específico. Mas com as várias perseguições, como por exemplo, as de Diocleciano (imperador de 284-305), iniciadas em 303 e que duraram 10 anos, os números de mártires tornou-se tão grande que era impossível atribuir um dia específico a cada um.

As igrejas orientais tinham uma comemoração conjunta dos santos. Encontra-se a menção de dia comum de veneração num sermão de Santo Efrém (306-373), datado de 373, bem como na 74.ª homília de São João Crisóstomo (347-407), datado de 407. Também o calendário dos caldeo-cristãos, em 411, contemplava já um “Commeratio Confessorum” na sexta-feira a seguir à Páscoa.

No Ocidente, Bonifácio IV (608-615), dedicou ao culto cristão o Panteão de Roma, a 13 de Maio de 610, em honra da Virgem Santíssima e de todos os mártires. A fixação da data da solenidade faz-se com Gregório III (731-741), que consagrou uma capela a todos os santos dentro da Basílica de São Pedro, marcando-a para 1 de Novembro. Gregório IV (827-844) estendeu esta celebração de 1 de Novembro a toda a Igreja Católica, começando pelo Império Carolíngio (que na altura dominava praticamente toda a Europa Ocidental).

A característica mais peculiar desta celebração é a de celebrar num único dia a memória dessa “multidão enorme que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas” (Ap. 7,9). Segundo a Igreja, a comemoração da memória destes santos justifica-se, pois “as festas dos Santos proclamam as grandes obras de Cristo nos Seus servos e oferecem aos fiéis os bons exemplos a imitar” (Constituição Litúrgica).

Post-scriptum. O Halloween, festejado a 31 de Outubro, também tem que ver com o Dia de Todos os Santos. É que em inglês, estes dia diz-se All Hollows Days (ou All Saints Day). A véspera, em inglês, diz-se All Hollows eve (ou even em inglês mais antigo). Daí o resultado: (All])hollow(s) + e(v)en. O que se festeja no Halloween é que já é outro coisa à qual não sei responder.
publicado por Rui Oliveira às 00:12
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