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Super Flumina

Liberae sunt enim nostrae cogitationes - Cícero (Mil. 29 - 79) . Um blog de Rui Oliveira superflumina@sapo.pt

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Liberae sunt enim nostrae cogitationes - Cícero (Mil. 29 - 79) . Um blog de Rui Oliveira superflumina@sapo.pt

Iraniana de 13 anos condenada à morte

O regime teocrático iraniano está cada vez pior. Se há relativamente pouco tempo havia esperanças de que os moderados conseguissem de algum modo suavizar o clima de opressão, nos últimos tempos os conservadores têm conseguido impor a sua lei (ver o que se passou nas últimas eleições iranianas).

Agora, leio a notícia de uma iraniana de 13 anos foi condenada à morte por lapidação por ter tido relações sexuais com o seu irmão de 12 que, por sua vez, foi condenado a receber 180 chibatadas, sendo ambas as condenações decretadas de acordo com a charia.

Quando é que vamos deixar de receber notícias deste género.

Imparcialidade novamente (parte II)

O Terras do Nunca decidiu responder ao meu artigo de ontem acusando-me de me arvorar em "detentor da verdade, quando tudo o que escreveu é de uma enorme subjectividade".

É claro que quem me lê com frequência jamais me poderia acusar de querer ser detentor de verdade, (para além de a definição de "verdade" ser um poucochinho complicada, pelo menos desde Aristóteles). Limito-me a analisar as coisas pela minha cabeça segundo a informação que consigo recolher.

Quanto à "enorme subjectividade", bem, aí estamos de acordo, porque eu não me escondo por trás de uma suposta "isenção", "imparcialidade" ou "objectividade" ao contrário do que faz grande parte dos jornalistas, como se pudessem planar acima do mundo onde vivem e não tivessem nada que ver com ele.

Se o JMF não é um defensor da "objectividade jornalística", fico contente, pois é evidente que esta não passa de um mito. E, mais, uma vez tem razão em afirmar que a liberdade e a concorrência nos permitem escolher quem queremos ler. É a óbvia vantagem de uma economia de mercado.

Agora o que penso é que parte da cobertura que o Público fez do debate parlamentar não reflectiu o que lá se passou. É a minha opinião e agora, graças à Internet, posso dizê-lo quando e como quero. Não estou dependente de uma qualquer "página do leitor" nem preciso de um provedor. E, para o bem e para o mal, os jornalistas e os media em geral vão ter que se habituar a isso.

Paciência...

Companhias pouco recomendáveis

Por estes dias está a decorrer o Forum Social Europeu, este ano, em Londres. Mais uma vez, os movimentos antiglobalização disseram ter como convidados vários islamitas, como se o seu combate fosse o mesmo. Pobres diabos, não perceberam mesmo nada de nada.

Mas nem todos os que pertencem a esse movimento estão de olhos tapados. Dominique Topo publicou no Libération de 14 de Outubro as razões pelas quais o S.O.S. Racisme francês não iria participar no forum (via Proche-Orient.info:

L'altermondialisme a, dès son émergence, suscité chez moi une profonde sympathie. Il était un mouvement généreux, capable de renouer avec de grandes mobilisations fondées sur des bases progressistes.

Mais, depuis plusieurs mois, SOS Racisme a été amené à prendre ses distances. Lors du Forum social européen (FSE) de 2003 en France, nous fûmes à deux doigts de refuser de participer aux débats en raison d'un manque de clarté sur les questions d'antisémitisme et de l'invitation de Tariq Ramadan, intellectuel proche du mouvement fondamentaliste des Frères musulmans. Ce que nous espérions pouvoir analyser comme un faux pas se trouve malheureusement confirmé par des choix de débats et d'invités à l'occasion du présent FSE de Londres.

A cette heure, nous ne savons pas si la rumeur persistante de la présence de Youssef al Qaradawi au FSE se trouvera confirmée. Mais d'ores et déjà, on ne peut que s'étonner que cette rumeur n'ait pas été démentie avec force. Comment en effet Youssef al Qaradawi, leader européen des Frères musulmans, pourrait participer à une rencontre qui se veut progressiste ? Monsieur Al Qaradawi s'est systématiquement manifesté comme un obscurantiste porteur d'un message de haine. Il déclarait encore il y a peu qu'« il n'y a pas de dialogue entre nous et les juifs, excepté par le sabre et par le fusil ». Par ailleurs, en sa qualité de président du Conseil européen de la fatwa, il a lancé une fatwa soutenant les attentats kamikazes, y compris contre les civils.

Comment Massoud Shaterjee peut-il animer deux débats au FSE ? Massoud Shaterjee a participé au sommet international contre le racisme de Durban en 2001 et a oeuvré à le transformer en une pitrerie raciste et antisémite. Autre fait de gloire de cet individu : considérer que les talibans sont des martyrs. Alors, voir un tel personnage tenir un débat intitulé l'Interdiction du voile : une attaque contre la femme musulmane ne peut que révulser. Car on comprend bien, par son soutien à la vision talibane, que sa conception de la femme musulmane se situe aux antipodes des combats féministes.

Ajouté à une série de débats organisés par des islamistes autour de leurs thèmes de prédilection, il ressort de cela l'impression que les responsables européens du mouvement altermondialiste se situent dans une recherche frénétique et insensée d'un front anti-impérialiste dont le seul principe serait « l'ennemi de mon ennemi est mon ami ».

Car nous n'ignorons pas les théories selon lesquelles l'islamisme représenterait un allié dans la lutte contre l'impérialisme américain. Théories fausses, dangereuses et exotiques. Fausses, parce qu'elles ignorent la nature de l'intégrisme islamiste, dont le projet ne se situe pas dans la lutte contre l'oppression capitaliste mais contre la démocratie, la liberté des moeurs, l'égalité entre les hommes et les femmes et, point d'accord avec les forces nationales populistes et ethnicistes, contre l'idée que l'Humanité peut et doit avoir un avenir commun. Dangereuses, parce qu'elles isolent ceux qui, à travers le monde, se battent pour des progrès démocratiques. Exotiques, parce qu'elles participent des plus terribles amalgames, et notamment celui selon lequel on pourrait poser l'égalité suivante : Arabe = musulman = intégriste. Et c'est bien ce à quoi participent les organisateurs du FSE en choisissant les islamistes intégristes comme interlocuteurs prétendument représentatifs des populations arabo-musulmanes.

Imparcialidade novamente

Ontem, pela primeira vez, tive oportunidade de ver na íntegra um debate mensal parlamentar com o governo. Pude por isso tirar as minhas próprias conclusões de como correu o debate, não me esquecendo que a minha condição de militante do PSD poder influenciar a minha apreciação. Mas, em geral, não tendo sido brilhante, não desgostei de Santana Lopes e quanto a oposição esteve como se esperava. Tal como, Bettencourt Resendes disse na SIC-N, penso que Santana Lopes venceu o debate em geral (embora tivesse deixado algumas perguntas por responder), até porque o formato do debate dá sempre vantagem ao governo, não houve KO de nenhum partido, enfim, podemos dizer, não correu muito mal.

Por outro lado, compreendo a dificuldade que este debate engulhos em alguns comentadores (p.ex. António José Teixeira) pois como Santana não se perdeu nos dossiers, como eles esperavam, tiveram que reconhecer que ele até não se saiu mal.

Mas, hoje leio o Destaque de hoje no Público da autoria de São José Almeida e parece-me que o debate que eu vi foi um outro debate. E porquê? Atente-se neste parágrafo:

Já José Sócrates soube usar os poucos minutos que este tipo de debate lhe dava - nos debates mensais a oposição só faz perguntas. A anos-luz das parcas capacidades parlamentares de Ferro Rodrigues, Sócrates, de forma clara e directa, levantou questões de regime, como da legitimidade política e as acusações de censura. Além de não se esquecer da situação económica e social e ainda do Orçamento do Estado, acusando mesmo o Governo de em matéria orçamental querer descobrir o "gelo-quente".

Começando por um nada inocente "já", o discurso de Sócrates é considerado quase brilhante. Ora, eu ouvi a dita intervenção e ela não me impressionou rigorosamente nada. A legitimidade política, tal como disse Resendes na SIC-N é um argumento que se esgota e não tem seguimento, para além de ser perfeitamente ridícula, pois se a solução é constitucional como é que Santana não tem legitimidade? Será uma questão moral, política? Bom, então porque se lembraram só agora, se Santana nem foi o primeiro que chegou a primeiro-ministro sem eleições depois de 1976 (se a memória não me engana, foi o terceiro, quarto se contarmos com Fernando Nogueira)? Esta questão é apenas um sound-byte. Quanto à censura, como Santana lembrou, o PS não está isento, como foi o caso de Arons querer afastar Cintra Torres. Por outro lado, Joaquim Furtado também tem queixas da intervenção do governo na RTP. Censura? Alguém impede Marcelo de falar? Deixem-me rir...

Depois de declarar que o PS se deixou encurralar em terrenos não favoráveis, diz-se que apesar disso Santana também não ganhou o debate em termos gerais. Porquê? Volta à intervenção de Sócrates:

Logo de início, o líder do PS entrou a matar com questões políticas de relevância e actualidade. Numa atitude previsível - e que o próprio Sócrates já fez saber que é para continuar - atacou Santana pela falta de legitimidade e de autoridade políticas que acha que o primeiro-ministro tem. Ou seja, atirou para cima da mesa com o facto de Santana ter sido indigitado primeiro-ministro sem se submeter a eleições legislativas depois de escolhido pelo conselho nacional do PSD, sem que o congresso reunisse. Enquanto ele Sócrates foi eleito em sufrágio directo dos militantes. Isto para além de atacar com veemência as eventuais interferências na liberdade de expressão com o caso Marcelo, classificando-o de "nódoa que o vai perseguir" e defendendo que Santana não resiste "às tentações de controlo da comunicação social".

O artigo parece uma pescadinha de rabo na boca, vira-o-disco-e-toca-o-mesmo. Tal como a argumentação do PS. Para além do facto de a legitimidade de José Sócrates ser apenas enquanto líder do PS. Nada mais. Santana pelos estatutos do partido também é um líder legítimo. É claro que é necessário um Congresso o mais rápido possível. Dizer que Santana não conseguiu responder à altura das acusações é uma autêntica falácia e que só consegue enganar quem não viu o debate. Se realmente no caso de Ferro, Santana se enganou, na primeira resposta usuo a ironia que fez Sócrates ficar com um riso amarelo. E esta questão da legitimidade faz-me rir. Legitimidade vem de "legítimo", que por sua vez tem o significado de "conforme à lei". A legitimidade de Santana Lopes é total porque conforme às leis da República. A moralidade e ética nada têm que ver com o assunto, pois senão cairíamos no reino da arbitrariedade.

Mas, quanto a este aspecto, da legitimidade, dizem que Santana não a tem porque não foi a votos, que os portugueses não votaram nele. Mas, se levarmos esta ideia ao extremo, então Barroso também não tinha um governo legítimo porque os portugueses não tinham votado num governo PSD-CDS/PP. Também em 1977 (penso eu), os portugueses tiveram um governo PS-CDS, mas o povo (nesta algura bem mais ideológico) não votou certamente, nas eleições legislativas em 1976, numa solução dessas. Seriam esses governos ilegítimos? A governabilidade de um país têm que assentar em leis que permitam estas alianças pós-eleitorais, senão passávamos a vida em eleições. E quem diz alianças, diz também sucessão no cargo de primeiro-ministro.

Noto ainda, e porque o caso de passa com o Público noto ainda a grande susceptibilidade de JMF a um post do Jaquinzinhos. É que como diz o JCD a notícia era mesmo ridícula. E, hoje, na capa do jornal, lá estava a "legitimidade" como a característica principal do debate. Não era preciso confirmar assim de que lado estão os jornalistas. E ainda há que queira defender a objectividade.

O mesmo JMF responde ainda ao Nuno Guerreiro a propósito do uso de ambulâncias da ONU pelos terroristas, negando ainda que haja enviesamento pró-palestiniano na cobertura noticiosa (apelidado de teoria da conspiração). Antes fosse... mas não o é em quase toda a Europa Ocidental e Portugal não é excepção. Qualquer dia haveria de se fazer em Portugal algo como o que AC Medias faz para a imprensa francesa. É bastante elucidativo.

Enfim, estamos presente uma peça jornalística no mínimo tão alinhada politicamente como a minha. Mas, eu digo logo que a imparcialidade e objectividade absolutas são inexistentes pelo que, elas também não existem no jornalistas, por muito que eles afirmem o contrário.

Le bloc-note d'Ivan Rioufol

Os meus leitores do gosto que tenho em ler Ivan Rioufol à sexta-feira no Le Figaro.

Esta semana não é excepção e a sua coluna de hoje Le bloc-notes é altamente recomendável.

Mais uma vez o debate sobre a Turquia está na ordem do dia. Em França, este tema é um tema quente, com debates muito acesos, e que divide largamente os políticos e o homem da rua. Eis o que Rioufol diz sobre o tema (destaques meus):

Fronde contre la pensée unique

Bonne nouvelle : la pensée unique a du plomb dans l'aile, grâce à la Turquie. Certes, la moutonnerie a encore de beaux jours en France : il suffit d'entrer dans une librairie pour s'en persuader, devant la somme de livres accablant Bush et les néoconservateurs comparé à la rareté de ceux dénonçant Ben Laden et sa barbarie. Plus généralement, il demeure ardu d'aller à contre-courant du conformisme qui impose à tous le respect des tabous et des sens interdits. Néanmoins, une fronde naissante est peut-être en train d'ébranler ces consensus établis.

Les Français, sourdement, disent l'inconcevable : ils ne veulent pas de la Turquie en Europe, parce que ce pays est musulman. Les hommes politiques ont beau s'affoler d'un argument si peu convenable – tous s'empressent de dire que la religion n'a rien à y voir –, leur retenue indiffère une majorité de l'opinion. Celle-ci donne raison à l'amère analyse d'Uluc Ozulker, ambassadeur de Turquie en France (1) : «Si la Turquie était chrétienne, il n'y aurait aucun problème.» C'est vraisemblable.

Les donneurs de leçons s'indignent de cette attitude si peu «fraternelle». Mais leur moralisme ne culpabilise plus autant : les Français, qui observent la difficile intégration maghrébine et la fragilité de leur nation, n'ont plus mauvaise conscience à passer outre les matraquages sur l'antiracisme, la xénophobie ou le respect de l'Autre. Ce qu'ils pensent est honorable : ils craignent qu'un puissant pays islamique ne dénature la démocratie européenne en la rejoignant.

Les dithyrambes sur la Turquie «européenne» et «laïque» taisent une partie de la réalité, née de la réislamisation du monde musulman. Comme l'explique le spécialiste Alexandre Del Valle (2), «le visage pro-occidental et «laïque» de la Turquie kémaliste est connu ; celui d'une Turquie ultranationaliste souvent intolérante et maintenant néo-islamiste l'est beaucoup moins». Comment, par exemple, oublier la victoire, le 3 novembre 2002, des «islamistes modérés» de l'AKP aujourd'hui au pouvoir ? Ils sont en rupture avec l'héritage d'Atatürk et seule l'armée reste garante de la laïcité.

Les Français se révèlent, dans leur refus d'accepter la Turquie (à 75% selon un sondage de Libération), attachés à leur civilisation, qu'ils croient vulnérable. Ils ne peuvent en être blâmables. Quand Jacques Chirac s'inquiète de la protection des Pygmées, «qui sont l'un des peuples les plus menacés de disparaître», nos concitoyens rappellent que leur propre culture risque aussi de se dissoudre dans un espace européen n'ayant plus le droit de se prévaloir de ses héritages judéo-chrétiens et prêtant le flanc à une Turquie légitimement fière d'être musulmane.

Cette surprenante résistance au politiquement correct est un signe d'exaspération, que les hommes politiques ne devraient pas négliger. Les citoyens, qui se préoccupent de leur destin, veulent désormais avoir leur mot à dire. Ce serait une faute de les ignorer.

Mas, Rioufol também trata o assunto do futuro comissário Buttiglione:

Le «scandaleux» M. Buttiglione

Décidément, le politiquement correct se décline inépuisablement, jusque dans les couloirs du Parlement européen. Cette fois, le scandale est venu de Rocco Buttiglione, pressenti au poste de commissaire chargé de la justice et des affaires intérieures. Il est reproché à ce catholique italien proche de Jean-Paul II d'avoir dit :«A mon avis, l'homosexualité est un péché», en ajoutant «mais cela ne doit pas influencer la politique». Il a également déclaré, selon le compte rendu officiel : «Une femme a le droit d'avoir des enfants et de bénéficier de la protection d'un homme.» (La version des médias lui fait dire : «La famille existe pour permettre à une femme d'avoir des enfants et d'avoir un mâle qui les défend»). Effroi donc cette semaine chez les députés européens dénonçant des propos homophobes et sexistes. Curieusement, ces grandes consciences ne se seront jamais offusquées de la présence du théologien islamiste Tariq Ramadan dans un groupe de «sages» nommé par Romano Prodi, président sortant de la Commission. Ramadan est celui qui oeuvre à la réislamisation des musulmans et qui demande un «moratoire» pour la lapidation des femmes. A Bruxelles, certains le trouvent plus fréquentable que le trop chrétien Buttiglione.

De facto, em Bruxelas, um muçulmano (bem sei que ele não será comissário) que não consegue condenar a lapidação de mulheres adúlteras, mas apenas propor uma moratória, pode pertencer a um grupo de sábios da UE (ele que até é cidadão suíço) sem que ninguém se indigne. Já alguém que acha que a homossexualidade é um "pecado", mas que disse saber distinguir entre moralidade e legalidade (e acção política), é um homófobo que vai ameaçar as liberdades e garantias na Europa e a igualdade entre homens e mulheres.

Esta Europa anda à deriva...

Imparcialidade

Se há coisa que me irrita é os jornalistas, quando reflectem sobre a sua profissão, estarem sempre a falar em imparcialidade e objectividade. Em primeiro lugar, porque são qualidades que não existem em estado puro, pois toda a gente tem a sua visão das coisas e, por muito racional que tente ser, sofre sempre influência das suas crenças, ideias, ideologia ou, pura e simplesmente, preferências.

Mas se estas qualidades não podem ser absolutas, pode-se tentar ser o mais justo e equilibrado possível e, sobretudo, não torcer propositadamente aquilo que é evidente. E, normalmente, os jornalistas que mais falam em imparcialidade e objectividade são aqueles que mais praticam o enviesamento noticioso (favorável geralmente à esquerda).

Vem isto a propósito de uma notícia que li no Libération de hoje, que tem o seguinte título:

Les socialistes européens pour le comissaire homophobe

Ora, o jornalista assume, logo no título, que o futuro comissário Buttiglione é "homófobo". E o início da notícia também vai no mesmo caminho:

Les socialistes européens sont prêts à passer l'éponge sur les propos homophobes de l'Italien Rocco Buttiglione, le futur commissaire européen chargé de la Justice et des Affaires italiennes (...).

Ou seja, o facto das afirmações do futuro comissário não alinharem nos cânones do politicamente correcto e do pensamento único faz com que sejam logo marcadas como o carimbo de "homofóbico" e o homem de "homófobo". A diversidade de opiniões não é sequer considerada. Não, tem que se seguir a cartilha, senão apanha-se logo com um rótulo ignominioso. É uma estratégia conhecida destes patrulheiros ideológicos que querem controlar o pensamento através da linguagem, impendindo a troca e o debate de ideias.

E o jornalista, neste caso, segue obedientemente a cartilha da ditadura PC.

Aborto

Segundo notícia do The Sunday Telegraph de que o ABC faz eco, mais de mil mulheres britânicas vão a Barcelona fazer abortos tardios (para além das 24 semanas de gestação), não sofrendo o feto qualquer má-formação nem estando a saúde da mãe em risco.

Este tipo de aborto é ilegal na Grã-Bretanha - e também na Espanha -, mas a clínica socorre-se das facilidades da lei espanhola e falsifica as declarações.

Será que os defensores do aborto estão todos de acordo com estes abortos tardios? Será que um feto de 30 semanas não será já um ser completo e que se nascer prematuramente não será capaz de sobreviver sem grandes problemas? É que isto vai contra alguns argumentos que ouvi de alguns defensores de aborto livre até às 10/12 semanas. Ou será que, no fundo, acham que a mulher tem direito sobre o seu próprio corpo em qualquer altura da gestação?

Ainda haverá quem pense que a lei espanhola é boa, quando acaba por ser de facto, não de iure, mais permissiva do que as leis de um país como a Grã-Bretanha (onde se praticam 180 000 abortos/ano).

Liberdade de expressão

Em Portugal muito se tem falado de putativas ameaças à liberdade de expressão, mas é óbvio que eu não acredito nisso. As choraminguices sobre a interferência do poder económico nos media é pura conversa fiada. Provavelmente, alguns jornalistas estão saudosos das interferências do Estado quando muito destes órgãos pertenciam a esse mesmo Estado. Aí, seriam livres os jornalistas? Por outro lado, há para aí um mito sobre um passado mítico de ouro do jornalismo. Mas será que ele alguma vez existiu?

Enfim, esta introdução foi só para falar de outras ameaças, estas sim verdadeiras, como o recurso aos tribunais para calar aqueles que não juram pelo credo do politicamente correcto e das causas ditas "progressistas". Certos conceitos como "islamofobia", "racismo" e "homofobia" têm ajudado a tentar calar as opiniões desalinhadas, pois a maioria não quer parecer nem islamófobo, nem racista, nem homófobo. E uma estratégia muito utilizada por certos lobbies é do recurso a tribunal para intimidar aqueles que tem opiniões diferentes.

Isto mesmo aconteceu em França com Michel Houellebecq, escritor francês, que declarou numa revista que "la religion la plus con, c'est quand même l'islam". É uma declaração sem dúvida polémica, mas sobre a Igreja Católica, por exemplo, há gente que disse coisas muitíssimo piores.

Esta frase foi quanto bastou para Houellebecq apanhar com um processo por "provocação de ódio racial" (um "must" neste tipo de casos) por parte de várias organizações muçulmanas francesas. Mas terá havido incitação ao ódio racial? Bom, em primeiro lugar, o Islão não é uma raça, há gente de todas as raça na religião muçulmanas (embora os árabes a dominem largamente). No fundo, o que estas organizações estavam a fazer era um processo de "delito de opinião" ou, então, pior ainda numa sociedade laica, um processo por "blasfémia".

A teses das organizações muçulmanas não foram acolhidas pelo tribunal de primeira instância. Estas organizações recorreram, mas agora, constata-se que não há queixosos. Todas elas se retiraram...

Ainda bem, a liberdade de expressão desta vez safou-se.

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