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Segunda-feira, 1 de Março de 2004
Anti-semitismo: o que é?


O J num comentário à minha entrada Para quem nega o anti-semitismo pergunta-me se então os árabes também não eram semitas?

Obviamente esta pergunta tem um objectivo: a implicação que o anti-semitismo é um racismo dirigido não só contra os judeus, mas também contra todos os povos de origem semita, árabes incluídos.

Bom, se olhássemos só a etimologia, assim poderia ser. Aliás, esta linha argumentativa é muito seguida por todos aqueles que querem negar a existência desse mesmo anti-semitismo. E, por isso, põem-se a brincar com as palavras.

Mas, serão os árabes semitas? Hoje, sob o nome "árabes" incluem-se não só os povos semíticos de originários da península arábica - e que em tempos pré-islâmicos já se tinham estendido pelo Crescente Fértil -, mas também todos os povos de língua árabe (língua semita tal como o hebraico) do Iraque a Marrocos. Isto é, uma imensidão de povos diferentes que foram conquistados e islamizados durante os dois primeiros séculos de expansão do Islão. Nesses povos estão incluídos, naturalmente, povos não semitas. Mas, podemos dizer que os árabes, lato sensu, são semitas.

Apesar de tudo, é preciso não esquecer que mesmo os árabes originários da península arábica são uma mistura, não havendo uma unidade de tipo.

Se, então, os árabes são semitas, será que o anti-semitismo também é contra eles? ou, reformulando, quando se fala se anti-semitismo, deveria referir-se todo o racismo contra povos semitas? Aqui a resposta é rotundamente não.

Quando se fala de anti-semitismo estamos mesmo a falar de racismo contra judeus (quer como religião, quer como raça). E porquê?

Porque anti-semitismo não é apenas uma palavra, mas um termo. Um termo é uma palavra (ou locução) rigorosamente definida que designa um conceito próprio de um determinado campo do saber ou actividade. E a história deste termo é conhecida.

Segundo a Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura (1964) a entrada anti-semitismo, da responsabilidade de M. Alves de Oliveira, começa assim:

É a aversão aos Judeus, um dos povos de raça semita. Seria mais exacta a expressão anti-judaísmo ou anti-sionismo, tanto mais que o A. S. é tradicional entre os Árabes, povo igualmente semita. O vocábulo, atribuído a Ernest Renan (1823-1892), generalizou-se na Alemanha e na França no fim do século passado.

Mais adiante, refere-se:

O A. S. como doutrina - Teve o seu ponto de partida na suposta oposição étnica entre Judeus (identificados aos Semitas) e os Arianos ou Indo-Europeus. Este preconceito racial foi posto a correr por Christian Lassen (1800-1876), no seu livro Indische Altertumskunde (Bona, 1844), e Ernest Renan (1823-1892), na Histoire Générale et système des langages sémitiques (Pa., 1855) e em Le judaïsme comme race et comme réligion (Pa., 1883). Este A. S. pretensamente científico (racismo), passou ao campo político através do panfleto de Wilhelm Marr Der Sieg der Iudenthums uber der Germanenthum, publicado em Hamburgo em 1873.

Penso que não é preciso muito mais para verificar que a palavra nasceu, especificamente, para exprimir aversão aos judeus. E, se os nossos dicionários, Houaiss, Academia, Cândido Figueiredo ainda falam de "aversão aos Semitas, especialmente aos Judeus" (indicando o Hoauis o ano de 1899 para introdução do vocábulo em português), o Webster's, o Petit Robert ou o Wahrig não deixam dúvidas:

Webster's (1996)
anti-Semitism - discrimination against or prejudice or hostility toward Jews. [1880-1885]

Le Nouveau Petit Robert (1993)
antisémitisme - 1866 - Racisme dirigé contre les Juifs.

Wahrig (1986)
Antisemitismus - Judenfeindschaft.

Quando se cunham novas expressões nem sempre se respeita a etimologia ou, então, não o critério de escolha dos elementos não é consistente (ver o caso de "automóvel" com um elemento de origem grega "auto" e outro de origem latina "móvel"). Mas a definição de anti-semitismo, desde o início é precisa, apesar de, etimologicamente, não ser a expressão mais exacta, e designa o racismo dirigido contra os judeus (quer os árabes sejam semitas ou não, não são chamados para o caso).

Naturalmente, eu já vi muita gente querer lançar a confusão com base nesta ambiguidade linguística mas, que, facilmente é desfeita no contexto em que a palavra é usualmente utilizada.

publicado por Rui Oliveira às 23:36
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Saramago e a democracia
Ontem, estava eu a ouvir como ruído de fundo o Marcelo Rebelo de Sousa, quando ele fala do novo livro de Saramago, Ensaio sobre a lucidez. Marcelo faz uma pequena introdução da narrativa do livro e conclui dizendo qualquer coisa parecido com "Saramago está desencantado com a democracia". Bom Saramago nunca foi democrata como o prova a sua acção em 1975 no jornal onde trabalhava. Aliás, ele ainda deve acreditar nos "lendemain qui chantent"...

PS. Faço notar aos mais distraídos que eu não ponho minimamente em causa a qualidade literária de Saramago, até porque nunca o li. Só o crítico para demonstrar que não é por se ser uma intelectual considerado que se está imune à crítica.
publicado por Rui Oliveira às 12:53
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