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Quinta-feira, 25 de Março de 2004
E ainda há quem acredite em Richard Clark?
Sobretudo depois de ler artigos como este de Rich Lowry de como Clark já disse coisas completamente diferentes do que diz agora. Neste momento, nos EUA, a credibilidade deste homem está seriamente afectada!

Os media portugueses e os blogs de esquerda deviam atender a estes factos em vez de andarem a propagar o que ele diz como se fosse um escrito sagrado e sem contestação.
publicado por Rui Oliveira às 15:39
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Kosovo - 5 anos depois
Por absoluta falta de tempo não consegui escrever este artigo ontem. E porque é que queria ter escrito isto ontem? É que ontem fazia 5 anos que a Nato começou a guerra do Kosovo. 5 anos depois o que é que temos? Foi-se fazer uma guerra para parar uma limpeza étnica, agora temos uma limpeza étnica ao contrário.

É claro que esta guerra não valeu a pena. A indefinição quanto ao estatuto do Kosovo mantêm-se agora como então. E mais, a hipótese de um estado multi-étnico é apenas uma cada vez mais longíqua miragem.

O inenarrável Solana decidiu ir ontem ao Kosovo e foi mal recebido pelos sérvios. O que é que ele queria? Mas o pior são as declarações que terá proferido. Segundo a BBC: "Mr Solana urged them to be brave and to stay in Kosovo despite difficulties." O homem é ou não é um cromo?  A Nato há 5 anos que nada faz para proteger os sérvios. Mais de 200 000 sairam já do Kosovo, centenas de igrejas e mosteiros queimados (ver meu artigo em Dezembro no Arquivo). Só agora é que notaram o problema. Foi preciso morrer 28 pessoas nestes últimos incidentes para perceberam que os seus protegidos não são melhores que os seus ex-opressores?

Solana disse ainda: "I am appalled by the brutality of the actions," he told residents. "It is very, very sad to see." Pobre diabo! Até agora não sabia de nada!

He added that the international community "cannot tolerate and will not tolerate" such actions. Deve estar a brincar. Aceitou durante 5 anos estas acções. A única diferença é que as anteriores não foram em grande escala, mas apesar foram muito eficazes. O Sr. PESC anda mesmo a dormir.

Alguns (nomeadamente os nossos socialistas) deviam ter vergonha quando verberam a guerra do Iraque. A do Kosovo é um fiasco muito maior e o problema é que não se vê saída à vista.
publicado por Rui Oliveira às 00:55
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Quarta-feira, 24 de Março de 2004
Afinal, Mário Soares não está só...

... na produção de afirmações disparatadas em catadupa (ver este artigo de CAA no Blasfémias).

Pela Primo Europe fiquei a saber, por o extracto aqui transcrito da entrevista (seguido de comentário da Primo Europe), que o presidente do Partido Socialista Francófono da Bélgica é, também, um discípulo de Mário Soares. Ora vejam:

"Il faut lutter contre le terrorisme mais par le dialogue"

Belgique, lundi matin 22 mars : invité de Matin première (RTBF) : Extrait retranscrit littéralement de l’interview d’ Elio di Rupo, Président du Parti socialiste Francophone

J-P Jacqmin : l’élimination par Israël de Cheikh Yassine qui était quand même le dirigeant du Hamas, mouvement qui a revendiqué nombre d’attentats , est-ce une bonne ou une mauvaise chose ?

Elio di Rupo : « Dans l’état et la matière c’était une mauvaise chose. Il faut lutter contre le terrorisme mais par le dialogue. Et puis, il y a une humiliation des populations. On humilie une partie du monde arabe, on humilie les Palestiniens et dès qu’une population est humiliée, elle prend sa revanche et ce qui est inacceptable dans le couple Sharon- Bush, c’est qu’il crée l’instabilité dans le monde entier. Ce n’est pas bon pour la prospérité, ce n’est pas bon pour la paix, ce n’est pas bon pour les gens »

Autrement dit, Monsieur Di Rupo n'a pas grand chose à faire du fait que le Hamas soit un mouvement terroriste qui sacrifie les siens, enfants et femmes compris, pour aller se faire sauter parmi des civils. Peu lui importe que ce mouvement soit sensiblement de la même veine et de la même idéologie que le Parti Nazi. Ce qui importe, par contre, c'est de faire savoir que le couple Sharon-Bush crée l'instabilité dans le monde entier.

Encore une analyse géo-stratégique de ce type et Monsieur Di Rupo pourra poser sa candidature au poste de secrétaire général de l'ONU.

Quand il a entendu l'affirmation "il faut lutter contre le terrorisme, mais par le dialogue", il parait que Carlos a piqué un fou rire au fond de sa cellule.

Para estes senhores Sharon-Bush são a "bête noire" e ninguém os consegue convencer do contrário. A estupidez não tem limites e cega-os de tal maneira que não vêem de onde vem o perigo. Quando o virem, já vai ser tarde.

Pauvre Europe...



publicado por Rui Oliveira às 15:14
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Terça-feira, 23 de Março de 2004
Erros do pacifismo actual...

...ou melhor dizendo, talvez, do capitulacionismo actual são analisados neste artigo de que vou citar as partes mais significativas.

Les isolationnistes ou pacifistes actuels plaquent quatre idées fausses sur Al-Qaïda et les autres réseaux islamistes.

1 Ils voient en eux la suite du mouvement anticolonial. Ceux-ci seraient, d’après eux, “nourris” par les “injustices” qui marquent encore les relations “Nord-Sud”, entre “pays riches et pays pauvres”.
Pour enrayer le terrorisme, il suffirait donc de mettre fin à ces “injustices” : évacuer l’Irak et l’Afghanistan, abandonner Israël, accorder aux pays islamiques la possession de l’arme atomique et d’autres armements à caractère stratégique, accepter une hausse du prix du pétrole, tolérer l’expansion de l’islam en Occident, etc. En réalité, Al-Qaïda et consorts ne sont pas anticolonialistes mais – en termes occidentaux et pour parler français – colonialistes. Leur but n’est pas d’instaurer une égalité entre le Nord et le Sud, mais d’imposer l’islam (tel qu’ils l’entendent : un islam extrémiste) dans un Nord qu’ils tiennent pour “décadent” et “dégénéré” et dans le reste du monde. Toutes les concessions sont bonnes à prendre, et il est légitime (“licite”, disent-ils) de laisser croire aux Occidentaux que leurs concessions présentes suffiront.

2 Les isolationnistes et les pacifistes, raisonnant à partir de la culture occidentale, croient que le terrorisme n’est, pour Al-Qaïda et consorts, qu’un moyen de dernier recours, “l’arme du désespoir”. Mais en islam, le terrorisme est au contraire un moyen stratégique et politique ordinaire. Un des meilleurs orientalistes français, Henri de la Bastide, qui fut professeur d’arabe à l’Ecole des langues orientales de Paris, puis président de cette institution dans les années 1980, a défini l’islam comme une “civilisation poético-terroriste”. Nombreux sont les Arabes et les musulmans qui souscrivent à ce verdict, à commencer par Kanan Makiya, le Soljenitsyne irakien.

3 Les isolationnistes et les pacifistes croient que le combat contre Al-Qaïda et les autres islamistes passe par une coopération accrue avec les Etats musulmans. C’est se méprendre du tout au tout. En Islam, l’Etat n’existe pas : c’est une structure de circonstance, empruntée à l’Occident tant que ce dernier dominait le monde. La matrice de la société et du pouvoir, ce sont les confréries militantes, vouées au djihad. Structures à la fois religieuses, sociales et militaires, aussi anciennes que l’islam lui-même, elles peuvent essaimer de pays en pays, passer par des périodes de mise en sommeil, se réactiver, se fractionner à l’infini, se regrouper, fonder un Etat (l’Arabie saoudite, créée par la confrérie wahhabite) ou s’emparer d’un Etat existant (l’Afghanistan, parasité naguère par les talibans), survivre aux révolutions ou aux défaites militaires.

4 Enfin, les isolationnistes et les pacifistes, mais aussi bon nombre d’Occidentaux plus avertis, ont tendance à minimiser la puissance des islamistes. C’est un fait, les sociétés industrielles du XXe siècle, fondées sur des technologies et des équipements lourds, sur des frontières bien délimitées, sur un encadrement civique rigoureux (éducation nationale, service militaire) et un rationalisme conquérant, ne constituaient pas un terrain favorable pour l’islam. Mais les sociétés postindustrielles du XXIe siècle, fondées sur des technologies légères et des équipements “nomades”, sur la circulation permanente des informations et des personnes, sur le droit à la différence et sur la redécouverte de la spiritualité, lui sont au contraire éminemment favorables. Mieux : au fur et à mesure qu’ils pénètrent en Occident, les réseaux islamistes prennent avec une déconcertante facilité le contrôle des réseaux préexistants, politiques, religieux, culturels. Que l’on songe au mouvement dit “altermondialiste”, séduit,
du jour au lendemain, par un Tariq Ramadan.

Au lendemain du 11 septembre 2001, les Etats-Unis ont décidé de porter la guerre chez l’ennemi. Tout en commettant eux-mêmes l’erreur de croire que la mise en place d’Etats à l’occidentale en Afghanistan et en Irak (le nation building) suffirait à résoudre une partie du problème. Mais l’erreur des isolationnistes et des pacifistes européens – à commencer par le malheureux peuple espagnol qui, sous le choc du 11 mars, se livre à une élection-capitulation – est sans commune mesure.

« La guerre est un jeu cruel, écrivait le national-communiste Louis Aragon en 1944 : Il s’agit de la gagner. »


Quem tiver ouvidos que ouça!

publicado por Rui Oliveira às 16:32
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Errare humanum est
Que dizer desta notícia?

JERUSALEM, March 21 (JTA) — If ever there were a poster boy for the tragically blurred borders of the Israeli-Palestinian conflict, George Khouri is it.

Palestinian terrorists gunned down the 20-year-old student as he jogged through the dark streets of Jerusalem’s French Hill neighborhood on Friday night. The Al-Aksa Brigade, the terrorist wing of Palestinian Authority President Yasser Arafat’s Fatah movement, boasted that it had killed a Jewish “settler.”

But the claim quickly turned to shame when it became clear that the victim was in fact Arab, the scion of an Israeli Christian Arab family long linked with Palestinian nationalism.

“Mistakes happen. We consider George a martyr for the cause,” a spokesman from the Al-Aksa Brigade told Israel’s Channel 10 television station on Sunday.

Arafat aides phoned the victim’s father, civil-rights lawyer Elias Khouri, to apologize.

O porta-voz das brigadas não podia ter sido mais cínico. Um mártir para a causa? Quem é que ainda pensa que é possível dialogar com esta gente?

publicado por Rui Oliveira às 14:56
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China zanga-se com os EUA
Segundo a TSF a China ficou zangada com os EUA em matéria de direitos humanos por estes irem apresentar uma resolução na Comissão de Direitos Humanos da ONU em que condenam a China por incumprimento de acordos feitos em 2002.

Realmente, que desaforo! Os chineses são lá culpados de fazerem mais de 10000 execuções por ano!
publicado por Rui Oliveira às 10:29
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Segunda-feira, 22 de Março de 2004
A guerra justa
Pelo que toca ao Estado, devem observar-se acima de tudo as leis da guerra. Pois, havendo duas formas de contender, uma pela discussão, outra pela força, e sendo aquela própria do homem, e esta das feras, tem de se recorrer à segunda, se não for possível utilizar a primeira. Por este motivo, pode-se entrar em guerra devido a essa razão, a fim de se viver em paz sem injustiça; porém, uma vez alcançada a vitória, devem deixar-se viver os que não foram cruéis ou desumanos na guerra, assim como os nossos antepassados deram o direito de cidade a Tusculanos, Volscos, Sabinos, Hérnicos, mas destruiram radicalmente Cartago e Numância; (...) Em minha opinião, deve sempre pensar-se numa paz que não venha a tornar-se insidiosa.(...) A verdade é que as condições da guerra justa estão prescritas de uma maneira mais que sagrada no direito fecial do povo romano. De onde se pode deduzir que não há guerra alguma justa se não se fizer, ou depois de se ter protestado, ou de a ter previamente proclamado e declarado.
Cícero (Dos Deveres I.11.34-36, trad. Mª Helena da Rocha Pereira)
publicado por Rui Oliveira às 23:43
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Xeque Ahmed Yassin
Israel matou hoje o Xeque Ahmed Yassin, chefe espiritual do Hamas. Não sei se vai adiantar alguma coisa na sua luta pela sobrevivência, mas o mínimo que se pode dizer é o Xeque morreu como viveu: à bomba.

Já ouvi hoje muito disparate sobre este assunto, mas gostava que as pessoas se lembrassem de uma só coisa: o Hamas não luta para libertar a Palestina da ocupação israelita, mas para destruir Israel. E isto faz toda a diferença e quem faz análises devia pensar nisso.
publicado por Rui Oliveira às 14:58
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Domingo, 21 de Março de 2004
Política nacional
No dia em que se passaram dois anos da vitória nas legislativas do PSD, disse eu aqui que não estava particularmente satisfeito com o nosso governo, mas que pelo menos, não é o desastre que seria se fosse o PS a (des)governar-nos.

Parece-me que não estou sozinho nesta apreciação. Hoje, António Barreto no seu Retrato da Semana no Público, depois de não se mostrar entusiasmado com a acção do governo até agora, diz o seguinte:

Gostaria, no entanto, que continuasse a cumprir o seu mandato até ao fim. Por duas razões. Primeira, porque o cumprimento de legislaturas integrais é um valor em si próprio e, salvo drama ou desastre, deve ser respeitado e preservado. Segunda, porque, com o que sabemos, o governo alternativo, chefiado por Ferro Rodrigues e composto pelos amigos que actualmente dirigem o partido, seria muito pior e mais perigoso. Reconheço que esta opção não parece ser de grande política e não é de certeza gloriosa. Mas prefiro a deficiência ao desastre. É ao que estamos reduzidos.

Mas a apreciação que Barreto faz do PS de Ferro Rodrigues é ainda mais desoladora:

Perderam a cabeça com o processo dito da pedofilia. Têm vindo a agravar o estilo arruaceiro e as políticas demagógicas de que se pretendem orgulhosos autores. Estão cada vez mais híbridos e descaracterizados. Não perceberam as razões por que perderam. Não reconheceram os erros cometidos. São incapazes de criticar o universo de desperdício e facilidade que criaram. Continuam a pensar que gastar e distribuir, sem poupar nem produzir, é o modelo de política responsável. Persistem em crer que se pode e deve viver com as finanças públicas em perpétuo estado de bancarrota. A convite de Chirac e Soares, do Bloco e do PCP, enveredaram por estranhos caminhos de política europeia e externa. Adoptaram o estilo do PCP que, há quase trinta anos, berra no Parlamento e na rua, exigindo a demissão de cada um e de todos os ministros. Por este andar, os socialistas merecem um longo estágio na oposição.

Barreto foi muito detestado pelo PCP quando, como Ministro da Agricultura num governo de Mário Soares (já não me lembro se no 1.º ou no 2.º), fez uma lei de Reforma Agrária. Penso que, agora, Barreto é mais detestado no próprio PS.

publicado por Rui Oliveira às 23:01
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Manifestações pela paz
Que raio de manifestações pela paz são estas que defendem que a solução para o Iraque é a saída das forças internacionais?

Querem deixar os iraquianos abandonados à sua sorte, que, na hora actual, significaria uma brutal guerra civil? Bom, não era novidade pois, no passado, estes mesmo manifestantes abandonaram os iraquianos às garras do Saddam. O que me leva a pensar que estão-se nas tintas para os iraquianos. O que eles querem mesmo é derrubar os governos democráticos do Ocidente. Enfim, conceitos...
publicado por Rui Oliveira às 10:37
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