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Super Flumina

Liberae sunt enim nostrae cogitationes - Cícero (Mil. 29 - 79) . Um blog de Rui Oliveira superflumina@sapo.pt

Super Flumina

Liberae sunt enim nostrae cogitationes - Cícero (Mil. 29 - 79) . Um blog de Rui Oliveira superflumina@sapo.pt

Congresso da Justiça

Ouvi na TSF que o Dr. Garcia Pereira disse que a actual crise da justiça tinha uma origem bem definida, mas que ninguém a denunciava. Essa origem teria acontecido quando o PS era governo e o PGR era Cunha Rodrigues. Disse Garcia Pereira, por exemplo, que foi então que as escutas telefónicas tiveram a legislação actual, para além de outras decisões que reforçaram, ainda segundo Garcia Pereira, o poder do Ministério Público.

Sem dúvida interessante esta denúncia, mas será que alguém vai pegar no tema? Duvido.

PS: E afinal a lei das escutas telefónicas é perfeita na teoria, mas pelo visto a prática é outra coisa.

Lomborg está vingado

Bjorn Lomborg, o autor do "The Skeptical Environmentalist", é uma personagem maldita para muitos dos ambientalistas. A perseguição que lhe fizeram faz lembrar a Inquisação: só faltou queimaram o seu livro (embora em pensamento o tenham feito).

A Comissão para a Desonestidade Científica dinamarquesa num parecer datado de 07.01.2003 condenou o seu livro. Mas, ontem, o Ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação da Dinamarca vem dizer que, afinal, era o parecer da dita Comissão que padecia de desonestidade científica.

Soube a notícia através deste blog e há mais informações aqui. Quem souber ler dinamarquês, pode encontrar mais informações aqui.

Não sou um especialista em ambiente, não posso afirmar se Lomborg tem razão ou não, mas, ainda me lembro, quando adolescente, das previsões catastrofistas feitas nos anos 70 de que o petróleo acabaria em 30 anos e outras ainda piores, do género a ameaçar a existência humana em pouco mais do que uma geração. Escusado será dizer que a maior parte dessas profecias "científicas" não se concretizou.

O "crime" de Lomborg foi o de ter posto em questão alguns dos dogmas dos ambientalistas de hoje. Por isso foi posto no "index" dos malditos. Como de costume a esquerda, os ambientalistas, multiculturalistas e outros que tais são muito tolerantes com quem pensa como eles, mas extremamente intolerantes com quem ousa pôr em dúvida a sua "vulgata".

Mas, ao contrário de discutirem os argumentos, atacam as pessoas, tentam pôr em dúvida a sua competência científica, intelectual ou outra qualquer que sirva para os diminuir aos olhos do público. Deste modo, evitam discutir as questões de fundo.

Foi isto que aconteceu com Lomborg. Agora  o Ministro da Ciência dinamarquês veio dizer que afinal a desonestidade estava na tal Comissão pois não fundamentava tudo o que dizia.

As imagens de Saddam

Para ler o artigo de Francisco José Viegas no Jornal de Notícias.

Em jeito de comentário, há duas coisas que estão a custar a passar na Santa Sé: o anti-americanismo e o anti-semitismo.

A má-vontade do Vaticano em relação aos EUA e a Israel já se manifestou várias vezes num passado recente, sobretudo entre alguns dos cardeais e bispos que detêm postos importantes no seu governo.

Recentemente houve alguma mudanças, vamos lá ver no que dá.

Mais uma vez o véu islâmico...

Hoje, como esperado o presidente francês, Jacques Chirac, discursou sobre esta questão. Chirac declarou-se a favor a favor da lei que proíbe os signos religiosos "ostensibles" nas escolas francesas, manifestou-se contra o estabelecimento dos feriados islâmico e hebraico e preconizou o estabelecimento de um "code de laïcité".

Pode ler-se a notícia aqui. Por outro lado, o problema parece alastrar-se pela a Europa.

Na Alemanha, depois do estado do Bade-Wurtemberg, é a Baviera que proíbe o uso do véu nas escolas. Mas ao contrário da França, apenas o véu, e sou o véu, é contemplado pela lei.

Segundo a Revue-politique.com, são proibidas as vestimentas que sejam percebidas como "incompatibles avec les valeurs constitutionnelles fondamentales et les objectifs pédagogiques, y compris les valeurs culturelles et éducatives chrétiennes et occidentales".

A decisão não afecta os símbolos cristãos e judeus pois eles "reflètent les valeurs de l'occident chrétien et que les églises et les communautés juives reconnaissent sans réserve la Loi fondamentale et la Constitution bavaroise".

Não sei o que o futuro nos reserva, mas a Europa vai ter que começar a ter a coragem de enfrentar este problema e não meter a cabeça na areia. Porque o problema não é só francês ou alemão, mas europeu.

O Islão e a Europa têm uma história conflituosa. Há muita gente que quer negar o choque de civilizações, mas ele parece cada vez mais nítido.

Estará a Europa à altura do desafio? Não me parece...

"Le Canada n'est pas un pays sérieux" Parte II

Leio aqui, que o jornal La Presse, de Montreal, deu o título de personalidade do ano (mundo) a Arafat. Por seu lado, Chirac foi eleito a personalidade política europeia do ano.

A justificação da redacção é verdadeiramente fantástica, como se pode ler:

La rédaction de « La Presse » a justifié son choix en expliquant que Yasser Arafat « a légué une partie de ses pouvoirs à un Premier ministre ; a proposé de nombreux cessez-le-feu et a encouragé les pourparlers pour faire avancer la paix au Proche-Orient, tout en se faisant officiellement menacer de mort par l'État israélien ».Alors que le Premier ministre israélien, Ariel Sharon, « éternel insatisfait […]opposé à tous les accords de paix proposés depuis 1990 » aurait rejeté la « feuille de route », Yasser Arafat aura, toujours selon « La Presse », fait « preuve, tout au long de l'année, d'une bonne volonté et d'une ouverture au dialogue remarquables ».

Só falta pôr umas asinhas ao pacifista Arafat para torná-lo num anjinho...

O avião voa há 100 anos

Só para recordar que faz hoje cem anos que o "Flyer" dos irmãos Wright voou pela primeira vez. Parece que os brasileiros discordam e pensam que o primeiro homem a fazer um voo completo (isto descolagem, voo e aterragem por meios mecânicos) foi Santos Drummond em 1906 na cidade de Paris. Se calhar, tecnicamente falando, até têm razão, mas para o caso pouco importa, o "Flyer" até se manteve no ar quase um minutinho.

Wesley Clark em Haia

O Gen. Wesley Clark começou ontem a depor em Haia no julgamento de Milosevic que está ser julgado por crimes cometidos na Croácia, Bósnia e Kosovo.

Isto faz-me lembrar como a ex-Jugoslávia passou ao esquecimento, como se tudo tivesse acabado e não houvesse lá mais nenhum conflito étcnico, religioso ou nacionalista. Um dos casos mais graves de guerra na Europa já não mora nas boas consciências mundiais, como se o derrube de o ditador Milosevic tivesse acabado com tudo.

Mas, infelizmente, isto está longe de ser verdade. Para além de a Bósnia ser uma espécie de país adiado com uma federação croata-muçulmana que não funciona lá muito bem e uma república sérvia que parece esquecida de todos, de na Macedónia, pese embora a vontade da EU em dizer que está pacificada, estar ainda latente o conflito da minoria albanesa com o eslavos, há ainda o caso gravissimo do Kosovo onde a uma limpeza étnica praticada pelos sérvios se sucede, desde 1999 e com a complacência da comunidade internacional - Estados Unidos e Europa à cabeça -, uma verdadeira limpeza étnica praticada pelos albaneses kosovares contra os sérvios e outras minorias como, p.ex., os rom.

Desde já digo que apoiei a intervenção da coligação no Iraque, mas discordei da intervenção da Nato no Kosovo (um dia, como mais tempo, explicarei mais pormenorizadamente porquê). E parece-me que o tempo veio dar razão a todos aqueles que pensaram que essa intervenção não ia levar a nada de substancial (poderão sempre dizer que Milosevic caiu, mas ele cairia na mesma e não era preciso levar a Sérvia-Montenegro à miséria em que se encontram agora).

O Kosovo está agora entregue à ex-guerrilha do UÇK, aos fundamentalistas islâmicos e aos mafiosi albaneses, especialistas em tráfico de armas, mulheres e droga. Mais de uma centena de milhares de sérvios foram obrigados a deixar o Kosovo (juntamente com os ciganos rom), centenas de igrejas e mosteiros ortodoxos destruídos. Os que lá vivem estão protegidos em verdeiros guetos pela forças internacionais e não têm liberdade de movimento.

Por outro lado, aqueles que criticam Bush pela falsidade do argumento que levou à guerra com o Iraque, são os mesmo que incensam Cliton que também mentiu quanto à dimensão da limpeza étnica levada a cabo pelos sérvios. Os dados após a retirada dos sérvios permitem concluir que a limpeza étnica contra os albaneses teve uma dimensão incomparavelmente inferior a que foi publicitada para "legitimar" o ataque ao Kosovo. Já se encontraram mais valas comuns em 8 meses no Iraque, do que em 4 anos no Kosovo.

Até quando a comunidade internacional irá fechar os olhos ao drama do Kosovo? Nem os sérvios, nem os albaneses, nem as outras minorias kosovares mereciam tal sorte.

A literatura hoje

Todos aqueles que visitam este blog podem estranhar por que razão sempre que eu falo de literatura vou buscar poetas dos séc. XVI e anteriores e não escritores mais modernos ou contemporâneos. Por um lado, é uma razão de gosto: nem todos os actuais escritores portugueses escrevem coisas de que gosto. A segunda é que grande parte desses escritores poderão nem ser são grandes escritores dignos da posteridade (não sou mais assertivo porque não li muitos deles...). E a esse propósito, veja-se o que disse Miguel Torga (Diário XIV):

S. Martinho de Anta, 19 de Abril de 1984 - Outro romance de um dos génios da hora. O esforço que tive de fazer para não desistir a meio! A entronização dos escritores, agora, faz-se pela negativa. Quanto menos legíveis, melhor. Acovardada ou cúmplice, a crítica jura e bate o pé que sim, que são obras-primas esses trambolhos que vão atulhando as montras. Autores e promotores esquecem-se apenas dum pormenor: que a propaganda ruidosa, que violenta a boa-fé do leitor de hoje, já não poderá enganar a curiosidade livre do leitor de amanhã. É mesmo esse o encanto do futuro: nenhum dos seus juízos ser motivado pela agressão publicitária do presente. Ninguém mais lê os autores do século XVIII impostos ao gosto do tempo pela conjura dos peraltas e sécias dos salões.

Já Pacheco Pereira criticou por várias vezes o nosso meio cultural por ser tudo palmadinhas nas costas, tudo brilhante, tudo génios (e para mim, paradigma desse estado de coisas foi a inenarrável edição 1000 do Acontece). E é lógico que isso não é verdade...

No entanto, os escritores mais recentes não serão esquecidos. Haja tempo para falar deles!

"La Canada n'est pas un pays sérieux"

Leio na Revue Politique e não acredito: o Canadá está a ponderar em introduzir a Sharia para resolução de certo tipo de conflitos entre cidadãos muçulmanos.

Os multiculturalistas da ordem podem dizer o que quiser, mas isto configura uma regressão cultural para além de poder estar a condenar os cidadãos muçulmanos a serem cidadãos de segunda classe no acesso à justiça.

O Conselho Canadiano das Mulheres Muçulmanas já se pronunciou contra esta hipótese de instalação deste Instituto Islâmico de Justiça Civil pois, como se pode facilmente imaginar, serão as mulheres as mais afectadas neste caso.

Como poderá uma mulher muçulmana que pratica a sua religião, num caso de divórcio, recusar a Sharia? A pressão sobre ela seria enorme e, caso insistisse na pretensão de ir para a justiça civil, seria, provavelmente na melhor das hipóteses, marginalizada pela sua própria família e comunidade.

Por outro lado, a Sharia varia de interpretação de país para país e, no Canadá, nunca poderia ser aplicada por inteiro (valha a verdade, também não é essa a intenção). Mas, que interpretação seria adoptada e porquê? Será que todos os muçulmanos concordariam com ela?

E, as leis do Canadá não são suficientes para todos os seus cidadãos? Não será isto a pior das "dérives communautaires"? Não há o risco de estar a negar o acesso equitativo à justiça a uma parte dos seus cidadãos?

Dizem que o sistema será voluntário. Mas, e as pressões comunitárias e familiares?

Glosando de Gaulle "le Canada n'est pas un pays sérieux"

Gaudete, gaudete cum laetitia!

É um dia de alegria para o Iraque. O ditador Saddam foi capturado. Todos aqueles que, de verdadeira boa vontade, querem a paz no Iraque, devem estar felizes. Não é que a guerra vá acabar, ou que a instabilidade e atentados desapareçam de um dia para o outro, mas esta captura vai ajudar a clarificar muita coisa, por exemplo, quem está por detrás da instabilidade: Saddam ou outros que aproveitavam-se de Saddam para lançar estes ataques?

A ver vamos, mas, agora, nada será como antes.

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