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Sábado, 6 de Dezembro de 2003
Porquê "Super flumina"

"Super flumina" são as duas primeiras palavras da tradução latina do salmo 137 (mais conhecido por salmo 136 por ser essa a numeração na tradução grega dos Setenta e na antiga versão da Vulgata, bem como em traduções portuguesas mais antigas).

Este famoso salmo colectivo de súplica relembra a tristeza dos exilados na Babilónia por terem sido afastados de Jerusalém depois da queda desta cidade em 586 a.C.

É um dos salmos mais famosos do Livro de Salmos e teve um enorme impacto na literatura ocidental devido às numerosas composições poéticas que o tiveram como base de partida. No caso português, basta lembrar por exemplo Camões com as suas redondilhas "Sobre os rios" (ou "Sôbolos rios" na edição de 1598) ou ainda D. Francisco Manuel de Melo com o seu monumental "O Canto de Babilónia".

No entanto, este salmo de súplica tem um desenvolvimento surpreendente quando a partir do versículo 7 abandona o seu tom elegíaco para tomar a forma de uma violenta invectiva contra a Babilónia, desejando o seu castigo segundo a lei de Talião.
Este salmo, que se pode classificar como um salmo colectivo de súplica, teve, como já disse, uma enorme influência na literatura ocidental até aos dias de hoje (é claro que, actualmente, é bem menor). Procurarei dar aqui conta dos autores mais interessantes que sobre ele escreveram, tentar evidenciar a forma como o exploraram .

PSALMUS 137 (136)
1 Super flumina Babylonis,
illic sedimus et flevimus,
cum recordaremur Sion.
2 In salicibus in medio eius
suspendimus citharas nostras.
3 Quia illic rogaverunt nos,
qui captivos duxerunt nos,
verba cantionum,
et, qui affligebant nos, laetitiam:
“Cantate nobis de canticis Sion ”.
4 Quomodo cantabimus canticum Domini
in terra aliena?
5 Si oblitus fuero tui, Ierusalem,
oblivioni detur dextera mea;
6 adhaereat lingua mea faucibus meis,
si non meminero tui,
si non praeposuero Ierusalem
in capite laetitiae meae.
7 Memor esto, Domine, adversus filios Edom
diei Ierusalem;
qui dicebant: “ Exinanite, exinanite
usque ad fundamentum in ea ”.
8 Filia Babylonis devastans,
beatus, qui retribuet tibi retributionem tuam,
quam retribuisti nobis;
9 beatus, qui tenebit
et allidet parvulos tuos ad petram.
(versão Nova Vulgata)

Salmo 136
1 Junto dos rios de Babilónia,
ali nos assentámos a chorar,
lembrando-nos de Sião.
2 Nos salgueiros que lá havia,
pendurámos as nossas cítaras.
3 Os mesmos que nos tinham levado cativos
pediam-nos que cantássemos (os nossos) cânticos.
E os que à força nos tinham levado
diziam: Cantai-nos um hino dos cânticos de Sião.
4 Como cantaremos o cântico do Senhor
em terra estranha?
5 Se me esquecer de ti, Jerusalém,
ao esquecimento seja entregue a minha direita.
6 Fique pegada a minha língua às minhas fauces,
se eu não me lembrar de ti,
se não me propuser Jerusalém,
acima de todas as minhas alegrias.
7 Lembra-te, Senhor, dos filhos de Edom,
que, no dia de Jerusalém, diziam:
Destruí, destruí até aos fundamentos.
8 Filha desgraçada de Babilónia,
bravo o que te der o pago
do que nos fizeste sofrer.
9 Bravo o que apanhar às mãos,
e fizer em pedaços contra uma pedra os teus filhinhos.
(trad. da Vulgata do Pe. Matos Soares, Edições Paulistas)

Para uma versão directa do original pode consultar-se a Nova Bíblia dos Capuchinhos da Difusora Bíblica.

É um salmo extraordinário que permitiu, por exemplo, que Camões partindo do paralelismo ente a lição bíblica e o seu reflexo na situação terrena do cristão transferisse esse paralelismo para a problemática da poesia, seu conceito e função.

publicado por Rui Oliveira às 01:27
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