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Super Flumina

Liberae sunt enim nostrae cogitationes - Cícero (Mil. 29 - 79) . Um blog de Rui Oliveira superflumina@sapo.pt

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Natal - historicidade e significado

Da leitura de alguns jornais e de conversas havidas, parece que houve gente que só agora descobriu que na época em que se celebra o Natal, havia, no passado, várias festas pagãs relativas ao Solstício de Inverno, uma das quais, Dies Natalis Solis Invicti, instituída pelo imperador Lucius Domitius Aurelianus em 274 d.C., teria sido cristianizada algures durante o séc. IV.

Tudo isto dito ou interpretado de uma forma a querer sugerir a menorização da festa de Natal, que não teria passado de uma apropriação da parte da Igreja de uma festa de origem pagã.

Não negando a importância desta festa pagã no estabelecimento do dia 25 de Dezembro como dia de nascimento de Jesus Cristo, dizer que esta é a única explicação para esse facto é insistir numa perspectiva redutora que não tem sequer em conta a época histórica em que isto sucedeu.

Não vou eu fazer aqui o relato circunstanciado do aparecimento do Natal - embora tenha um longo texto inédito sobre o assunto, considero que ainda não está na sua redacção final (prevejo publicação para o final do próximo ano) - quem quiser saber algo mais completo do que aquilo que saiu nos jornais sempre pode obter informação na Enciclopédia Católica em inglês ou em castelhano. Também este artigo rebate a opinião de que o Natal e a Páscoa são festas pagãs.

Também interessante para o assunto é um artigo publicado no Osservatore Romano de 24/12/1998, por um professor universitário, Tommaso Federici, com o título 24 giugno, 23 settembre, 25 dicembre: date storiche que defende que o estabelecimento de 25 de Dezembro como dia do nascimento de Cristo é uma data histórica.

É por isso que a explicação que muitos querem dar da substituição de uma festa pagã por uma festa cristã é apressada e não tem em conta, pelo menos, dois factores:

- o desejo de muitos dos primeiros cristão estabelecerem o dia de nascimento de Jesus Cristo; e,

- as várias batalhas teológicas que a Igreja empreendeu nessa época, por exemplo, contra o arianismo (que aliás foi condenado no Concílio Ecuménico de Niceia de 325), nesse mesmo séc. IV.

Estas heresias negavam a dupla natureza, divina e humana, de Jesus Cristo e, por isso, as festas de Natal e da Epifania foram sem dúvida um poderoso meio de afirmar a verdadeira fé em Jesus Cristo, Filho de Deus, "gerado não criado, consubstancial ao Pai" e nascido da Virgem Maria (cf. Símbolo de Fé de Niceia).

Na verdade o que a Igreja celebra no Natal, ou melhor dizendo, no Tempo de Natal, não é tanto o nascimento histórico de Jesus, mas antes a Vinda de Jesus, Filho de Deus e a sua Manifestação aos homens.

Querer esquecer este aspecto e privilegiar só a questão de uma tentativa de oposição aos pagãos, através de uma festa cristã é só contar meia história (ou ainda menos).

PS - Aliás, também no séc. IV, conforme testemunho de Santo Agostinho, na quinquagésima da Páscoa, foi introduzida no quadragésimo dia após a Páscoa, a festa da Ascensão que também incide sobre a dupla natureza de Jesus Cristo.

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