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Quinta-feira, 11 de Agosto de 2005
Ainda os incêndios...
Se há alguma coisa que incendeia os blogues, essa coisa são as discussões sobre incêndios florestais, sobretudo nos caso dos textos de João Miranda no Blasfémias (é só ver estes últimos 15 dias, por exemplo).

Ainda ontem, João Miranda inclui uma entrevista com Gonçalo Ribeiro Telles, saída na Visão de 14/08/2003 (por aqui se vê que ano após ano se está sempre a falar do mesmo).

Aliás o mesmo Gonçalo Ribeiro Telles tem também uma entrevista na semana passada (J.A. Souza, Jornal de Notícias, p. 4, 04/08/2005) em que volta a criticar a "política florestal" em Portugal nas últimas décadas. Leitura recomendada.
Gonçalo Ribeiro Telles [arquitecto paisagista]

"Continua o embuste na nossa política florestal"

A primeira edição foi há 45 anos. "A Árvore em Portugal", de Ribeiro Telles e Francisco Caldeira, traçava já então um cenário pouco optimista da política florestal portuguesa. Uma segunda edição ampliada, nos anos 70, voltava à carga. A terceira mantém o texto e as críticas.

JN: Há quarenta anos, as razões do livro "A Árvore em Portugal" já eram de alarme. E acha que continuam tudo na mesma...

GRT: Continua, totalmente. Inventou-se que Portugal tinha uma floresta do tipo do Norte da Europa, monoespecífica, e todo esse embuste tem sido trágico. Quando há incêndios, as pessoas julgam que está a arder uma floresta, mas não está: o que está a arder são povoamentos de resinosas (os pinheiros) ou de eucaliptos. Entre estes povoamenbtos (sic) e uma floresta, a única coisa comum é que ambos tê árvores.

JN: E na sua opinião, dar a volta a este estado de coisas passa por recuperar a vegetação que havia antes da florestação de "lucro fácil".

GRT: Nós temos, ou tínhamos, uma mata natural que também tem, ou tinha, valor económico: basta ver os montados de sobro (a cortiça..) ou os soutos (castanheiros)... E essa mata natural é que tem características de floresta, e arde menos e recupera muito mais depressa. Mas além dos incêndios, uma das consequências mais trágicas de toda esta política florestal foi o despovoamento das aldeias e o consequente abandono da agricultura tradicional do interior e do Norte do país.

JN: Os donos das terras quiseram, afinal, um lucro rápido...

GRT: Os donos das terras já não sabem onde são as suas terras, porque já são netos e bisnetos dos primitivos donos, e entretanto como tudo tudo (sic) foi transformado em grandes extensões de pinhal ou eucaliptal, os marcos foram completamente alterados e na maior parte dos casos não sabem onde começa ou acaba o que lhes pertence.

JN: E em sua opinião, o lucro dessas plantações acaba por ser fictício?

GRT: Estamos agora a pagar esse lucro. Mas também foi fictício, porque poderia haver culturas monoespecíficas de árvores, mas nunca nas enormes e contínuas extensões que aconteceram. Isto foi um erro enorme da Universidade, principalmente do Instituto de Agronomia.

JN: E no caso do eucalipto, há ainda a ideia de que mata a terra.

GRT: Não é matar a terra, é despovoar o território, o que é muito grave. Não será impossível recuperar desta situação, mas é muito difícil. Tudo isto começou nos anos 30, quando saiu "Quando os Lobos Uivam", do Aquilino Ribeiro. Houve, nessa altura, o primeiro ataque aos baldios, no norte do país. Esse ataque provocou o desequilíbrio nas economias das aldeias, que era baseado na pecuária e contribuiu também para a migração das populações.

JN: E para mudar este estado de coisas que lhe parece catastrófico, propõe o quê?

GRT: Para começar, não repetir os erros que já se cometeram. E depois fazer um odrdenamento de características mediterrânicas, onde a agricultura e a pecuária têm papéis a desempenhar.
publicado por Rui Oliveira às 16:08
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1 comentário:
De luali a 23 de Junho de 2006 às 22:07
oi
pode parecer estranho, pelo menos para mim, mas estou curiosa quanto a uma pergunta que te vou fazer: sabias q o teu post se encontra como um link aconselhado no site ww.apap.pt, na secção de blogosfera?"
parabéns

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