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Segunda-feira, 30 de Janeiro de 2006
As prioridades do Hamas
Para quem quiser andar por aí a fazer o branqueamento do Hamas como associação benemérita, bem pode pôr os olhos nas prioridades legislativas do novo poder eleito da Palestina (destaques meus):
The incoming Hamas government will move quickly to make Islamic sharia "a source" of law in the West Bank and Gaza Strip and will overhaul the Palestinian education system to separate boys and girls and introduce a more Islamic curriculum, a senior official in the movement said yesterday.
[...]
Mr. Abu Teir, who was No. 2 on the Hamas list of candidates for Wednesday's election, said introducing sharia -- a controversial moral and legal code based on the Koran -- would be the first act of the new Hamas-controlled Palestinian Legislative Council.
[...]
He made it clear that one way Hamas planned to encourage the next generation to follow sharia was to revamp the Palestinian education system, separating girls' and boys' classes and introducing a more Islamic curriculum.

"We will take such measures because we look at examples in the West, like Sweden. They have the highest level of co-education and the highest level of suicides," he said. "We would like our children to have a protected environment. We don't want any distractions for our boys or our girls."
Suicídios só com bombas, pelos vistos...

Apesar das delcarações conciliadores tentado apaziguar os medos das minorias, como os cristãos, isto não é um bom começo...
publicado por Rui Oliveira às 01:20
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Sexta-feira, 27 de Janeiro de 2006
Da liberdade de expressão...
Na França, um deputado da UMP, Christian Vanneste, foi condenado por "injures homophobes". O seu crime? Dizer, na Assembleia Nacional francesa, aquilo que pensava sobre a homossexualidade durante o debate da Loi portant la création de la haute autorité de lutte contre les discriminations et pour l'égalité:
"En quoi un comportement qui peut être jugé critiquable serait-il privilégié par rapport à d'autres ? Et celui que vous visez peut légitimement faire l'objet de critiques, non seulement au nom de l'intérêt social, mais aussi au nom de l'universalité ! Un jugement de valeur est universel s'il est fondé sur l'impératif catégorique de Kant : agis toujours selon une maxime qui peut être érigée en principe universel. Manifestement, l'homosexualité ne le peut pas, à moins de vouloir le suicide de l'humanité !" [...]
"C'est simplement logique ! Vous êtes en train, pour lutter contre la discrimination, de défendre une séparation entre les sexes ! C'est complètement absurde ! L'idée même d'homophobie tend à accréditer l'idée que le comportement homosexuel a la même valeur que d'autres comportements, alors qu'il est évidemment une menace pour la survie de l'humanité".
Por muito contestáveis que sejam estas declarações, elas reflectem, pura e simplesmente, a opinião de uma pessoa. Injúrias, não estou a ver... sinceramente. Aliás, a Commission Nationale Consultative des droits de l'homme (CNCDH) emitiu um parecer negativo sobre o então projecto-lei relativa à luta contra as afirmações discriminatórias de carácter sexista ou homofóbico. O parecer começa assim (destaques meus):
1- En premier lieu, la CNCDH entend rappeler l’importance primordiale de l’universalité des droits de l’homme, qui transcende, sans les nier, les différences entre les êtres humains. « Face à l'universalité de la souffrance humaine, nous affirmons l'universalité des droits eux-mêmes. Les droits de l'homme, fondés sur la dignité inhérente à toute personne humaine, sont le patrimoine de tous et sont placés sous la responsabilité de chacun »[1]. Parce que c’est l’être humain en tant que tel, et non en raison de certains traits de sa personne, qui doit être respecté et protégé, la CNCDH émet des réserves sur la multiplication de catégories de personnes nécessitant une protection spécifique.

Cette segmentation de la protection des droits de l’homme remet en cause leur universalité et leur indivisibilité. Légiférer afin de protéger une catégorie de personnes, risque de se faire au détriment des autres, et à terme, de porter atteinte à l’égalité des droits. Cette méthode empruntée à la tradition juridique anglo-saxonne, fondée sur le traitement des cas est peu compatible avec le système juridique français, fondé sur la notion de principes. Favoriser ainsi les lois de circonstance ne pourra que réduire finalement les droits et libertés de tous. De plus, s’il est indéniable que l’Etat doit assurer une protection aux personnes vulnérables de la société, il semble que ce principe n’a pas matière à s’appliquer en ce qui concerne l’homophobie. L’affirmation du contraire consisterait à ériger l’orientation sexuelle en composante identitaire au même titre que l’origine ethnique, la nationalité, le genre sexuel, voire la religion, et donc à segmenter la société française en communautés sexuelles, accentuant ainsi l’émergence de tendances communautaristes en France. En outre, il n’est pas démontré que l’orientation sexuelle d’une personne ou d’un groupe d’individus génère une vulnérabilité nécessitant une protection spécifique de l’Etat.
De facto, a opinião, e não as incitações ao ódio, ficam debaixo de fogo com esta lei. Isto tipo de leis contra a liberdade de expressão, sob a capa das boas intenções, acabam por impor a tirania do pensamento único sobre determinados assuntos, impondo uma opinião sobre todas as outras. O outro dizia que "a Pátria não se discute", mas agora o que lei como estas dizem é a "Homossexualidade não se discute!". Isto é, torna-se dogma de fé.

Este tipo de leis contra "hate speech" multiplicam-se um pouco por todo o lado e não só sobre a homossexualidade. Neste momento, o historiador revisionista David Irving está preso na Áustria desde Novembro de 2005 por acusações de negação do Holocausto, o que é crime na Áustria, na Alemanha e, penso, também, na França. Este tipo de leis não faz qualquer sentido. O Holocausto é algo difícil de negar, as provas são esmagadoras, havendo por isso capacidade de refutar este tipo de argumentação delirante.

Ao que parece muito temos que aprender com a Antiga Grécia em matéria de isegoria (liberdade no falar), onde durante a Guerra do Peloponeso, Aristófanes pôde fazer comédias como "Os Cavaleiros" onde criticava mais do que ferozmente Cléon, o político mais influente de Atenas.

Como diz Ribeiro Ferreira (A democracia na Grécia Antiga:1990, Minerva): "Nenhuma democracia moderna, por mais aberta que seja, concede uma liberdade de expressão tão ampla como a que se vivia em Atenas" (p. 175).

É lógico que a liberdade de expressão não deve ser irrestrita, mas a lei que puna estes abusos deve ser o mais universal possível e não particularizar casos especiais de protecção.
publicado por Rui Oliveira às 10:17
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Terça-feira, 24 de Janeiro de 2006
Boas notícias das Américas
Os conservadores venceram as eleições canadianas. Mesmo sem maioria absoluta, não deixa de ser uma boa notícia...
publicado por Rui Oliveira às 08:45
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Domingo, 22 de Janeiro de 2006
Desabafo pessoal
Parece, e caso se confirmem as projecções, que finalmente o meu voto ajudou a eleger um presidente. Esta foi a quinta eleição presidencial em participei, nas outras os eleitos foram Soares e Sampaio, mas agora parece votei no vencedor. Já era tempo...


Post scriptum. Será que ter um apelido começado por "S" é o segredo para ser eleito presidente no Porutgal pós-Abril?
publicado por Rui Oliveira às 20:27
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Sexta-feira, 20 de Janeiro de 2006
Declaração de voto
No domingo, votarei uma vez mais nas eleições presidenciais e, como provavelmente todos os meus habituais leitores já o saberão, o meu voto vai para Cavaco Silva.

Não é, certamente, o candidato ideal, mas isto de candidatos ideais também é chão que deu uvas. Não os há (e provavelmente nunca os houve). Dos 6 candidatos, ele era o único em que eu poderia votar por várias razões.

Em primeiro lugar, e de um modo mais geral, nunca votei em qualquer partido ou candidato conotado com aquilo que se diz esquerda. Particularizando um pouco mais, era impossível o meu voto nos três candidatos mais à esquerda porque eles representam (mesmo que o escondam) ideologias totalitárias. De leninistas, trotsquistas e maoístas, estejam ou não cobertos por estilo aparentemente simpático, competente ou moderno, não há muito a esperar num estado democrático.

Quanto a Manuel Alegre e Mário Soares, do chamado socialismo democrático, também não tenho dúvidas em não votar neles. Em Soares, nem em 1986 nem em 1991 votei nele. Foi eleito, mas não com o meu voto. Nem sequer considero que tenha sido um grande presidente. Provavelmente nãos será por isso que ficará na história. De Manuel Alegre, sempre o identifiquei com uma ala esquerda do PS, passadista, enredada ainda na luta antifascista.

Dito isto, e tendo já no passado contribuído para o primeiro governo de Cavaco e apara as suas duas maiorias absolutas subsequentes, nem sequer hesito no meu voto, mesmo se o candidato não é o candidato ideal.
publicado por Rui Oliveira às 08:30
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Quinta-feira, 19 de Janeiro de 2006
Epifanias e epifanias...
Como se sabe, o calendário litúrgico ortodoxo desfasado do nosso ano civil, pois a Rússia dos czares nunca aceitou o chamado calendário gregoriano (que em 1582, fez com que ao dia 4 de Outubro se seguisse o dia 15, por ordem do Papa Gregório XII), mantendo o calendário juliano até à queda da Rússia imperial (por isso que a chamada Revolução de Outubro se deu em Novembro segundo o nosso calendário). Só em 1918 a Rússia, em transformação para União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, adoptou o calendário gregoriano (mas como já tinham passado 336 anos, a diferença já era de 13 dias).

Por isso, ontem, os ortodoxos celebraram a Epifania do Senhor, que para os católicos é no dia 6 (mas celebrada no Domingo que fique entre 2 e 8 de Janeiro). Só que o que motiva esta entrada não é tanto a Epifania em si, mas a notícia que a RTP-N deu sobre um banho tradicional em água gelada que alguns russos tomam nas celebrações desta festa. Só que a notícia provocou-me algum estranhamento. Porquê?

Porque tanto a locutor que apresentou a peça como a locutora da peça pronunciaram "Epifánia" em vez de "Epifania". Ambas pronunciaram a palavra como se ela fosse proparoxítona (esdrúxula), isto é, com acentuação tónica na antepenúltima sílaba, em vez de a pronunciarem como paroxítona (grave), isto é, com acentuação tónica na penúltima sílaba.

Será isto uma mera falha de pronúncia. Se fosse só isso, talvez nem me lembrasse de escrever algo sobre o assunto. O problema, para mim, é que nestas pequenas falhas se nota, frequentemente, uma falha de cultura geral alargada, pois nem se pode dizer que é preciso ser católico (ou cristão) para alguma vez na vida se ter ouvido a palavra Epifania, estando nós num país católico. Sendo que as duas locutoras vivem também em Portugal e sou portuguesas, por via da profissão que exercem, mais obrigação têm de ter uma cultura geral bem desenvolvida, sendo que não deveria (e/ou poderia) ser que estivessem a ler a palavra pela primeira vez.

Por outro lado, será que estamos mais uma vez no campo das traduções apressadas (como o caso apontado por Pacheco Pereira com a Burgundy/Borgonha, em que o tradutor (profissional ou improvisado) é ignorante de questões culturais? E perante uma fonte, possivelmente, inglesa em que a acentuação de "Epiphany" cai em "pha" um por um mimetismo qualquer se transforma em "Epifánia" em Português.

Já algumas vezes referi (por exemplo aqui) um tradutor tem que ter uma boa cultura geral e deve informa-se sobre o que está escrever; não basta saber línguas, isso é um requisito mínimo.

Por isso é que eu acho que frequentemente estes pequenos erros revelam muito mais do que um erro de tradução. Por vezes revelam uma falha cultural e isso, em algumas profissões, é muito grave.

A propósito, em português "Epifânia" é um antropónimo feminino em português.


Post scriptum. Quem quiser saber algo sobre a evolução dos calendários pode consultar este artigo. É excelente e dá excelente informação sobre o assunto.
publicado por Rui Oliveira às 11:13
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Quarta-feira, 18 de Janeiro de 2006
Reescrever a história
Hoje de manhã, estava a ver a informação da RTP1 quando uma das notícias era sobre Cheng Ho (ou Zengh He), um grande marinheiro chinês do séc. XV, que teria descoberto a América numa das suas viagens, sendo a prova de tal facto um mapa chinês do séc. XVIII que seria, por sua vez, uma cópia de um mapa chinês de 1418. A peça televisiva afirmava que, provavelmente, seríamos, obrigados a reescrever a história e que afinal Cristovão Colombo não descobriu a América.

O modo como estava redigida a notícia irritou-me ligeiramente. Em primeiro lugar que Colombo não terá sido o primeiro navegador a chegar à América é coisa mais ou menos pacífica. Mas antes de explicar este ponto, há que clarificar algumas coisas.

Em primeiro lugar, Cheng Ho foi um grande navegador, como se pode ver pelas informações veículadas aqui, aqui ou aqui. Como se pode ver, os chineses terão chegado mesmo a dobrar o Cabo da Boa Esperança bem antes de Bartolomeu Dias (1487).

O livro "Os descobridores" (no original "The Discoverers") de Daniel J. Boorstin (a edição que tenho é do Círculo de Leitores, 1987), dedica o capítulo 25 (pp. 178-185) a este navegador. Mas este mesmo livro dedica o capítulo 28 (pp. 199-205) aos vikings e à sua possível instalação na Terra Nova (ver Leif Ericson) nos finais do séc. X - princípios do séc. XI. Mas esta instalação na Terra Nova falhou apenas passada uma geração. Na p. 204, Boorstin escreve (destaque meu):
Os Vikings foram provavelmente os primeiros colonos europeus na América, o que está longe de querer dizer que «descobriram» a América. A sua colonização através do oceano tempestuoso foi um acto de coragem física, e não de coragem espiritual. O que ele fizeram na América não modificou a visão do Mundo, nem deles próprios, nem de ninguém.
As navegações chinesas tinham um objectivo muito diferente das dos Vikings. A propósito delas, diz o mesmo Boorstin (p. 183):
As viagens tornaram-se uma instituição em si mesmas, com o fim de mostrar o esplendor e o poder da nova dinastia Ming. E demonstraram que as técnicas de persuasão ritualizadas e não violentas eram capazes de obter tributo de Estados distantes. Os Chineses não estabeleciam bases próprias permanentes nos Estados tributários; esperavam, em vez disso, transformar «todo o Mundo» em admirador involuntário do único centro de civilização.
Mas aquilo que se diz sobre os vikings (o não terem alterado a visão do mundo), também se pode aplicar aos chineses, isto é, independentemente de terem ou não terem descoberto a América, isso não alterou, de modo dramático, os acontecimentos futuros, ao contrário do que aconteceu com as navegações de portugueses e espanhóis. Ainda por cima a China, a partir de 1433, isolou-se do resto do mundo.

No entanto, ainda muita água vai correr por debaixo das pontes até se saber (se é que alguma vez se saberá) se os chineses navegaram ou não até à América. E muito menos se poderá dizer que a história terá que ser reescrita. Em primeiro lugar porque os vikings tomaram a precedência e isso é mais ou menos aceite. Em segundo lugar, independentemente de ter ou não chegado à América, Cheng Ho foi um grande navegador e a China era verdadeiramente uma potência marítima. No entanto, nada disso retira importância ao feito de Colombo. E, se for para ver quem chegou em primeiro lugar à América, claro está, que ela já estava habitada bem antes dos vikings lá terem chegado.

Post scriptum. Há um artigo no The Economist que termina do seguinte modo:
Showing that the world was first explored by Chinese rather than European seamen would be a major piece of historical revisionism. But there is more to history than that. It is no less interesting that the Chinese, having discovered the extent of the world, did not exploit it, politically or commercially. After all, Columbus's discovery of America led to exploitation and then development by Europeans which, 500 years later, made the United States more powerful than China had ever been.
Mas Geoff Wade da National University of Singapore escreveu uma refutação ao artigo do The Economist que, a propósito da forma como este termina, diz o seguinte:
First there is acceptance that the "Chinese had "discovered the extent of the world" and secondly there is the implicit claim that Chinese culture is somehow more beneficent and humane than the cultures of the Europeans who exploited the world. This mirrors precisely the rhetoric of the Chinese foreign ministry in respect of the voyages of Zheng He and is an integral part of contemporary PRC foreign policy. Economist readers deserve better.
É que este assunto não é apenas uma questão científica como se pode ver, mas também política.
publicado por Rui Oliveira às 23:03
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Terça-feira, 17 de Janeiro de 2006
O aquecimento global
Como todos se lembram, nos blogs políticos, um tema que normalmente faz aquecer o debate é o do "aquecimento global". Qualquer um que ponha em dúvida a existência do "aquecimento global" (coisa que deveria ser normal, nestes 4 mil milhões de anos, a Terra já aqueceu e arrefeceu muitas vezes) e sobretudo sobre a sua origem humana é quase logo tratado como um crimonoso de guerra. No meu caso, visto que não tenho conhecimentos específicos sobre o assunto, vou tentanto informar-me, mas, logo à partida, tendo a desconfiar de teorias catatrofistas (ainda me lembro das previsões do clube de Roma no início dos anos 70 que dizia que as reservas de petróleo ser esgotariam por volta de 1990).

Dito isto, vejo com alguma curiosidade que o último livro de Michael Crichton foi lançado recentemente em França com o título "Etat d'urgence". E qual é o interesse deste romance? É que ele atira-se aos ambientalistas e ao mito do "aquecimento global".

Obviamente que Crichton não é um reputadíssimo académico nesta matéria, mas é curioso que tenha escrito contra algo que é quase uma "vaca sagrada". Interessante é também a entrevista que dá ao Le Figaro. Só uma passagem:
Pourquoi remettre en cause la question du réchauffement climatique, reconnue aujourd'hui comme irréfutable par la quasi-unanimité de la communauté scientifique internationale? Serait-ce une provocation littéraire, visant à une prise de conscience?
Il y a certainement beaucoup de gens qui voudraient nous faire croire qu'un réchauffement climatique catastrophique, d'origine humaine, est une théorie irréfutable au sein de la communauté scientifique. Pourtant, il existe de nombreuses raisons permettant de croire le contraire :

1.l'unanimité scientifique n'est pas une preuve de vérité. Le prix Nobel de médecine a été attribué, cette année, à des chercheurs ayant démontré le caractère infectieux des ulcères. Ils ont dû se battre pendant près de vingt ans contre le corps médical, contre les intérêts bien établis des industries pharmaceutiques et contre ceux des chirurgiens. Pourtant, ils avaient raison.
2.En terme de science, le mot «consensus» est quelque chose d'absurde. C'est la possibilité de reproduire des résultats qui compte réellement. Et historiquement, l'idée de « consensus » n'est proclamée que lorsque la science est faible, ou hautement théorique.
3. Ce soit-disant consensus est plus faible qu'on ne le prétend. L'étude, largement diffusée, qui avait été réalisée par Mme Naomi Oreskes (professeure associée au département d'histoire des sciences de l'université de Californie, San Diego, spécialiste en science environnementale, NdT) est erronée à un point tel, qu'on peut se demander si elle a été conduite de bonne foi. De nombreux articles publiés remettent en question la sagesse populaire conventionnelle. Nombreux sont les sondages qui montrent que les gens sont moins convaincu qu'on le voudrait. Hans von Storch, spécialiste allemand, directeur d'un institut de recherches côtières à Francfort, mène une étude tous les ans. La dernière date de 2003. Il a ainsi découvert qu'une majorité de scientifiques, spécialistes du climat, accordent du crédit à la théorie de l'origine humaine du réchauffement, dit «anthropogénique». Mais un pourcentage important (près de 25%) émet de sérieux doutes. Ce sondage a également révélé que moins de 10% de ces scientifiques sont d'accord avec l'affirmation selon laquelle les humains sont la cause principale du réchauffement en cours. Hum. Hum!
4. On s'aperçoit, à la lumière de la conférence de Montréal qui s'est tenue l'an dernier, que le sujet reste confus. Les protocoles de Kyoto se révèlent clairement impossibles à appliquer. Il n'est toujours pas prouvé que les Etats-Unis font moins bien que la plupart des signataires du protocole. Les émissions de gaz carbonique, depuis 1990, ont augmenté de 16% à 18% au Japon, de 24% au Canada, de 20% en Irlande, de 40% en Espagne, et de 53% au Portugal... Bien entendu, vous n'avez pas lu ces chiffres. Personne ne souhaite les rendre publics. Ils sont trop embarrassants. On préfère évoquer les émissions de gaz carbonique aux Etats-Unis en tonnes, et non pas sous forme de pourcentages.
5.plus des problèmes liés à Kyoto (indépendamment du comportement des Etats-Unis, la plupart des pays ne peuvent pas atteindre les quotas exigés, voire simplement s'en approcher), il existe un certain nombre de failles dans les sciences élémentaires. Tony Blair s'est déjà désolidarisé des protocoles de Kyoto. Je pense que ces protocoles seront abandonnés dans les trois prochaines années; et bien sûr, je pense que leur échec sera attribué au président Bush et aux Etats-Unis.
6. Si vous voulez connaître mon opinion sur le sujet, je crois que plus personne n'en parlera dans cinq ans. C'est déjà un sujet de polémique mort et enterré.

Pour revenir à mes intentions premières, je voudrais que les lecteurs prennent conscience des faiblesses de cette théorie, et de la tendance -plus générale- qui consiste à encourager la peur, pour des raisons fallacieuses.
Tudo o que possa lançar o debate sem o unanimismo que muitos exigem é útil...
publicado por Rui Oliveira às 23:03
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Segunda-feira, 16 de Janeiro de 2006
Para que serve o Ministério da Cultura?
O Da literatura já há muito tempo que, para mim, se tornou um blog imprescindível e nem é porque concorde sempre com o que lá é escrito (basta comparar com o que eu escrevo aqui), mas é, sobretudo, por as opiniões desembaraçadas de poeira ideológica da história que, frequentemente, se pode aí ler.

E para testemunhar o que digo, tem esta magnífica entrada Vingar António Ferro.Realmente ter o um ministro da Cultura serve para quê? Resposta:
Para distribuir uns dinheiritos aqui, outros ali; levar uns artistas a Veneza e outros a São Paulo; manter teatros e museus do Estado de porta aberta; comprar um molho de exemplares do JL para diáspora ler; patrocinar uma controversa colecção de clássicos; garantir edições avulsas na área do ensaio duro; levar escritores bestsellers a banhos; assegurar a rede de bibliotecas públicas; subvencionar o teatro independente; e o bailado e outras artes idem; criar condições de excepção para que Manoel de Oliveira continue a filmar; enfim, para cumprir tais tarefas, duas das quais, do ponto de vista do contribuinte, me parecem abusivas — um jornal privado com muleta pública, as excursões a Parati —, para isto, que é mera gestão administrativa, chegava e sobrava uma direcção-geral obrigada às normas da contabilidade pública.
. Nem mais.
publicado por Rui Oliveira às 13:55
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Para que serve o Ministério da Cultura?
O Da literatura já há muito tempo que, para mim, se tornou um blog imprescindível e nem é porque concorde sempre com o que lá é escrito (basta comparar com o que eu escrevo aqui), mas é, sobretudo, por as opiniões desembaraçadas de poeira ideológica da história que, frequentemente, se pode aí ler.

E para testemunhar o que digo, tem esta magnífica entrada Vingar António Ferro. Realmente ter um ministro da Cultura serve para quê? Resposta:
Para distribuir uns dinheiritos aqui, outros ali; levar uns artistas a Veneza e outros a São Paulo; manter teatros e museus do Estado de porta aberta; comprar um molho de exemplares do JL para diáspora ler; patrocinar uma controversa colecção de clássicos; garantir edições avulsas na área do ensaio duro; levar escritores bestsellers a banhos; assegurar a rede de bibliotecas públicas; subvencionar o teatro independente; e o bailado e outras artes idem; criar condições de excepção para que Manoel de Oliveira continue a filmar; enfim, para cumprir tais tarefas, duas das quais, do ponto de vista do contribuinte, me parecem abusivas — um jornal privado com muleta pública, as excursões a Parati —, para isto, que é mera gestão administrativa, chegava e sobrava uma direcção-geral obrigada às normas da contabilidade pública.
Nem mais.
publicado por Rui Oliveira às 13:55
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