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Quarta-feira, 23 de Fevereiro de 2005
A hipocrisia moral da esquerda
Bem, neste caso da esquerda norte-americana, mas bem se poderia aplicar à esquerda portuguesa (enfim, mais ao BE do que ao PS, é bem verdade, que isto de generalizações é sempre um pouco injusto).

Já ouviram falar de Jeff Gannon? Se calhar não, mas então nada como ler isto e isto. Edificante, não é?

Um jornalista anónimo (até aí) faz uma pergunta que parece pró-Bush e, toca daí, os bloggers esquerdistas americanos tratam de descobrir o passado pouco recomendável do senhor que, ao que parece é homossexual e foi "gay escort" e até puseram fotografias "x-rated" dele na Internet.

E ainda falavam da campanha baixa contra o Sócrates em Portugal. Os homossexuais (norte-americanos) ficam avisados de que só são homófobos os que mencionam e/ou atacam a sexualidade das pessoas de esquerda. Se for homossexual de direita, não conta para o totobola e já se pode atacar as suas opções sexuais, bem como os "erros" e "desvios" à moral vigente.

Não há dúvida que há uma esquerda que é muito selectiva naqueles que se devem proteger. As minorias são serão protegidas se estiverem do lado certo (ou seja o deles) do espectro político. Basta ver os ataques "ad hominem" feitos nas audições a Condoleeza Rice ou a Alberto R. Gonzalez antes de serem investidos nos seus cargos. Se tivessem sido os republicanos a utilizarem aquela linguagem, teriam sido logo invectivados de racistas (no mínimo), por ofensas à comunidade negra e hispânica norte-americanas. Como foram os democratas, as associações de direitos civis assobiaram para o lado e seguiram em frente.

Os elementos das minorias que fogem ao discurso do "coitadinho" e se afirmam pelos seus méritos individuais - não se abrigando em figuras jurídicas de discriminação positiva ou à sombra das suas comunidades - são postos de lados e quase que considerados como traidores. De facto é fácil de compreender por que isso acontece. É que estes indivíduos, arrostando certamente com dificuldades maiores do que os outros, venceram o discurso oficial comunitário e, desta forma, fogem ao controlo dos seus chefes. Por isso é lógico que estes não querem ver estes exemplos a multiplicar-se, pois, quantos mais assim procederem menor será o seu poder como grupo de pressão. Os líderes comunitários não estão, frequentemente, interessados numa verdadeira integração, mas na continuação da discriminação, pois só assim serão suficientemente poderosos junto do poder político.

Todavia isto já é outra conversa, embora tenha vindo a propósito. Voltarei a ela...
publicado por Rui Oliveira às 15:37
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