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Não posso deixar de concordar com o post de André Abrantes do Amaral sobre o ridículo dos cineastas que decidiram fazer um ultimato ao governo. Não havendo dinheiro público, como disse já Francisco José Viegas uma vez, "qual foi a parte de não há dinheiro" que eles não perceberam. Por outro, por que deverá o estado subsidiar o cinema. Faz parte das funções essenciais do estado? Eu penso que não é dever do estado fazê-lo. Já em Bastiat, em 1850, explicou as razões pelas quais o Estado não deveria subsidiar as artes (tradução minha):
Em primeiro lugar, poder-se-ia dizer, há uma questão de justiça distributiva. Será que o direito do legislador irá até ao ponto de desfalcar o salário do artesão para constituir um suplemento de proveitos para o artista? O Sr. Lamartine dizia: «Se suprimirdes o subsídio de um teatro, onde é que parareis neste caminho, não seríeis logicamente levados a suprimir as vossas Faculdades, os vossos Museus, os vossos Institutos, as vossas Bibliotecas? » Poder-se-lhe-ia responder: «Se deseja subsidiar tudo o que é bom e útil, onde é que parará neste caminho, não seria logicamente levado a constituir uma lista civil para a agricultura, a indústria, o comércio, a beneficência, a instrução? » Além disso, será que é certo que os subsídios favorecem o progresso da arte? É uma questão que está longe de estar resolvida e nós vemos pelos nossos próprios olhos que os teatros que prosperam são aqueles que vivem a sua própria vida. Por fim, elevando-se a mais altas considerações, pode observar-se que as necessidades e desejos nascem uns dos outros e elevam-se cada vez mais para regiões mais puras, à medida que a riqueza pública permite satisfazê-los; que o governo não tem nada que se imiscuir nesta correspondência, já que, num dado estado da fortuna actual, ele não saberia estimular, através de impostos, as indústrias do luxo sem afectar as indústrias de primeira necessidade, interferindo assim na marcha natural da civilização. Pode-se observar que estas deslocações artificiais das necessidades, gostos, trabalho e população colocam os povos numa situação precária e perigosa, que já não tem uma base sólida.
De facto, o Estado não pode subsidiar tudo o que é útil, pois é preciso entender que quando o Estado subsidia algo, isso significa que desviou dinheiro de um lado para outro. Ou seja, fez uma discriminação: favoreceu uns, prejudicando outros. O que estes senhores estão a dizer é: os contribuintes (pois, como já dizia Margaret Thatcher, "there is no such thing as public money") que paguem a nossa actividade. Ora, por mais meritória que essa actividade seja, os contribuintes não têm que a subsidiar.
Não deixei de sorrir quando vi esta notícia no ABC. Pelos vistos, a Generalitat acreditou demasiado na publicidade dos tradutores automáticos, mas como se pode ver será um pouco exagerado pensar que a tradução automática poderá vir a substituir em breve a tradução humana. Como dizia o chefe da aldeia dos irredutíveis gauleses "amanhã não será a véspera desse dia". Entretanto, como a própria notícia o diz, a opção da tradução automática foi retirada (fizeram bem, porque quem não perceber catalão e quiser ficar mais ou menos informado sobre o que lá se escreve, sempre pode ir ao Google pôr o url no tradutor automático e traduzir para a língua que desejar).
A tradução automática melhoru imenso nos últimos anos e continuará a melhorar no futuro. Duvido que alguma vez possa substituir toda a tradução humana. Como tradutor, não tenho muito medo destes avanços. Por outro lado, a tradução automática até é útil para línguas que não dominamos, mas de que queremos saber de que trata o texto. E nem sempre produz frases estúpidas, sendo que, em muitos casos até já me surpreendeu pela boa qualidade da tradução. Mas, sobretudo no tipo de traduções que faço, está longe de ser útil.
Mas vou continuar a acompanhar a sua evolução e sem grandes medos. A evolução tecnológica, a vários níveis, também faz parte da profissão de tradutor.
Entrevista de Maria Filomena Mónica ao i, hoje:
O PS não existe, nem sei o que é aquilo. O líder não tem carisma, não sabe o que há-de fazer, está condicionado pelo acordo com a troika. E sucede a um delinquente político chamado Sócrates, o pior exemplo que jamais, na História de Portugal, foi dado ao país: ir para Paris tirar um curso de “sciences po”, depois daquela malograda licenciatura – à qual não dou a menor importância, pois há muitos excelentes políticos que não são licenciados. O engenheiro Sócrates foi o pior que a política pode produzir. Depois de tantos processos em que mentiu, aldrabou, não depôs, ninguém percebeu o que se passou com o Freeport, os portugueses perguntam-se onde foi ele buscar dinheiro para estar em Paris. Quem é que lhe paga as despesas e o curso?
O Brasil decidiu imitar o EUA no pior que eles têm e aprovou o estabelecimento de quotas raciais nas entradas para as universidade, numa altura em que nos próprios Estados Unidos isso pode terminar, pois o Supremo Tribunal vai apreciar o caso de novo. Discriminação é discriminação, pois se alguém é favorecido, outro alguém será prejudicado só e apenas por uma questão de pele.
Na Venezuela, a brilhante política de preços controlados está a deixar as prateleiras vazias. Nada que não se soubesse já. Mas não há maneira de aprenderem. Por cá, também há gente a advogar preços controlados. Pois...
Parece fatal como o destino, mas, frequenemente, quando se fala de cultura fala-se também de subsídios. É certo que não é de agora, mas não deixa de ser um assunto recorrente. Agora, é porque a Direcção-Geral das Artes veio anunicar que em 2012 não haverá abertura de concursos pontuais e anuais ás artes.
Segundo a notícia do Público, o "meio" (seja lá isso o que for), mais o PS e o BE, vêem nisso uma "posição ideológica". Antes fosse, pois quereria dizer que na Secretaria da Cultura haveria algum tipo de de pensamento sobre o assunto. Mas eu acho que não. Penso que a Direcção-Geral das Artes não abre concurso pura e simplesmente por que não tem dinheiro. Pronto! Não há. É que eu não acredito que haja muitos políticos que, ancorados numa posição ideológica, não dêem dinheiro às artes. Ao longo dos anos, da direita à esquerda, todos eles deram dinheiro às artes pois ficam bem na fotografia.
Quanto à questão "ideológica". Ao contrário do que o "meio", mais PS e BE, possam pensar, o apoio do Estado às artes também é uma posição ideológica. É posição ideológica assumida por regimes fascistas, comunistas. sociais-democratas, democratas-cristãos, etc... Não é, concerteza, uma posição ideológica liberal (deixemos de fora o neoliberalismo que é um papão inexistente inventado pela esquerda). Só que este governo que temos também não é um governo liberal. É pena.
O muito recomendável Ecotretas fala hoje sobre o Tesla e as suas "virtudes" que, aliás, estão a ficar caras para os proprietários que caíram no engodo. Nem a propósito, encontrei mais uma notícia interessante sobre um híbrido, o Fisker Karma. Então não é que a revista Consumer Report compra o automóvel e, quando o preparava para o teste, o veículo com menos de 320 quilómetros no conta-quilómetros avariou e regressou à fábrica de reboque. Por outro lado o Chevrolet Volt está a ter grandes problemas do outro lado do Atlântico.
Enfim, híbridos ou totalmente eléctricos, facto é que os problemas acontecem com demasiada frequência, sendo que se tem que ter em atenção que estes veículos estão longes de ser baratos. Podem-me dizer, é uma tecnologia nova. Bem, nova não é, pois no início da história do automóvel o automóvel eléctrico competiu com o automóvel com motor de combustão eléctrica e o a vapor. Aliás, em 1899, o primeiro automóvel a passar os 100 km/h foi um automóvel eléctrico, La Jamais Contente. Só que o automóvel eléctrico, por razões tecnológicas e financeiras, não conseguiu aguentar a concorrência. Cem anos depois, o maior problema do automóvel eléctrico continua a ser a sua autonomia.
Devo avisar, desde já, que não sou contra o automóvel eléctrico. Gostaria muito que ele resolvesse os seus problemas de tecnologia. Mas, parece-me que esse tempo ainda está longe. E parece-me também altamente irresponsável toda a propaganda (só porque é "verde") à sua volta, quando os seu benefícios ainda estão longes de amanhãs que cantam prometidos.
Através da referência feita neste artigo do Telegraph, cheguei a este artigo onde dois académicos advogam o aborto pós-natal (é assim que eles chamam ao infanticídio). Eis o resumo do artigo:
Abortion is largely accepted even for reasons that do not have anything to do with the fetus' health. By showing that (1) both fetuses and newborns do not have the same moral status as actual persons, (2) the fact that both are potential persons is morally irrelevant and (3) adoption is not always in the best interest of actual people, the authors argue that what we call ‘after-birth abortion’ (killing a newborn) should be permissible in all the cases where abortion is, including cases where the newborn is not disabled.
É, sem dúvida, levar o raciocínio até às suas últimas consequências. Conforme explica o artigo do Telegraph:
The authors therefore concluded that “what we call ‘after-birth abortion’ (killing a newborn) should be permissible in all the cases where abortion is, including cases where the newborn is not disabled”.
They also argued that parents should be able to have the baby killed if it turned out to be disabled without their knowing before birth, for example citing that “only the 64% of Down's syndrome cases” in Europe are diagnosed by prenatal testing”.
Once such children were born there was “no choice for the parents but to keep the child”, they wrote.
“To bring up such children might be an unbearable burden on the family and on society as a whole, when the state economically provides for their care.”
However, they did not argue that some baby killings were more justifiable than others – their fundamental point was that, morally, there was no difference to abortion as already practised.
They preferred to use the phrase “after-birth abortion” rather than “infanticide” to “emphasise that the moral status of the individual killed is comparable with that of a fetus”.
Os autores explicam ainda, segundo o Telegraph que:
“Both a fetus and a newborn certainly are human beings and potential persons, but neither is a ‘person’ in the sense of ‘subject of a moral right to life’.
“We take ‘person’ to mean an individual who is capable of attributing to her own existence some (at least) basic value such that being deprived of this existence represents a loss to her.”
As such they argued it was “not possible to damage a newborn by preventing her from developing the potentiality to become a person in the morally relevant sense”.
Enfim, bem-vindos ao admirável mundo novo que assim respeita a vida humana!
Apesar de não ter qualquer confiança no F.C. Porto de Vítor Pereira, o facto é que o Benfica deu uma ajudinha e agora estamos só a 2 pontinhos (isto é, se não fizermos asneira até ao jogo na Luz - depois se verá).
Na sequências dos prémios recebidos por dois realizadores portugueses em Berlim, Francisco José Viegas disse que ao Público que:
O trabalho de cineastas como Miguel Gomes e João Salaviza é a prova de que o apoio ao cinema e ao audiovisual nacionais tem de continuar, merecendo o contributo e a homenagem de distribuidoras, produtoras, televisões e público, entre outros agentes interventivos do sector
A lógica desta afirmação de FJV é-me um pouco alheia. Sinceramente, continuo por que é que os contribuintes (sim, os contribuintes, não é por os dinheiros para o cinema não virem do Orçamento de Estado, que deixam de ser os contribuintes a pagar, aliás, como o JCD explicou no Blasfémias a propósito da nova vei do cinema) têm que pagar o cinema feito por alguns. E, nem sequer estão a falar destes filmes em particular.
É que continuo sem perceber por que razão o estado tem que financiar as artes. Mas isto deve ser a minha costela liberal a falar.
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